casa

1090 Words
Grego, estamos em frente de casa. Olho para minhas meninas, que olham com olhos de encanto, admirando e observando tudo com curiosidade. Minha casa não é a mais simples do morro, mas mantenho-a meio padrão. Tenho uma casa melhor, mas só uso para resenhas. Esta aqui é minha guarida, meu refúgio. Tem 3 quartos, sala grande, cozinha e lavanderia, um quintal grande com uma piscina média e área de lazer, porém tudo bem disfarçado. Respiro fundo e mostro a entrada para as meninas passarem. É hora da verdade. Falo para elas, que dão risada. Entro na sala e a Bibi me encara. Está atirada no sofá, de pijama de seda, me olha com cara séria e observa as meninas, fuzilando. - Bibi: Boa tarde! Posso saber que meninas são? Ela fala, se levantando do sofá e vindo ao meu encontro. - Bom, não sei como começar a falar, o tema é complicado. - Sol: Ah, pai, fala logo, para de enrolar! A Sol salta atrás de mim, tomando a frente e indo dar um abraço na Bibi, que fica dura no lugar. - Bibi: Gregório? - Lua: E chamo pelo nome, deu r**m em grego. Oi, sou Lua. Meninas, por favor! Bibi, escuta: a mãe delas foi presa e elas me procuraram para ajudar. - Bibi: O golpe da barriga é? Não estão grandes demais para isso agora? Que palhaçada é essa? Grego, fala já gritando e eu tentando manter a calma. - Lua: É mesmo, foi uma palhaçada. Ironicamente, foi por um palhaço, mas não vem ao caso. Ele fez teste de DNA para comprovar que minha mãe não faz essas coisas para pegar macho desavisado! - Bibi: Ah, mas tá presa por boa pessoa, não é? O que será que a mãezinha fez para ir presa? - Sol: Bom, colega, até aqui chegamos. Para de falar da minha mãe, respeito no bagulho! - Bibi: Grego, essa mijada tá botando banca na minha casa, fala algo. Não deu nem tempo. - Lua: Nossa, querida, nossa! E se bobear, a gente tem mais direito. Tá no teu nome? Pela tua cara, nem no teu nome está. Jajaja, p**a e burra, só os teus silicones são teus, e olhe lá. - Chega, as três, tu e minha mulher, têm que respeitar elas, e vocês têm que respeitar também. Pronto, não vão ser amigas, só ter uma convivência pacífica. Bibi, eu vou morar com minhas filhas. Eu entendo teu lado, mas eu perdi 15 anos da vida delas. Não posso e nem quero me afastar delas. Tu pode morar na casa que tu quiser; o morro inteiro te espera. Mas saiba que, a partir do momento que tu sair, acabo tudo, porque quem não quer minhas filhas, também não me quer. Falo e me sento no sofá, chamo as meninas que vêm todas serelepes. Bibiane? Chamei ela, e ela me olhou com uma cara como pra me matar, mas foi sentar no outro sofá. O clima era pesado, nada agradável. - Sol: Pai, vamos na piscina amanhã? - Sabem nadar? - Sol: Não, mas tu tem que nos ensinar. - Lua: E andar de bicicleta também. Um sorriso transbordou meu rosto, e eu abracei elas. Notei a Bibi com cara de explodir a qualquer momento, mas, cara, minhas meninas só queriam andar de bicicleta comigo, nadar... coisas simples que eu perdi e eu ia fazer, mas em tom como nada e perfeito. - Bibi: Só pra saber mesmo, onde moravam? - Sol: Na rua! - Bibi: Ah, entendi. Tem alguma doença ou algo do tipo? Olho desacreditado, mas respiro fundo. Meninas, o quarto de vocês é o último à esquerda. Entrem e descansem, sim? Eu tenho que falar um pouco mais sério com a Bibi. - Sol: Tá bom, papis, sai sorrindo pra mim. - Lua: Tchau, Bibica, Deus te proteja! Respirei 1, 2, 3 vezes antes de falar:QUE DOENÇA O QUE MULHER DOENÇA BO EMFIAR NA TUA FUSA BIBIANE! ESCUTA UMA COISA! Falo já pegando ela pelo pescoço: eu escuto alguma asneira mais referente a minhas filhas ou à mãe delas, e tu vai ficar sem nada! - Bibi: Calma, me solta! Não falei por m*l. Agora elas estão cheias de "não me toques"? Não posso perguntar? Solto ela, que fica se recompondo e arrumando o cabelo, falando e fingindo estar calma, coisa que está falhando miseravelmente. - Na disciplina, tu pode falar com elas, sim, mas não fazendo perguntas invasivas. Se eu trouxe elas pra cá, eu sei de que buraco saíram. - Bibi: E tu sabe, já eu não sei, né? Grego? Ainda porque trouxeste pra cá, manda pra casa da tua mãe, ela vai amar. - Porque trouxe pra casa delas, Bibi? Porque será? Será porque a p***a do pai sou eu? E elas estão passando por um momento difícil, não faça perguntas que as respostas são óbvias. - Bibi: Óbvias pra você, pra mim não era. Só cada uma ficar no nosso canto. Eu nunca reclamo de nada, sempre e quando não respingue em mim, mas hoje me jogaste a água da praia inteira, né? - Tal vez está sendo hora de tu começares a te impor, Bibi, porque está ficando muito na cara que tu estás aqui pelo malote! Falo, indo pro meu quarto sem olhar pra trás, me deito na cama. A Bibi entra no quarto e começa a se arrumar. Faz esforço para fazer o máximo de barulho, mas eu estou tão cansado que capoto uns minutos depois. Acordo com barulho na casa, me levanto assustado, até tinha esquecido das meninas. Chego na cozinha, a Lua está fazendo ovo frito, a Sol cantando com uma colher na mão. Olho a cena e sorrio, demoro uns minutos para ser notado. - Lua: Vai querer ovo grego? - Eu: Vou querer, estou com muita fome. Me deu o cheiro, falo me sentando na mesinha que tem aqui. - Sol: A Bibi mandou avisar que ia no cabeleireiro e de compras para desestressar. Ela fala fazendo a mesma cara dela. Eu dou risada. Tá bom, filha. Comemos pão com ovo, falando besteiras de tudo e mais um pouco. Dei um cartão e ensinei como usar. Amanhã vou estar todo o dia na boca e elas vão ter que se virar. Amanhã só saio da boca depois de ter certeza que a luz recebeu meu recado lá dentro. Bom, é assim que usa, essa é a senha. Amanhã, quando acordarem, vão na padaria tomar café e comprem o que precisarem, não tem limite. - Lua: Tá bom, grego..
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