56. Ayla

998 Words

Eu desci da casa do Victor com uma sensação estranha no peito: como se eu tivesse acabado de atravessar uma linha invisível. Não era só o "namorada" dito em voz alta. Era a naturalidade com que aquilo aconteceu. A forma como a mãe dele me olhou sem me medir como mercadoria. Como se eu fosse... uma pessoa. Simples assim. No caminho até a pensão, eu tentava colocar a cabeça no lugar. O morro tava vivo, quente, barulhento, e eu caminhava com a bolsa no ombro e aquela frase martelando: "descansar sem culpa". Parecia uma instrução em língua estrangeira. Quando cheguei, Dona Tereza tava na cozinha, obviamente. Porque ela sempre estava, como se aquela casa funcionasse ao redor da presença dela. Ela me olhou por cima dos óculos e fez a leitura completa em um segundo. — Ué. Voltou? — o tom tinh

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