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1142 Words
Lua: Bom, já faz 3 dias que estamos na casa do grego, mas uma vez a Bibi está batendo boca. A gente fica trancadas no quarto ou na nossa avó. Saímos a conhecer o morro, que é lindo. Tem crianças nas ruas brincando e correndo. A vida aqui não para, senhoras fofocando na rua, indo com a bolsinha embaixo do braço. Os comerciantes sorrindo, os soldadinhos, como a Sol chama, em cada esquina, sempre com o radinho na mão, falando de onde vamos passando. Chega a ser chato, porém posso viver com isso. Hoje acordamos com a sinfonia de gritos da maluca. meu pai se vai pra boca e ela começa o espetáculo. Ela pensa que vai nos ganhar no cansaço, m*l sabe ela que uns gritos e barulhos de coisas não somam nada a uma vida na rua. Olho a sol sair do banheiro. Por sorte, temos só um para nós. Está arrumada assim, pra quê? Pergunto porque não sabia que ia sair e eu não quero ficar com a louca sozinha. - Sol: "Te arruma, tem 10 minutos! Vamos catar um rato!" - Ta brincando, falo, já sabendo que é verdade. Me arrumo a mil por hora. Agora temos perfumes, cremes e roupas novas, tudo de primeira. O grego mandou uma moça aqui com um catálogo e nos fez escolher um monte de coisas. Até temos um celular pra cada uma. Não vou negar que tô ficando mimada. Saí do banho, indo botar minha corrente de ouro. Te mete com a rale, a vitória tá chegando! Penso e n**o com a cabeça. A Sol tá muito animada, essa menina pra fazer maldade é de outro mundo. Saímos do quarto pé por pé. Ela nem nos viu sair, graças a Deus. Vamos pra fora pela parte de trás, que já sabemos que tem saída e ninguém nos vê, só o Didi e o Lipe. Segundo eles, é porque são os vapor de confiança e sabem dessa passagem. Mando um zap pro Didi, que já vem com o Lipe na cola. - Didi: O que estão aprontando? Hoje não tinha aviso de que iam sair. Ele fala com uma sombrancelha erguida. - Não olha pra mim, falo cruzando os braços e já botando cara de marra. Aqui, aponto com a cabeça para a Sol, que está sorrindo à toa. - Sol: Em tom ne meninos, já que são nossos seguranças, são da nossa confiança, não é mesmo? - Lipe: Sim, princesa, o que você está aprontando? - Sol: Bom, precisamos de dois ratos, já daria, falo simples. - Didi: Pra que você quer dois ratos? - Sol: Pra alimentar uma cobra, falo e olho pra minha irmã. - Então, sim ou não, pedimos pra outros. Ah, e cuidado com ser x9, olha que por aqui dizem que morrem! Falo, e vejo que os dois se olham e suspiram. - Didi: Vou lá onde teu pai guarda as coisas de tortura. Lá tem ratos, falo já sabendo que se alguém me ver, sou homem encrencado, mas nada que essa marrenta não peça chorando que eu não faça, sorrindo. - Sol: Tá certo, e tu, Lipe, fica aqui esperando ele. Vai esperar a louca da Bibi ir pro quarto. Essa hora já deve ter ido dormir de novo, a janelona sempre fica com uma fresta. E aí, que tu enfia os ratos pra dentro e sai correndo, Nos encontramos a gente já vai estar com o Didi na praça. Antes disso, vamos pra boca dar um oi e falar que estamos indo com vocês dois na praça tomar sorvete. -didi: Vou chamar a minha irmã para colocar os ratos. Ela não gosta da Bibi, faz a te de graça. Falo já pensando que é melhor que todos nós vejamos na praça para não ter erro. -certo, faz isso, é melhor todos irmos para a boca. A Bibi vai saber que fomos nós, mas ela não vai poder comprovar, falo já empurrando o Didi para fazer a tarefa. Estamos a uma rua da boca. O Didi chega ofegante, nos olha e sorri de canto. -Didi: Feito! A Sol pula e dá palminhas. Apressamos o passo e estamos aqui na frente. Por fora, parece um barracão. Entramos e alguns já nos conhecem; outros nos olham de canto. -Thaz: A que devemos a honra das princesas? -Sol: Oi, tio Thaz! Fala toda sonsa. Viemos falar com o pai. Está aqui? -Thaz: Na sala dele. Entrem! Aponta pra porta do fundo. Batemos na porta e ele está no telefone. Nos olha e faz sinal pra nós esperar com a mão. Os gritos da Bibi se escutam daqui. Eu respiro fundo e faço minha melhor cara de paisagem. Meu pai desliga na cara da Bibi e nos olha. "E aí, estão fazendo o que aqui?" - Sol: "Pai, saímos cedo pra te ver. Vamos tomar sorvete com a gente na praça?" Ela olha para ele com cara de pidona. Essa Sol ganha o Oscar de melhor atriz, penso, porém guardo pra mim. Grego: "Não poderia sair, mas já que minhas princesas estão pedindo," ele fala, "e nós já temos meio caminho andado." Saímos da boca, nós três, mas o Didi, Lipe e um chamado Dedo. Fomos até a praçinha, escolhemos o sorvete e, como se tivéssemos calculado, 20 minutos depois a maluca chega fazendo cena. Nós olhamos, eu e a Sol, e começamos a falar entre nós, ignorando totalmente a cena da maluca. - Bibi: "Tu não acredita em mim! Elas botaram ratos em casa! Tô te falando, tava dormindo e um rato pulou na minha cara!" Grego, ela fala vermelha de raiva. - Grego: "Bibi, calma! Deve ter sido azar. Elas estavam na boca comigo quando tu tava surtando no telefone. Não foram elas," ele fala. Vejo ela ficar p**a de ódio. Terminamos o sorvete e o Grego foi com a Bibi pra casa. Olhamos para os meninos e acenamos com a cabeça, mas aí surgiu uma pergunta que não quer calar. Chamei o Didi, que está afastado de nós um pouco. Ele bem e eu falo discretamente: "Lá não tem câmeras?" Olho preocupada para ele e ele sorri cínico. Didi: "A Livi passou nos pontos mortos, não te preocupa. A gente sabe onde ficam as câmeras porque minha mãe trabalhava de faxineira para o chefe, só que a Bibi correu ela por ela faltar 2 dias por estar doente", ele fala. Fico indignada e p**a. A Bibi é mais podre do que prevíamos. Suspiro. Hoje começa o jogo e estamos ganhando 1 a 0! Contra fatos não há argumentos. A Bibi vasculhou as filmagens de cabo a r**o, mas nem uma prova no flagrante. A gente só olhava de longe o surto e o Grego já mandou a paciência para o espaço faz horas. Por sorte nossa e azar dela, deu tudo melhor do que o planejado!
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