Eu não sabia que eu tava com saudade do sol até Victor dizer que ia me levar pra ele. Foi assim, simples, como se fosse um remédio comum. — Hoje tu vai tomar um sol. — falou, encostado no batente da porta da pensão, óculos escuros, postura de quem tá "de passagem", mas os olhos presos em mim. — Tua cara tá pálida demais. Tá parecendo que vive de luz de cozinha. Eu ri, mas meu corpo reagiu antes do riso. Porque "sair" com ele pra fora do morro ainda tinha um gosto de proibido que eu não admitia em voz alta. — Pra onde? — perguntei, mantendo o tom leve. — Praia. — ele respondeu como se fosse "padaria". — Só pra tu ficar no sol um pouco. Areia, água, essas coisa que gringo paga caro e a gente tem de graça. — Victor... — eu comecei, e parei, porque eu não queria ser a chata que coloca med

