61. Ayla

1093 Words

Alguns dias passaram como se a vida tivesse decidido me dar um intervalo. Nada explodiu. Ninguém apareceu na porta com câmera. Minha mãe continuou tentando me alcançar de um jeito ou de outro, mas eu já tinha aprendido a não abrir todas as portas. Eu fui na ONG, eu voltei pra pensão, eu dormi na casa do Victor em dias alternados, e essa rotina simples começou a parecer... minha. E a aliança no meu dedo era um detalhe pequeno que eu olhava às vezes como quem confirma se não sonhou. Ela não brilhava. Não chamava atenção. Mas pesava do jeito certo. Victor, então, ficou ainda mais insuportável. Ele falava "minha namorada" com uma naturalidade provocadora, como se gostasse de me ver ficar vermelha. Fazia questão de me chamar de "minha" em frases bobas, tipo "minha loirinha" ou "minha confus

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