Eu dormi no filme… Não esperava por isso, o filme, no fim das contas, foi bem decepcionante. Lembro do “Doutor Estranho” com r**o de cavalo, tem uma garota com estrela numa jaqueta jeans, um casamento, do monstro com CGI muito bizarro — bizarro de r**m — e tem a “Feiticeira Escarlate” querendo seus filhos imaginários de volta.
Nilo achou divertido, tinha uma expressão satisfeita no rosto no fim do filme, Rone ficou maluco com a cena pós-crédito, o qual foi o momento que me acordou, Bruno adorou, pois aparece o Bruce Campbell e tem direção do Sam Raimi, que fez “A morte do demônio” e os filmes antigos do “Homem Aranha”, Brenda adorou o cabelo da Rachel McAdams, mas achou todo o filme desnecessário.
— Tudo teria sido resolvido se a Maga lá tivesse feito terapia. — Brenda falou quando saímos da sala.
Falou a que mais precisa de terapia…
— Feiticeira. — Eu e Bruno corrigimos ao mesmo tempo.
— Tanto faz! — Ela revirou os olhos, pega seu celular e nos ignora.
— Se ela tivesse feito terapia, o filme teria tido uns dez minutos. — Nilo comenta, me fazendo rir.
— Aí não teria tido filme nenhum… — Rone murmurou m*l-humorado.
— p**a m***a! — Brenda grita, chamando a atenção de todos, seus olhos arregalados contra o celular. — Caio tá na minha tia!
Bruno franziu o cenho.
— Como ele soube que você estava lá? — Ele perguntou.
— Pelo visto o bocó do Mateus contou pra ele, que i****a! — Brenda leva a mão ao rosto. — Eu disse pra ele não contar, mas ele me ouviu? Não, claro que não me ouviu, ninguém nunca me escuta… — Ela se afasta de nós.
— Espera! — Bruno corre atrás dela.
— O que acabou de acontecer? — Rone pergunta, perplexo.
— Drama de ensino médio. — Respondo, fazendo Nilo rir.
Graças a Deus, essa fase da minha vida acabou…
Gael imediatamente veio a minha mente, com a mão no bolso senti o isqueiro contra minha palma, parecia mais gelado que o normal. Aquele isqueiro não era apenas um mero presente de alguém que amei e me deixou, era também um lembrete constante de que o amor não é para todo mundo.
Não estou dizendo que o amor não existe, apenas aceitei que o amor é algo muito doloroso, que fui feito para lidar com alguns tipos de dores: física, psicológica… Mas emocional não.
Sou fraco demais para esse tipo de dor…
— Esperamos eles? — Rone pergunta, me tirando dos meus devaneios.
Pego meu celular e mando mensagem para o Bruno.
Eu: Vcs vão voltar?
Esperei alguns minutos e ele logo respondeu.
Hobbit: Não… Desculpa sair assim do nada.
Eu: Tranquilo, na próxima saímos sem a Dementadora.
Hobbit: kkkk feito!
Percebo que Nilo está olhando por cima do meu ombro, me viro para ele e ergo uma sobrancelha.
— Tudo bom?
Ele está sério, parece irritado.
— Sim. — Murmura.
O que deu nele?
— E agora? — Rone pergunta.
— Vamos pra casa. — Respondo, simples.
— Beleza. — Rone diz e olha para um canto. — Preciso ir ao banheiro.
— Vou com você. — Me viro para Nilo. — E você?
— Espero vocês. — Diz, pegando o celular.
Depois de usar o mictório, lavo as mãos e noto no reflexo do espelho Rone me olhando nervoso. Ele abre a boca, mas logo fecha, abre de novo e fecha outra vez.
— Fala logo. — Peço, impaciente.
— Ok, eu… Queria saber… Você não precisa responder agora se não quiser… — Ele leva a mão a nuca, seu rosto está vermelho. — Mas… Vocêquersaircomigo? — Pergunta tão rápido que quase não entendo o que diz.
— Tipo um encontro? — Me viro para ele.
— Sim… — Murmurou sem jeito.
Olho para ele com atenção, Rone definitivamente não faz meu tipo. Ele é meio tímido, algo que geralmente me atrai, mas é do tipo inseguro demais, tenho inseguranças, só que não faço delas parte da minha personalidade… Eu acho. Sem falar que o vejo diariamente no trabalho, não sinto absolutamente nada por ele, aliás, a gente nem conversa direito…
Sou incapaz de imaginar ir até o fim num encontro com ele, mas consigo me ver fingindo que recebi uma mensagem e sair correndo.
Suspiro.
— Não. — Respondo, simples e direto.
Rone fica em silêncio por alguns segundos.
— Por quê?
— Não estou interessado em você. — Mais direto que isso impossível.
Uma risada estranha foge da garganta dele, me deixando um pouco assustado.
— Você… Não tá a fim dele, né? — Ele pergunta com um tom totalmente diferente de antes.
Desdém.
— Não é da sua conta… — Respondo imediatamente, percebi tarde demais que não perguntei de quem estava falando, mas sabia que era do Nilo.
— Pelo amor de Deus, Cláudio! Nem precisei falar o nome dele! Você sabe quem ele é! — Sua reação revoltada me surpreende. — Cê tá sendo usado! É o que ele faz! Usa as pessoas e depois as descarta! Eu jamais farei isso com você, gosto de você, ai você vai e se apaixona por um b****a?! Só porque ele é bonito?!
Seu rosto está vermelho, com uma expressão raivosa, o Rone gentil, prestativo, super educado foi com Deus, na minha frente vi uma versão do Rone saído direto do inferno, que não conhecia e não queria conhecer.
— Você sabe que ele não presta, ele vai pisar em você! — Rone continua, sua voz soa desesperada. — Ele não tá nem aí pra você, ele quer é saber da Vanessa, tá te usando pra se aproximar dela! Ele jamais ficaria com você…
— Rone. — Minha voz está firme. — Se você falar mais alguma coisa, eu vou embora. — Ele para de falar. — Você não sabe nada dele, nem o conhece, fica falando dele pelas costas, mas você só tá repetindo o que os outros dizem por aí.
— E você o conhece? — Pergunta, desafiando.
Fico em silêncio por um momento, penso nas últimas semanas, como Nilo foi totalmente diferente dos boatos que ouvi, diria que tivemos bons momentos. No começo considerei a possibilidade dele estar me zoando, ou me usando para se aproximar da Vane, mas não fazia sentido, ele nunca fez nada para me humilhar, já era próximo da Vanessa antes de se aproximar de mim e nunca nem tocou no nome dela nas vezes que conversou comigo.
— Não tanto quanto gostaria, mas conheço melhor do que você. — Respondo por fim, presenciando a mudança de expressão do Rone de desafio para incredulidade. — Não vou negar que acreditei no que diziam, que achava o mesmo que você, mas eu estava errado, do mesmo jeito que estava errado sobre você. — Rone engole em seco contra minhas palavras. — E diferente de você, nunca falei dele pelas costas do mesmo jeito que você tá fazendo agora, na verdade, as pessoas falam demais dos outros, foi um grande erro da minha parte achar que ele era como falavam.
Rone ficou em silêncio, comprimiu os lábios e bufou de raiva.
— E o que mudou? — Pergunta indignado. — O que ele fez para você mudar sua opinião?
Nilo nunca me destratou, mesmo o tratando m*l, nem agiu como se fosse superior; comprou uma fatia de torta de limão, se preocupou comigo, correu atrás de mim com meus chinelos nas mãos, fez carinho no meu gato, me fez um jantar porque não comi nada a tarde toda, assistiu filme comigo, me cobriu quando adormeci no sofá…
— Fez muito mais do que eu esperava. — Respondo. — Ele… É muito mais do que dizem.
Rone me olha incrédulo, dá uma risada birrenta, parecia uma criança que ouviu um “não” pela primeira vez na vida.
— Que piada, você tá cego por um cara m***a que você nem tem chance, esperava mais de você… — Desdenha.
— Bom, eu nunca esperei nada de você. — Digo, o fazendo estremecer. — E tenho mais chance com ele do que você tem comigo.
Rone arregala os olhos para mim, comprime os lábios e por fim diz sua frase de efeito.
— Quando ele te descartar, pisar em você, não venha atrás de mim e não diga que eu não avisei…
— p***a! Não sabia que era vidente! — Falo o interrompendo, cruzando os braços. — Cobra quanto por sessão?
O gordinho revira os olhos e se afasta.
— Você não é tudo isso! E nem é tão engraçado assim… — Rone grita antes de sair do banheiro.
Respirei fundo, passei as mãos pelo rosto, joguei a cabeça para trás e suspirei.
Não quero nem pensar como vai ser no trabalho.
Pelo visto voltarei a esfregar o chão…
Saí do banheiro, me deparei com o Nilo do lado da entrada, sua expressão demonstrava que ouviu cada palavra.
— Obrigado, Gris. — Nilo murmura, com um sorriso de canto.
— Não foi nada… — Respondo, seguindo pelo corredor do shopping.
Nilo se aproximou do meu lado, colocou o braço sobre meus ombros e fomos andando desse jeito pelo shopping. Gostei do seu toque, a sensação de desconforto, que sentia pela sua proximidade até algumas semanas atrás, parecia distante e sem sentido.
— Foi sim. — Diz, sem olhar para mim. — Muito mais que muita gente já fez por mim…
Me sinto um i****a por ter tentado evitar ele por tanto tempo…
— Nilo? — Ouvi uma voz atrás de mim, me virei e o antigo grupo de amigos da Vane nos olhava… Quer dizer, olhava o Nilo. — Maluco, que cabelo f**a!
Nilo olha para ele com uma expressão entediada, não faz menção de tirar o braço dos meus ombros, na verdade, sinto sua mão segurar firme meu ombro quando tento me afastar, me mantendo ali.
— Valeu, Ricardo. — Responde, sem muita vontade.
Ricardo tem um cabelo loiro liso, penteado num topete, olhos castanhos e a pele branca levemente bronzeada. Ele é o típico hétero top, suas roupas gritam “brotheragem”, não muito destoante do outro cara no grupo. Jackeline está ali, me olha com raiva, suas amigas também me lançam olhares raivosos, uma delas vem até Nilo e agarra seu braço.
— Poxa, Nilo, a gente não se vê a um tempão… — Sua voz é doce e suas roupas de princesa, no seu corpo magro, parecem penduradas num cabide humano. — Por onde você andou?
— Ocupado. — Responde, seco, puxando o braço. — Marta, cê tá meio… Estranha, qual foi a última vez que comeu?
Marta parece constrangida com a pergunta.
— Ora, Nilo, tá preocupado comigo? — Marta pergunta, com um sorriso que tentava muito ser encantador.
— Na real… Tu parece doente.
O grupo ri do comentário do Nilo.
— Nossa, Nilo, que c***l… — Diz uma menina do lado de j**k.
— Laís, você já disse coisa bem pior pelas costas dela. — Nilo responde, não parecendo se importar em deixar o clima desconfortável. Um silêncio estranho sobe pelo ar, noto que eles se entreolham, mas não parecem irritados, parecem mais envergonhados, principalmente a garota chamada Laís, que brinca com o cabelo nervosamente.
Fico feliz de não ser a causa dessa vez, pra variar.
Laís tem um cabelo e olhos castanhos, pele morena e lábios grossos, usa uma maquiagem tão forte quanto Jackeline.
— O que tá fazendo com ele? — Jackeline pergunta de repente com nojo.
Seu grupo de amigos parece finalmente notar minha existência, seus olhares agradáveis se tornam duros.
Ótimo, nem fiz nada e todo mundo já me odeia…
O único que não me olha com seu eu fosse algo desagradável é o cara do lado do Ricardo, que por sinal é muito bonito.
— Ah! Você é o ex da Vane! — Diz o cara do lado do Ricardo.
— Tenho nome, sabia? — Respondo secamente, o fazendo arregalar os olhos. — Cláudio.
Ele dá um sorriso sem jeito.
— Foi m*l, Cláudio, claro… — Ele diz, tentando disfarçar seu constrangimento.
Jackeline revira os olhos.
— Ah! Quem se importa? — Reclama. — Nilo! Pelo amor de Deus, o que você tá fazendo com esse cara?
— É cega? — Nilo responde irritado. — Tamo passeando.
— Juntos? — Marta pergunta incrédula.
— Obviamente. — Nilo diz.
Outro estranho silêncio domina o ambiente.
— Por quê? — Marta pergunta com um sorriso torto.
Nilo dá um suspiro irritado e estala a língua dentro da boca.
— Por que não? — Nilo responde dando de ombros.
Jack tem uma expressão incrédula, como se a resposta fosse óbvia.
— Ora! Esse cara jogou café em mim! — j**k diz revoltada.
— Merecido. — Falo, fazendo Nilo rir… O cara do lado do Ricardo parece segurar uma risada, mas sem sucesso.
Ricardo olha para ele irritado, Laís cruza os braços indignada, Marta se afasta e volta para perto de j**k.
— Cala a boca! Ninguém tá falando com você! — Jackeline diz com desdém. — Seu m***a! Quem você pensa que é? Você acha que é alguma coisa por ter namorado a p**a da Vane? — Apenas as amigas dela riem atrás dela, os dois rapazes ficam em silêncio. — Você não é ninguém!
Seu grupo olha para mim, esperando minha reação.
— Isso é uma dupla negativa. — Comento calmamente, a deixando desconcertada com minha reação.
Novamente, Nilo e o tal cara do lado do Ricardo acham graça da minha reação.
— Quê? — Jackeline pergunta, sem entender.
— “Não é ninguém” é uma dupla negativa, não tá errado mas se quer causar mais impacto seria melhor dizer “você é um ninguém”. — Explico, com escárnio na voz. — Além de trair o namorado, é burra?
Jackeline arregala os olhos, seus amigos olham para ela de queixo caído.
— Você traiu o Pablo? — Ricardo pergunta para ela irritado.
Opa.
— Não! Você vai acreditar nesse…
— Traiu com o Nando. — Nilo diz, fazendo todos virarem para ele. — ele pode comprovar.
Ricardo e o cara do lado dele se entreolham, olham para j**k com desaprovação e se afastam sem falar nada.
— Peraí! Ricardo! Felipe! — j**k bate o pé no chão. — m***a! Dá pra acreditar nesse… — Ela percebe que suas amigas também a olham com desaprovação.
— Nossa, j**k, que s*******m com o Pablo… — Marta balança a cabeça em desaprovação.
— No fim, você era a p**a… — Laís diz com nojo.
— Meninas, qual é? — j**k diz, mas elas se afastam sem lhe dar atenção. — Meninas!
Jack acaba sozinha, ela se vira para nós e nos lança um olhar raivoso.
— Seus filhos da p**a! — A voz dela é de ódio puro. — Qual é o problema de vocês?
Pisco com incredulidade, ela vai mesmo pôr a culpa na gente?
— Nosso problema? — Nilo pergunta, com uma sobrancelha erguida, um sorriso brincando nos lábios.
— Olha só, quem diria? — Meu sarcasmo pingava dos lábios. — Ela tá sofrendo as consequências das próprias ações e põe a culpa em nós! — Olho para o Nilo e balanço a cabeça. — Acredita nisso?
— Vindo dela? Acredito! — Nilo responde com um sorriso debochado.
— Vocês estragaram tudo! — j**k grita e vai embora.
Nos entreolhamos, damos de ombro e seguimos nosso caminho para a saída.
*
Paro em frente ao meu apartamento, me viro para Nilo e sorrio.
— Foi divertido… Bom… Pelo menos algumas partes… — Digo sem jeito.
— Me diverti em boas partes. — Ele responde, para e franze o cenho. — Isso não saiu muito bem…
Começo a rir da cara nervosa dele, seus olhos me observam intensamente, me deixando nervoso, abro a porta e me volto novamente para ele.
— Bom… — Falei engolindo em seco. — A gente se vê…
— Sim… Até amanhã, Gris.
Dou um leve aceno com a cabeça, começo a fechar a porta, mas paro antes de fechar completamente. Sinto que tem algo inacabado, minha mão na maçaneta começa suar, respiro fundo e abro a porta com tudo. Nilo continua ali, me olhando com curiosidade.
— Você… Quer entrar? — Pergunto, a voz tremida.
Os olhos do Nilo parecem brilhar com meu pedido, um sorriso suave surge no seu rosto, ele recolhe os lábios, passa a mão na nuca e finalmente responde.
— Claro.
Dou espaço para ele entrar, o vejo tirar as botas e deixar na porta. Nilo passa por mim, fecho a porta e respiro fundo, logo escuto o miado de Gezora vir nos cumprimentar.
— Ei… — Nilo diz se abaixando e fazendo carinho atrás de suas orelhas.
Sorrio ao ver meu gato à vontade com ele, tiro o tênis, vou até o sofá, me aconchego nele, fecho os olhos e dou um suspiro de alívio.
Esperei o dia todo por isso.
— Finalmente… — Murmuro e ouço a risada do Nilo.
Ele vem até o sofá e se senta do meu lado, Gezora vem, se acomoda entre nós e fecha os olhinhos amarelos.
Ficamos em silêncio por um tempo, organizo as coisas que quero dizer, respiro fundo e finalmente falo.
— Me desculpa.
— Pelo quê? — Pergunta, sem entender.
— Eu… Eu não fui muito legal com você depois… Daquela noite. — Me sinto inseguro em tocar nesse assunto. — Fiquei com medo de me aproximar… Pelas coisas que dizem sobre você.
— Tá de boa Gris. — Nilo dá de ombro. — Acho que você é a primeira pessoa que tive que me esforçar para… Ter por perto.
Comecei a rir.
— Ah, sou um desafio?
— Com certeza! — Sua risada me faz sentir quente por dentro. — O melhor que já tive.
Levo a mão ao rosto, segurando uma risada, sinto meu rosto esquentar mas logo passa a sensação.
— Enfim. — Continuo, desvio o olhar e passo a mão pela minha nuca. — Estava errado sobre você e obrigado… Pelas coisas… Que você fez por mim.
— Obrigado por ter me defendido.
— Bom, saiba que cada palavra foi verdade.
Silêncio novamente, sinto o ar da sala ficar sobrecarregado, levo os meus olhos para ele, que já me olhava, parecia tenso e pensativo.
— O que eu sou pra você? — Pergunta, de repente.
Ergo as sobrancelhas, comprimo os lábios e penso por um momento.
Recentemente comecei a gostar da sua presença, tem um jeito divertido, agradável, tem consideração, se preocupa comigo, gosta do meu gato e o mais importante ele é muito…
Gentil.
Me senti inquieto com essa palavra, não era algo que estava acostumado com alguém que m*l conhecia…
Geralmente quem é gentil comigo é…
— Meu amigo. — Murmuro e percebo que disse isso em voz alta.
Mas não parece a resposta certa, ele é bem mais gentil que qualquer amigo meu já foi comigo.
Nilo semicerrou os olhos, desvia o olhar, solta uma risada pelo nariz, estala a língua e dá de ombros, sua reação me deixa nervoso.
Ele tá bravo comigo?
— Tá bom. — Diz por fim, sorrindo e pegando o controle. — Tem pipoca?
— Tem. — Me levanto, sentindo alívio pelo sorriso dele, e vou até a dispensa. — Manteiga ou salgada?
— Manteiga. — Ele responde olhando para a T.V., depois vira para mim. — Deixei a vitamina que fiz hoje na geladeira, bate ela de novo e põe pra mim?
— Ok.
Coloco a pipoca no microondas, abro a geladeira e pego a vitamina, tinha bastante ainda.
— Nossa, Nilo, por que cê fez esse tanto? — Pergunto, coloco o liquidificador na base.
— Eu fiz pra nós dois tomarmos de manhã… — Responde, sem jeito.
Ah…
— Desculpa.
— Você pede desculpas demais. — Nilo comenta.
Costume.
Paro para observar Nilo, vejo Gezora no seu colo, ele está fazendo carinho no seu pelo, um sorriso doce se desenha na sua boca, seu cabelo vermelho realça o tom da pele bronzeada, o vejo se acomodar no sofá devagar, não deixando Gezora sair do seu colo, meu coração bate tão rápido ao ver essa cena.
Que sensação boa…
Me pego sorrindo para ele, desvio o olhar e levo a mão ao rosto.
Não… Não quero estragar isso.
Eu já cometi esse erro antes, prometi não cometer de novo… Mesmo já quebrando a promessa.