O silêncio daquela noite parecia mais pesado do que de costume. O morro, que tantas vezes ecoava tiros, música alta ou gritos, estava estranho... quieto demais. Eu sentia um arrepio subir pela espinha enquanto encarava a escuridão pela janela do meu quarto. O vento frio fazia a cortina balançar devagar, e o coração apertava dentro do peito. Sabia que alguma coisa estava para acontecer. Sempre dava pra sentir. A porta bateu de repente e quase pulei de susto. Era ele. Kauan. O dono do morro, e o dono das minhas noites sem sono. Seu olhar era duro, mas escondia um cansaço que ele não deixava ninguém mais ver. — Lorena... — a voz dele saiu baixa, carregada de tensão. — Precisamos conversar. Virei para encará-lo, tentando não demonstrar medo, embora meu coração já estivesse acelerado. — Ac

