33. Ayla

1080 Words
Foi a combinação do comando, do som do meu nome em sua boca e do movimento preciso de seus dedos que me empurrou para o abismo. Um tremor violento me sacudiu da cabeça aos pés. Um grito abafado escapou, engasgado no meu peito, enquanto uma onda incandescente de prazer explodia dentro de mim, inundando cada nervo, cada célula. Minha visão escureceu por um segundo, e eu me agarrei a ele, minha única âncora enquanto a correnteza me arrastava. Minhas pernas não me sustentavam mais. Meu corpo era um peso morto, tremendo nos resquícios do orgasmo. Victor retirou os dedos devagar, segurando firme contra a parede com o corpo, me deixando recuperar o fôlepo. Eu estava tonta, desmontada, completamente exposta. Ele me observou, seus olhos escuros vorazes. Vi nele satisfação, mas não complacência. Era a calma de quem sabe que isso foi só o começo. — Primeira... — ele anunciou, sua voz um rosnado de posse. Antes que eu pudesse sequer pensar em responder, ele me virou de costas para ele, suavemente, mas com uma determinação que não deixava espaço para protestos. Minhas mãos se apoiaram contra a parede fria de mármore. Ele se posicionou atrás de mim, seu corpo quente envolvendo o meu. Uma de suas mãos se prendeu ao meu quadril, os dedos afundando na minha carne, enquanto a outra guiou a ponta de seu m****o para a minha entrada, ainda pulsante e sensível do primeiro clímax. Ele entrou. Devagar. Uma polegada de cada vez, me preenchendo e alongando de uma maneira completamente nova, diferente dos dedos. Eu estava úmida, mas ele era grande, imponente. Um gemido longo e rouco escapou dos meus lábios, uma mistura de dor sublime e de um prazer tão profundo que beirava a dor. Ele parou quando estava completamente dentro, nos dois imóveis, respirando ofegantes. — Meu Deus... — eu sussurrei, minhas unhas raspando contra o mármore. — Relaxa, — murmurou, seus lábios no meu ombro. — É todo teu. Leva. Ele começou a se mover. Lentamente no início, cada movimento uma deliberação, cada retirada uma tortura, cada embate uma revelação. Eu me adaptei a ele, meu corpo se abrindo, aceitando. A mão no meu quadril me puxava para encontrar seu ritmo, e logo estávamos em sincronia. O som da nossa pele se encontrando, dos nossos gemidos abafados, encheu o banheiro. A sensação era... transformadora. Cada nervo estava vivo, cada toque dele era amplificado. A mão dele que estava no meu quadril subiu, passou pela minha barriga, e desceu novamente, encontrando meu c******s outra vez. Dessa vez, o toque era mais suave, mas não menos preciso, circulando o nódulo de nervos em tempo com as investidas dele. — Victor... outra vez... — eu supliquei, chocada com a rapidez com que meu corpo se reconstruía, se preparava para outra queda. — Tá vindo — ele afirmou, não perguntou. Ele sentia meus músculos se contraindo, ouvia a mudança na minha respiração. — Vai. Goza de novo. Em mim. E eu fui. Com um grito que ecoou, meu corpo se curvou, preso entre a parede fria e o calor dele. Dessa vez, foi uma onda mais longa, mais profunda, um tremor que parecia arrancar meu espírito do corpo. Ele continuou a se mover durante meu clímax, prolongando cada espasmo, cada contração, até eu estar quase chorando de tanto prazer. Ele não parou. Seu ritmo aumentou, ficou mais forte, mais profundo. A mão no meu c******s se intensificou. O ar no banheiro estava quente, pesado com nossos suores e nossos cheiros misturados. — Ayla — ele rosnou, um som gutural, final. — Olha pra frente. Olha a cidade. Através da névoa dos meus olhos, através do vidro embaçado do box, eu vi as luzes da cidade, um mar de diamantes espalhados no escuro. — É tudo seu também — ele sussurrou, e então sua própria respiração travou. Ele me puxou com força contra ele, seus dedos cravando em meus quadris, e eu senti a pulsação dele dentro de mim, quente e profunda, enquanto ele soltava um gemido rouco e prolongado contra meu pescoço. Ficamos ali, grudados, ofegantes, escorados na parede por um tempo que não pude medir. Aos poucos, a realidade foi voltando: o frio do mármore sob minhas mãos, o cheiro de sexo e suor no ar úmido, o peso glorioso e satisfeito do corpo dele nas minhas costas. Ele se retirou devagar, me virando para encará-lo. Seu rosto estava sério, suado, os olhos ainda escuros com o resquício da paixão. Ele não sorriu. Apenas me observou, como se estivesse vendo algo novo, algo que ele havia desenterrado. Sem dizer uma palavra, ele abriu a porta do box e ajustou a água. Em segundos, uma chuva quente e reconfortante caía sobre nós dois. Ele me puxou para debaixo da água, me envolveu em seus braços e começou a lavar meu corpo com as mãos, com uma ternura que contrastava brutalmente com a fúria possessiva de minutos antes. Lavou meus cabelos, minhas costas, entre minhas pernas, com uma reverência silenciosa. Eu deixei, me apoiando nele, minhas próprias mãos tremendo levemente enquanto tentava retribuir, passando o sabonete líquido sobre seu peito, seus braços. Ele desligou a água, saiu do box e voltou com duas toalhas grandes e macias. Envolveu uma em mim e me secou com cuidado, como se eu fosse de porcelana. Quando terminou, se enrolou na outra e, novamente, me pegou no colo. Dessa vez, ele me levou para o quarto. Era tão amplo e sóbrio quanto o resto da casa, com uma cama enorme de lençóis escuros. Ele me deitou no centro, deitou-se ao meu lado e puxou as cobertas sobre nós. Eu virei de lado, encarando ele no escuro, apenas iluminado pela luz fraca da cidade que entrava pela janela. Meu corpo estava dormente, pesado, uma paisagem devastada e maravilhosa após um terremoto de prazer. Três vezes. Ele me fizera chegar lá três vezes. E de maneiras que eu nem sabia que eram possíveis. Ele esticou a mão e passou o dedo por uma madeixa de meu cabelo molhado. — Tá inteira? — perguntou, sua voz um pouco mais suave agora. Eu pensei na pergunta. No meu corpo, que parecia redescoberto. Na minha cabeça, que estava silenciosa pela primeira vez em anos. No meu peito, onde aquela coisa "m*l explicada" agora tinha um nome, um gosto, uma sensação. — Não — respondi, honesta. E então, procurando sua mão na escuridão e entrelaçando meus dedos com os dele, completei: — Acho que nunca estive. Até agora.
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