E fugimos da festa. Ele, felizmente, não consegue resistir. Me segue como um cordeirinho manso, e quando saímos do salão…
Soltei o braço dele e voei para o vestiário, onde o funcionário havia deixado meu casaco. Pego e visto meu casaco, já estou na rua.
O frio me atinge no rosto e nas costas, as palavras do hamster:
— Bruna, você canta muito bem! Eu estava pensando agora: e se eu investir dinheiro e esculpir uma estrela de verdade em você? Acho que você entenderia. Você vai mandar todas as divas pop para a aposentadoria. O que você acha da ideia? Aceitar! Tenho a sensação de que ficaremos ricos!
Viro-me bruscamente em sua direção. Eu nem sei por onde começar.
Mas quero começar tirando neve do capô de um veículo, fazendo uma bola e quebrando-a no rosto dele!
Vou atrás dela e...
Um espasmo me contorce de repente. Tenho a sensação de que minha coluna está dando uma cambalhota. As contrações percorrem minhas costas e me tiram o fôlego.
Maldito de volta!
Minhas pernas até dobram! Caio de joelhos, acrescentando dor extra, porque eles estão cheios de hematomas desde ontem!
Dói tanto que soltei um gemido. Apoio-me com as mãos no asfalto frio.
No início, sinto uma dor aguda nos joelhos. Eles me batem forte, mas a situação se acalma rapidamente e minhas costas sobem no palco novamente. Ela é a protagonista desde esta manhã.
Deus, que tortura indescritível!
Essa dor agora… Não é nada comparada à da manhã. Uma formiga contra um crocodilo!
Um espasmo após o outro… É um ciclo vicioso!
Que assustador!
— Por que você cai e grita? De felicidade? — Eduardo aproxima de mim, pensando que não tenho nada melhor para fazer. Ele inclina-se e tenta me levantar, o que é um erro grave, porque ele faz isso abruptamente!
aiiiiiiii!!!!!!
Pare de fazer isso. Ele tira as mãos e diz, irritado:
— Por que você grita como se a sua perna estivesse sendo cortada com uma serra enferrujada? Eu só quero ajudar! Agora sua família vai pensar m*l de mim e sairá em massa para me chutar. É isso que você quer?
— A parte de trás — Eu ignoro.
— E as costas?
— Dói — Eu bufo— Isso me deu um ar... Muito forte... Tens de te levantar devagar.
— Ah — a indignação desaparece do seu tom— Entendido. Certo.
Ele faz outra tentativa, mas, novamente, rápido demais. Eu paro com meus gritos:
— Mais devagar! Ainda mais lento!
Obedeça-me.
Ele me levanta na velocidade de um caracol, mas não consigo me endireitar, muito menos ficar firme.
Ele me segura completamente, colocando os braços em volta das minhas costas.
Damos passos lentos. Nem olho para onde isso me leva, mas muito em breve recebo a resposta à minha pergunta, que no meu estado é tão sem importância.
Foda-se isso!
Só quero uma coisa: que minhas costas parem de doer.
Ouço-o retirar o alarme do carro, enquanto a outra mão dele deixa as minhas pobres costas. Ele abre a porta e me ajuda a sentar no banco de trás.
Esse processo para mim...
Mal me contenho para não começar a gritar de novo e assustar toda a vizinhança...
Cerro os dentes e sinto lágrimas rolando pelas bochechas.
E só os seco quando o assento confortável me rodeia; Eu me sinto melhor. Os espasmos não me destroem tanto.
Seco as pérolas salgadas e olho para o hamster, que está franzindo a testa. Certamente não foi assim que ele imaginou esta citação.
Ele não só mantém as sobrancelhas alinhadas, como também digita algo em seu smartphone.
— O que você está fazendo? — perguntou a ele.
— Quero chamar uma ambulância.
— Não há necessidade de ambulância...
— Não precisa? — para e olha para mim—. Então, para quem devo ligar? À polícia ou aos bombeiros? Ou talvez um curandeiro com pandeiro?
— É melhor ligar para minha irmã e perguntar o que fazer... Ele é médico. Agora ele vai me dizer quais comprimidos tomar e pronto.
Daqui a cinco minutos estarei a correr.
— Dite o número.
— Eu mesmo ligo para ela.
— Aqui — Ele me entrega o telefone.
Pego e disco o número da minha irmã, que sei de cor. Em geral, sei de cor os números de todos os meus entes queridos (nem todos os parentes, porque então eu só teria números na cabeça); Foi assim que minha mãe nos ensinou, dizendo que as coisas acontecem na vida e que é preciso saber essas coisas.
Pressiono o ícone verde e coloco o telefone no ouvido. Os toques, como espasmos, arranham-me a orelha.
Espero que Marina ouça... Porque ela tem o hábito de não ouvir quando alguém liga para ela.
— Diga? — Hoje sua irmã não tem um ataque de mania. Responder a tempo — Quem é e por que isso te incomoda?
— Marina, sou eu, Bruna— eu digo a ela — Preciso da sua ajuda urgentemente... Estou no banco de trás e...
— Já está no banco de trás? Mmmm... Interessante, interessante... — ela me interrompe com uma voz relaxada e brincalhona. — Bruna, você é uma virgem modesta? Não sabe como se comportar no banco de trás? Ou você esqueceu e perguntou? Bom, posso improvisar um roteiro para você. Poderíamos começar com um ser...
— Marina, não estou à altura das suas piadas pervertidas! — Encontro forças para latir para minha irmã— Ele é apenas meu amigo!
— Ahá! Claro, um amigo! Amigo! Um cachorro é seu amigo fiel, que leva seus chinelos para a cama pela manhã e late para o inimigo!
—Marina...
— Bruna, todo mundo já entendeu... Você não pode fugir do aniversário do seu pai com amigos! Só para você saber, estou muito bravo com você. Muito, muito... Apanhaste um tipo e nem me importei! Não sei como você vai expiar sua culpa agora!
Marina continua falando ao telefone, dizendo que sou uma irmã má. Isso me lembra que ela sempre me contou tudo...
Infelizmente, o hamster também ouve... Ele está ao meu lado, e os alto-falantes do telefone dele são tão altos que é incrível.
O avô é surdo ou quê?
— Marina, minhas costas estão duras —Interrompo minha irmã, que tinha feito as malas— Não consigo me mover! Sou como uma inválida! O que devo tomar para que isso desapareça?
Ela cala-se. Um silêncio suspeito.
— Marina? — meu coração desacelera.
— Dói muito? — ela pergunta em resposta, cautelosamente.