CAPÍTULO 13

1069 Words
— Eu ainda não os incomodei — ele murmura, ofendido, acenando com o dedo médio na frente do nariz. Estou ficando interessado! — Você está-os a questionar — ela resmunga. Deixe-os em paz. Deixe os meninos irem. — E a festa? — Bruna já cantou a música — ele começa a contar nos dedos da mão esquerda. Ela comoveu a todos, parabenizou seu pai... e pronto. Por que é que Bruna se sentaria aqui conosco têm-se importantes assusntos? O diálogo deles se enreda e cresce como uma videira insaciável. E a cada palavra sinto-me pior, não só pela tensão, mas também pela vergonha. Já estou a cobrir o meu rosto com a mão, mas eles não se acalmam. Meus pais também participam da conversa, tentando tranquilizar o meu tio, que está bastante bêbado, mas inútil. — Eu quero mais música! — Ele insiste. — Vou cantar a música, mas para você em casa! — Tia Margo grita com ele. — E o que diabos eu me importo com seus gritos! Já suportei isso o suficiente em quarenta anos… — Então é assim que você fala de mim? Da mulher que te deu quatro filhos? — Ela explode, fervendo de raiva. Bruna, que sentiu o aroma de uma briga iminente, entra alegremente na conversa. Aborda um tema que meu tio certamente vai gostar: — O amigo de Bruna acabou de dar um maravilhoso parabéns ao nosso aniversariante! Acho que pode ser considerado um excelente brinde e... uma bebida para sua saúde! — Eu apoio a moção! — meu tio grita, enquanto tia Margo já olha para ele com olhos de loba feroz. — E você — aponta para o hamster —, eu o condeno a uma dose de vodca como punição. E agora, venha aqui comigo! Ele não tem escolha a não ser caminhar em direção ao meu tio. E, à medida que avança, a apresentadora canta como um cotia, dizendo que temos que pegar as bebidas e beber, e ir comer e que depois temos que ir dançar; e nesse exato momento a música começa a tocar. Entendo por que ela faz isso. Aparentemente, ela finalmente clicou em algo no cérebro dela e percebeu que não deveria ter soltado a língua dizendo que a pequena estrela está com pressa de ir com meu amigo. E é por isso que agora ela desvia o foco da nossa atenção para a dança… Ela já está movendo seu esqueleto e chamando as pessoas. Muito ativamente. Pelos nomes deles… Mas suas tentativas não mudam muito mais. Talvez agora o foco da atenção seja desviado de nós e, mesmo que eu fuja, meus parentes não vão a lugar nenhum com suas perguntas. Principalmente os mais próximos: minha irmã e meus pais… Enquanto isso, o hamster já está ao lado do meu tio. Vou em direção a eles, evitando os parentes dançarinos. — Ouça atentamente minhas condições. Agora você vai beber três doses de vodca comigo até o fim, uma após a outra, e só então você pode levar Bruna e ir aonde precisar ir — diz o tio Antonio, colocando um copo na mão, enquanto ele mesmo se vira para a mesa, pega uma garrafa e começa a despejar nos recipientes. — Eu faria isso com prazer, mas tenho que dirigir — ele responde, mas é inútil. Meu tio continua fazendo o que faz com determinação. — Antonio, você já ouviu? — Tia Margo grita com ele, que ficou ao seu lado. O homem tem que dirigir. Deixa-o em paz, velho! — Está tudo bem — ele solta, olhando para a esposa. Ele é um jovem, não um pirralho que só de sentir o cheiro do vinho adormece como um bebê. A vodca entrará em você como água em terra firme. Agora ele vai sair, esfregar o rosto na neve, respirar fundo cinco vezes e a neve vai embora. Na idade dele, bebi uma garrafa inteira e em meia hora estava sóbrio ao volante! Tia Margo revira os olhos e diz: — Que monte de bobagens você está dizendo…? Fantástico. Só precisa dizer que tem asas debaixo da camisa! O tio Antonio ignora a esposa e dirige-se até Eduardo num tom autoritário: — Beba até o final, de um só gole. Entendido? Tio Antonio não espera por uma resposta. Ele entrega o copo rapidamente, mas o hamster não tem pressa… Ele não quer beber, porque entende que então não poderá ir a lugar nenhum… Agora… De repente, tia Margo arranca o copo de suas mãos e despeja seu conteúdo em seu próprio copo de suco de laranja, depois rapidamente devolve o copo vazio. Meu tio bebe tudo. Ele faz caretas, rosna, bebe pelo nariz, seus olhos lacrimejam… — Ele é forte, filho da p**a — ele cheira a manga da camisa branca e fixa os olhos em mim. — Mas você é um cara durão… Você não levantou uma sobrancelha. — Você mesmo disse: Eu entraria como uma terra seca — ele responde. — Estou sempre certo — meu tio continua suas manipulações com álcool, e tia Margo continua as dela para salvá-lo. Desvio o olhar desta cena; todos estão ocupados com a festa. Alguns comem, outros bebem e um pequeno grupo dança com a apresentadora. Mas meus pais continuam assistindo a esse espetáculo de longe, e Marina olha especialmente para mim. Minha irmã está furiosa… porque sempre compartilho tudo com ela, e ela comigo. E agora, essa informação que escondo dela… Um amigo! — Tenho que sentar… minhas pernas, esses bastardos, não me apoiam — Tio Antonio murmura, o que não é surpreendente. Está ficando cego. Ele senta na cadeira e pega caviar com manteiga da mesa. Dá uma mordida tão voraz que metade desaparece de uma só vez e ele mastiga vigorosamente. — É assim que acontece uma vez por ano, quando ele bebe um pouco mais do que o necessário, fica insuportável — Tia Margo desabafa sua raiva. E ele fala algumas coisas estúpidas… sendo de outro mundo… Bruna, bem, você já o conhece… — Hamm — Olho para meu tio, que continua mastigando sem reagir a nós. — Obrigado por me salvar — o hamster olha para a tia Margo. —Caso contrário, certamente não teríamos conseguido sair… Teríamos que ficar até o fim… — E agora estamos com pressa — eu o agarro pelo cotovelo e o puxo. Até mais, tia Margao. — Vai com Deus, Bruna e...
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