Lâmina e Traição

613 Words
descia, sua mente fervilhando com o impossível. Amo meu reino. Quero servi-lo. Mas a que custo para mim? Se eu me entregar a um casamento que não escolhi, terei entregado tudo — minha voz, minha liberdade, meu coração. Prefiro desafiar todos eles a renunciar àquilo que me faz ser quem eu sou. Ele se aproximou, com as mãos semicerradas, mas parou antes de tocá-la. "Princesa—" “Não!” ela sibilou, e por um instante o vento que entrava pela janela varreu o corredor, agitando seu véu. “Não aceitarei sermões, não aceitarei controle e não aceitarei silêncio! Eu… eu não posso—” Sua voz falhou, mas ela prosseguiu, com uma chama ardendo em seu peito. “Não posso deixar isso acontecer sem tentar resistir! Se eu me entregar a um casamento que não escolhi, tudo o que sou — tudo o que me importa — desaparecerá!” Os olhos escuros de Azriel suavizaram-se ligeiramente, embora ele não tenha dito nada. O corredor parecia incrivelmente pequeno, mas o espaço entre eles parecia carregado, tenso com uma tensão silenciosa. “Eu entendo o seu papel”, disse ela, com a voz embargada, mas firme. “Sei que seu dever não é para comigo, mas para com a coroa. E quando eu me casar, você não me seguirá. Mas não pense por um instante que isso muda o que eu sinto! Sou responsável pelo meu povo, pelo meu reino, por Velaris — mas e a minha própria vida? E o meu próprio coração?” Azriel sentiu uma leve falha na respiração, mas disfarçou imediatamente com uma postura rígida e calculada. "Princesa, você—" "Eu disse para não fazer isso!" ela gritou, as palavras ecoando pelas paredes de pedra. Lágrimas brilhavam em suas bochechas, mas seus olhos ardiam em desafio. "Não. Me. Sigam!" As palavras ecoaram, cada sílaba cortante como aço. Evelyne girou em direção à porta do quarto, abrindo-a com um puxão e fechando-a com tanta força que as dobradiças tremeram e o som reverberou pelo corredor. Seu coração batia forte em seus ouvidos. Azriel estava paralisado logo além da soleira, a mão meio erguida, o maxilar cerrado, cada músculo tenso, como se o eco do grito dela o tivesse atingido fisicamente. Por um breve instante, o corredor silenciou. O vento sacudia as janelas e a geada agarrava-se às paredes como o peso do mundo a oprimir. Evelyne pressionou as mãos contra a porta, ofegante, tentando acalmar a tempestade dentro de si. Em algum lugar além da pedra fria, Velaris seguia seu caminho, alheio ao caos particular que irrompera entre uma princesa e seu protetor sombrio. Azriel recuou um único passo, sua presença subitamente contida. Ele não podia arriscar outro momento como aquele — ainda não. O dever, a honra e o frágil equilíbrio da corte o oprimiam. E, no entanto, mesmo no silêncio gélido, seus olhos escuros permaneceram fixos na porta, nela, no fogo e na fúria que acabavam de ser desencadeados. Ela havia falado. Ela havia gritado. Ela havia batido a porta. E, por ora, isso tinha que ser o suficiente. Os corredores de Velaris estavam estranhamente silenciosos naquela noite, a luz das tochas tremeluzindo contra as paredes de pedra fria como se o próprio castelo estivesse prendendo a respiração. Evelyne se movia com rapidez, mas cautela, as botas m*l fazendo barulho no chão congelado. Seu coração palpitava com a lembrança do caos do dia anterior, das cartas que rasgara em frustração, da ameaça iminente de um casamento do qual não podia nem recusar nem escapar. Ela precisava de um momento, uma chance de respirar, de caminhar sem paredes a oprimindo. E sabia exatamente para onde tinha que ir.
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