— Eu ainda não os incomodei — ele murmura, ofendido, acenando com o dedo médio na frente do nariz. Estou ficando interessado!
— Você está-os a questionar — ela resmunga. Deixe-os em paz. Deixe os meninos irem.
— E a festa?
— Bruna já cantou a música — ele começa a contar nos dedos da mão esquerda. Ela comoveu a todos, parabenizou seu pai... e pronto. Por que é que Bruna se sentaria aqui conosco têm-se importantes assusntos?
O diálogo deles se enreda e cresce como uma videira insaciável. E a cada palavra sinto-me pior, não só pela tensão, mas também pela vergonha.
Já estou a cobrir o meu rosto com a mão, mas eles não se acalmam. Meus pais também participam da conversa, tentando tranquilizar o meu tio, que está bastante bêbado, mas inútil.
— Eu quero mais música! — Ele insiste.
— Vou cantar a música, mas para você em casa! — Tia Margo grita com ele.
— E o que diabos eu me importo com seus gritos! Já suportei isso o suficiente em quarenta anos…
— Então é assim que você fala de mim? Da mulher que te deu quatro filhos? — Ela explode, fervendo de raiva.
Bruna, que sentiu o aroma de uma briga iminente, entra alegremente na conversa. Aborda um tema que meu tio certamente vai gostar:
— O amigo de Bruna acabou de dar um maravilhoso parabéns ao nosso aniversariante! Acho que pode ser considerado um excelente brinde e... uma bebida para sua saúde!
— Eu apoio a moção! — meu tio grita, enquanto tia Margo já olha para ele com olhos de loba feroz. — E você — aponta para o hamster —, eu o condeno a uma dose de vodca como punição. E agora, venha aqui comigo!
Ele não tem escolha a não ser caminhar em direção ao meu tio. E, à medida que avança, a apresentadora canta como um cotia, dizendo que temos que pegar as bebidas e beber, e ir comer e que depois temos que ir dançar; e nesse exato momento a música começa a tocar.
Entendo por que ela faz isso. Aparentemente, ela finalmente clicou em algo no cérebro dela e percebeu que não deveria ter soltado a língua dizendo que a pequena estrela está com pressa de ir com meu amigo.
E é por isso que agora ela desvia o foco da nossa atenção para a dança…
Ela já está movendo seu esqueleto e chamando as pessoas. Muito ativamente. Pelos nomes deles…
Mas suas tentativas não mudam muito mais. Talvez agora o foco da atenção seja desviado de nós e, mesmo que eu fuja, meus parentes não vão a lugar nenhum com suas perguntas.
Principalmente os mais próximos: minha irmã e meus pais…
Enquanto isso, o hamster já está ao lado do meu tio.
Vou em direção a eles, evitando os parentes dançarinos.
— Ouça atentamente minhas condições. Agora você vai beber três doses de vodca comigo até o fim, uma após a outra, e só então você pode levar Bruna e ir aonde precisar ir — diz o tio Antonio, colocando um copo na mão, enquanto ele mesmo se vira para a mesa, pega uma garrafa e começa a despejar nos recipientes.
— Eu faria isso com prazer, mas tenho que dirigir — ele responde, mas é inútil. Meu tio continua fazendo o que faz com determinação.
— Antonio, você já ouviu? — Tia Margo grita com ele, que ficou ao seu lado. O homem tem que dirigir. Deixa-o em paz, velho!
— Está tudo bem — ele solta, olhando para a esposa. Ele é um jovem, não um pirralho que só de sentir o cheiro do vinho adormece como um bebê. A vodca entrará em você como água em terra firme. Agora ele vai sair, esfregar o rosto na neve, respirar fundo cinco vezes e a neve vai embora. Na idade dele, bebi uma garrafa inteira e em meia hora estava sóbrio ao volante!
Tia Margo revira os olhos e diz:
— Que monte de bobagens você está dizendo…? Fantástico. Só precisa dizer que tem asas debaixo da camisa!
O tio Antonio ignora a esposa e dirige-se até Eduardo num tom autoritário:
— Beba até o final, de um só gole. Entendido?
Tio Antonio não espera por uma resposta. Ele entrega o copo rapidamente, mas o hamster não tem pressa… Ele não quer beber, porque entende que então não poderá ir a lugar nenhum…
Agora…
De repente, tia Margo arranca o copo de suas mãos e despeja seu conteúdo em seu próprio copo de suco de laranja, depois rapidamente devolve o copo vazio.
Meu tio bebe tudo. Ele faz caretas, rosna, bebe pelo nariz, seus olhos lacrimejam…
— Ele é forte, filho da p**a — ele cheira a manga da camisa branca e fixa os olhos em mim. — Mas você é um cara durão… Você não levantou uma sobrancelha.
— Você mesmo disse: Eu entraria como uma terra seca — ele responde.
— Estou sempre certo — meu tio continua suas manipulações com álcool, e tia Margo continua as dela para salvá-lo.
Desvio o olhar desta cena; todos estão ocupados com a festa. Alguns comem, outros bebem e um pequeno grupo dança com a apresentadora. Mas meus pais continuam assistindo a esse espetáculo de longe, e Marina olha especialmente para mim.
Minha irmã está furiosa… porque sempre compartilho tudo com ela, e ela comigo.
E agora, essa informação que escondo dela…
Um amigo!
— Tenho que sentar… minhas pernas, esses bastardos, não me apoiam — Tio Antonio murmura, o que não é surpreendente. Está ficando cego.
Ele senta na cadeira e pega caviar com manteiga da mesa. Dá uma mordida tão voraz que metade desaparece de uma só vez e ele mastiga vigorosamente.
— É assim que acontece uma vez por ano, quando ele bebe um pouco mais do que o necessário, fica insuportável — Tia Margo desabafa sua raiva. E ele fala algumas coisas estúpidas… sendo de outro mundo… Bruna, bem, você já o conhece…
— Hamm — Olho para meu tio, que continua mastigando sem reagir a nós.
— Obrigado por me salvar — o hamster olha para a tia Margo. —Caso contrário, certamente não teríamos conseguido sair… Teríamos que ficar até o fim…
— E agora estamos com pressa — eu o agarro pelo cotovelo e o puxo. Até mais, tia Margao.
— Vai com Deus, Bruna e...