Eu saí do prédio do escritório com a mesma cara de sempre, a mesma postura impecável, o mesmo casaco caindo certo... mas por dentro eu parecia outra pessoa. Como se eu tivesse atravessado um ponto sem volta. A minha assistente já tinha chamado o carro. Ela não falava muito quando a coisa era séria. Só olhava pra frente, firme, como se tivesse decidido que, a partir dali, ela ia ser minha linha de vida. Eu me encolhi no banco de trás, puxei o capuz do casaco um pouco mais, e só então me permiti sentir o que eu estava fazendo: eu estava fugindo da minha mãe dentro da cidade que ela usa como trono. O hotel era pequeno e discreto, num prédio que não chamava atenção. Nada de lobby grandioso, nada de tapete vermelho, nada de concierge me reconhecendo pelo nome. Foi exatamente por isso que eu s

