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Rosa do Deserto

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Em uma terra onde senhores feéricos teciam os fios do destino, Genevieve O´Haara era uma ninfa da natureza, singular e audaz. Embora sua essência fosse comum nas cortes feéricas, ela brilhava como uma estrela perdida na escuridão.

Após a partida de sua meia-irmã Samantha para o castelo de Elion Pelaios, Senhor Feérico das Terras da Neblina, Genevieve se uniu à ela. Seu destino entrelaçado com o cuidado dos jardins do misterioso senhor feérico. No castelo, entre as sombras e segredos ,Genevieve cruzou caminho com Kairon Melech, conhecido como o temível "Demônio Ruivo". Um ser de mistérios profundos e fria melancolia. Contudo, em seu âmago, Genevieve percebeu um lampejo de bondade, um sussurro suave que ecoava nos corredores do destino.

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Capítulo I
"No tempo antigo, quando o mundo ainda era jovem e as terras ainda guardavam mistérios incontáveis, um vasto reino se estendia sob os céus azulados. Era um reino onde seres fantásticos dançavam sobre a terra como sombras em um sonho. Ninfas graciosas, elfos etéreos, faes encantadores, lupinos majestosos e demônios enigmáticos—todos coexistiam em harmonia, tecendo suas histórias entrelaçadas na tapeçaria do tempo. No centro desse magnífico domínio, reinava o Senhor Feérico, um monarca de autoridade absoluta, cuja presença era ao mesmo tempo temida e reverenciada. Como um solitário pináculo de poder, ele era o senhor de toda a terra, impiedoso e implacável, governando com mãos firmes e olhar distante. No entanto, à medida que os dias passaram e seu crepúsculo se aproximava, algo profundo e inesperado despertou em seu coração. Foi um lampejo de sabedoria tardia, uma decisão que ecoaria através das eras. Em seu último ato de grandeza, o Senhor Feérico chamou seus sete filhos, os herdeiros de seu vasto legado. Seus olhos, uma vez duros como o granito, suavizaram ao contemplar aqueles que levariam adiante sua linhagem. Com um gesto grandioso, ele dividiu suas terras entre eles, entregando a cada um pedaço do mundo que tanto amou e controlou. Assim, os sete filhos feéricos receberam suas porções da terra, cada um destinado a moldar seu próprio reino, a tecer seus próprios contos sob a luz das estrelas eternas. E assim, o mundo mudou, não mais uma única extensão de poder, mas um mosaico de reinos, onde cada filho esculpia seu destino e escrevia novas histórias na canção incessante do universo. E assim foi que a história dos Sete Reinos nasceu, um conto de magia e mudança, onde as vozes dos antigos ainda sussurram através das folhas ao vento e a dança dos seres encantados continua a enfeitar o solo sagrado das terras feéricas. Sob a luz da lua e o brilho das estrelas, o legado do Senhor Feérico vive, um poema eterno, cantado pelo próprio coração da terra." Memórias delicadas, como folhas ao vento, bailavam na mente de Genevieve, lembrando-se de Elvie, sua mãe adotiva, que lhe narrava os contos dos sete reinos sob a luz suave da lua, embalando o seu sono com sua irmã Samantha. Quem poderia imaginar que a garota de pele rosada, aquela de espírito indomável, seria um dia a Senhora feérica das Terras da Neblina? Já se decorreram nove meses desde que Samantha foi escolhida como esposa do Senhor da Terra da Neblina, Elion Pelaios, um homem envolto em mistérios e lendas, a sua reputação desvanecendo-se como névoa ao amanhecer. Quanto à idade dos feéricos, permanecia um enigma, perdido entre os tempos, seja um século ou um milénio. Samantha, como Genevieve, era uma ninfa, mas uma ninfa de fogo, distinta dos feéricos na sua essência. As ninfas, em vez de poderes grandiosos como voar ou força sobre-humana, possuíam dons entrelaçados aos elementos: fogo, ar, água e terra. As ninfas da natureza, como Genevieve, eram artesãs da vida, guardiãs silenciosas dos jardins dos senhores. Às vezes, os pensamentos de Genevieve flutuavam como nuvens ao vento, mas suas mãos permaneciam diligentes, revolvendo a terra sob o seu toque. Ajoelhada no jardim, atendia ao pedido do senhor feérico para devolver a vida a um solo outrora estéril. Como uma ninfa da natureza, tinha o dom de instigar o crescimento das plantas com graça e rapidez, mas transformar uma terra morta em solo fértil era um desafio que exigia toda a profundidade da sua habilidade e paciência. A suavidade de uma voz, como um sussurro de vento, desceu sobre Genevieve, interrompendo a sua concentração: — Você parece cansada, minha querida. Erguendo o olhar, ela encontrou a figura de Samantha, uma visão de graça e beleza nos seus vestidos verdes que ondulavam como folhas ao sol. — Samantha! Você está deslumbrante nesta manhã! Algo aconteceu? — Eu estou sempre deslumbrante — ela riu da sua própria fala. Genevieve ergueu-se, um sorriso iluminando o seu rosto enquanto sacudia suavemente o vestido para remover os vestígios de terra que se agarravam ao tecido. O tempo passado agachada no solo frequentemente a cobria com a poeira da própria terra que cuidava. Enquanto isso, Samantha passeava entre as flores e os canteiros, os seus olhos brilhando com admiração diante do esplendor natural que a cercava. Elion não era um homem preocupado com a estética das suas terras. No entanto, cedeu ao desejo de Samantha de ter alguém que cuidasse do jardim, concedendo-lhe a presença de Genevieve. Samantha, sozinha num novo e vasto mundo como as Terras da Neblina, encontrava conforto em ter ao seu lado a amiga cuja aptidão com a natureza era inigualável. Com plena confiança, sabia que Genevieve era a melhor floricultora e agricultora de todos os domínios feéricos, um talento que poucos podiam contestar. — A cada dia que passa, este lugar se torna mais belo, Genevieve. Ela se recordava da visão desolada que os jardins apresentavam outrora. Era deplorável, uma terra sem vida, de um tom quase n***o. Nunca teria imaginado que algo pudesse brotar naquele solo estéril. Genevieve trouxe cor e vida. Foi graças a ela que o verde voltou a florescer. A loira restaurou a vivacidade e a alegria ao ambiente. Tulipas em tons de rosa e branco pontuavam o jardim, contrastando com o intenso verde da grama. Genevieve sorriu e acenou com a cabeça em agradecimento. — Pretendo plantar mais algumas árvores. Uma maior ali — ela indicou um canto isolado e vazio —, talvez até pudéssemos colocar um balanço, como aqueles que tínhamos quando éramos crianças. Samantha sorriu, tomada pela nostalgia. — Na minha infância, eu ainda não havia celebrado a união com um Senhor Feérico. A loira, imersa em devaneios sobre o vasto espaço diante de si, deixava a sua imaginação vagar livremente. No entanto, o seu olhar voltou-se para a rosada ao seu lado, que, de repente, exibia uma expressão de melancolia. — Você está desanimada? A rosada respondeu com uma careta de inquietação. Uma criada aproximou-se, oferecendo sucos gelados e biscoitos frescos. Ambas aceitaram apenas o suco, agradecendo com um gesto cortês. A criada, identificada por Genevieve como Naive, retirou-se em seguida. — Não estou triste, apenas um pouco nervosa. Genevieve levou o copo aos lábios e saboreou o suco gelado, que a refrescou com o seu sabor delicado. O suco de goiaba, seu predileto, despertava uma sensação de prazer sutil. Com um olhar atento, Genevieve guiou Samantha para um dos bancos ao lado do chafariz, franzindo as sobrancelhas num gesto de cuidado. — Explique-me, querida. Samantha respirou fundo, falando com urgência, temendo a reação da amiga. — Elion planeja organizar, ainda esta semana, um baile para a corte, convocando todos os senhores Feérico. Isso significa que irei conhecê-los todos de uma vez só. — A loira quase se engasgou com a notícia, que lhe parecia completamente absurda. — Todos? De uma só vez? Há quanto tempo não ocorre um baile com todos os presentes? — perguntou, visivelmente perplexa. — Não todos, mas os confirmados até agora são Ren das Terras da Solares, Cerise das Terras Lunares e Kairon das Terras do Deserto. A loira arregalou os olhos e estremeceu levemente. Todos conheciam o temido Demônio Ruivo. Sempre se considerou afortunada por nunca ter tido a chance de cruzar com ele. E, se algum dia o encontrasse, certamente não consideraria isso uma sorte. — Kairon, o Demônio Ruivo? Kairon Melech era o único senhor Feérico mestiço, uma enigmática fusão de fae e demônio que permeava a consciência da corte com sua aura de mistério. A sua presença em eventos sociais era um raro fenômeno, pois ele evitava com afinco as interações sociais, preferindo a penumbra dos domínios subterrâneos. Sussurros nas sombras sugeriam que ele se frequentava o submundo. — Ele... ele — Genevieve olhou ao redor, certificando-se de que ninguém a observava, e sussurrou com um tom conspiratório: — Ele é um demônio, Samantha. — A voz dela era um murmurinho, como se revelasse um segredo íntimo. — Ele é um aliado, Genevieve — respondeu Samantha, com um tom que não parecia de desacordo, mas que lhe dava calafrios só de pensar num encontro pessoal. — Contudo, ele é um soberano e aliado do meu marido. Como todos na corte das Terras Feéricas, a loira conhecia muitas histórias aterrorizantes sobre o demônio ruivo. A rosada olhou para ela com um olhar que parecia compreender os seus pensamentos. — Não seja ingênua, Genevieve. São apenas histórias. Você, mais do que ninguém, sabe que as palavras das pessoas podem ser desmedidas. Não podemos julgar alguém que ainda não conhecemos. Afinal, essas histórias podem não ser mais do que simples boatos! — Samantha... — disse Genevieve com um tom que carregava uma advertência patente — Todos sabem que fofocas são histórias distorcidas, mas sempre com um fundo de verdade. Não podemos simplesmente confraternizar com demônios! — Você é impossível, Genevieve. A rosada riu, balançando a cabeça com um sorriso de desdém. A loira, por sua vez, retribuiu o sorriso, embora ainda carregasse uma tensão visível, preocupada com a ideia de dividir o mesmo espaço que um demônio. — Ele não é totalmente um demônio, como você bem sabe. Na verdade, ele é um mestiço, assim como você. — Samantha disse com um tom que soava quase acusatório. — Não me compare com ele — Samantha respondeu, ofendida pela comparação — Eu conheço as minhas origens: sou, por parte de mãe, uma ninfa da natureza, e por parte de pai, a minha origem ainda é um mistério. Contudo, posso afirmar com plena convicção que jamais usaria as minhas habilidades para dominar as Terras Feéricas com bombas de flores. Não sou maligna o suficiente para tal. — Genevieve debochou sem remorso, sabendo que ter Samantha como amiga era uma sorte rara; com certeza, seria condenada se falasse assim com a esposa de um Senhor Feérico. Samantha inclinou a cabeça para trás e riu. — Kairon é tanto fae quanto demônio. Ele possui habilidades de compulsão. Diga-me, qual ser celestial possui o poder de fazer uma pessoa agir conforme a sua vontade? — Pobre alma infeliz que será Kairon... Ele pode até ser um mestiço temido, mas confesso que tenho mais medo de você do que dele. Genevieve sorriu e piscou lentamente, adotando um ar inofensivo. — Como você pode ter medo de mim? Sou encantadora. A mãe de Samantha, Elvie, uma ninfa de fogo e amiga da mãe de Genevieve, cuidou de Genevieve com o mesmo amor e dedicação com que criou a sua própria filha, após a mãe de Genevieve ter falecido pouco depois do parto. — Você é fabulosa, querida — Samantha respondeu com carinho, apreciando as conversas com Genevieve que lhe recordavam os dias antigos e aliviavam o peso sobre seus ombros. Levantando-se, Samantha dirigiu-se de volta ao castelo. — Em poucas horas, o sol se porá... Não fique cuidando das flores até tarde. Por mais que você queira, não pode se tornar uma freira e esconder-se do mundo. Genevieve revirou os olhos para o comentário, mas assentiu e voltou ao seu trabalho. Elion havia solicitado que ela restaurasse o solo para o cultivo de uma planta extremamente venenosa e medicinal, dependendo da dosagem. Desde que começara a sua estadia no castelo, Elion notara a habilidade peculiar de Genevieve em manipular substâncias biológicas e químicas, uma habilidade incomum para uma ninfa. Ninfas, como os fae, são imortais. No entanto, a imortalidade tem o seu custo. Para as ninfas, esse custo é o envelhecimento até alcançar o ápice da beleza. A beleza delas era usada para atrair senhores, sendo mais frequentemente amantes e distribuidoras de prazer, mas raramente esposas de Senhores Feéricos, com exceção de Samantha.

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