O portão da mansão se abriu lentamente,e eu estava parada diante do carro preto, com dois seguranças ao lado.
Eu realmente ainda não acreditava,depois de duas semanas…vou finalmente sair.
Porém a sensação não era de liberdade completa.Era como respirar depois de quase se afogar…Mas ainda com o peito apertado.
— Podemos ir, senhorita — disse um dos seguranças.— Eu assento e entro no carro.
E quando os portões se fecharam atrás de mim…Algo estranho aconteceu.Senti falta.Sacudo a cabeça.
— Para com isso, Nielly.
⸻
A cidade parecia a mesma.As ruas.As pessoas.O movimento.Mas tudo parecia… diferente.Talvez porque agora eu sabia que aquele mundo escondia muito mais do que aparentava.
O carro parou próximo à faculdade.
— Estaremos por perto — disse o segurança.
Eu desci.Sentindo o olhar deles ainda sobre mim.Mesmo de longe.
— Ótimo… liberdade com coleira — murmuro.
Assim que entro na faculdade, uma voz animada surgiu atrás dela.
— NIELLY!
Me viro.E abro um sorriso automático.Era Sofia,minha melhor amiga.Cabelos soltos, olhar doce e sempre curioso.
— Você sumiu! — disse Soso, me abraçando forte.
— Eu… tive uns problemas.
— Eu percebi! Você não respondeu mais ninguém!
Antes que eu pudesse responder…Outra voz surgiu.
— Problemas ou namorado misterioso?
Me virou.E lá estava Marco .Encostado na parede, com aquele sorriso leve de sempre.O meu melhor amigo.
— Marco… — sorriu de leve.
Ele se aproximou.E o abraço,os olhos dele passaram pelos dois homens do outro lado da rua.Observando.Sempre atentos.Papel de barman.
— Quem são aqueles caras? — perguntou em tom baixo.
Então suspiro.
— Seguranças.
Soso arregalou os olhos.
— SEGURANÇA?— Marco franziu o cenho.
— Você tá em que tipo de problema, Nielly?
Forço um sorriso.
— Longa história.
Mas Marco não parecia convencido.
— Esses caras não parecem segurança comum.
— E não são — respondo sem pensar.O silêncio caiu.Soso ficou confusa.Marco ficou sério.
— Nielly… — ele começou.
— Depois eu explico, tá?
Eu tento suavizar.
— Prometo.
Marco assentiu devagar.Mas o olhar dele dizia claramente…Ele não gostava daquilo.
⸻
Mais tarde…Na pub.O lugar estava cheio.Música alta.Luzes coloridas.Pessoas dançando.
Ficamos nós duas sentadas em uma das mesas.Ate Marco chegar trazendo nossas bebidas.
— Um drink.
Marco senta com a gente.
— Você parece melhor.— sorriu de leve.
— Eu tô tentando.
Fico olhando o copo na frente minha frente.
— Você tá em perigo,amiga?
Eu congelo por um segundo,mas me recordo de tudo e suspiro.
— Não.
Eles me encaram
— Não mente pra mim…digo…pra gente.
— Ficou dias sem nos comunicar.Ate o professor de economia se assustou.
Eu desvio o olhar.
— Eu tô bem,gente!Serio!
Marco suspirou.
— Esses caras não saem do teu lado.
— É temporário.
— E quem colocou eles lá?
Soso pergunta e me encosto na bolaria em L acolchoada.Silêncio.Eu não respondoE isso foi resposta suficiente.Marco passou a mão pelo cabelo.Claramente irritado.
— Esse cara… quem quer que seja… ele não manda em você.
Olho olhou para ele.E pela primeira vez…Eu não soube o que dizer.Porque no fundo…
Mandava um pouco.
⸻
Eu observava fotos sobre a mesa.
Fotos de Nielly.Na faculdade.Com Sofia.Rindo.Com Marco.Dançando.O meu maxilar travou levemente.
O subchefe estava ao lado.
— Ela parece feliz hoje.
Eu não respondo.
— O rapaz… — continuou o homem — o barman.
— Já investigamos.
Eu levanto os olhos lentamente.
— E?
— Limpo.
Trabalhador.Sem envolvimento com nada ilegal.Isso deveria ser bom.Mas não foi o que eu senti.
— Ele gosta dela — disse o subchefe.
Lorenzo ficou em silêncio.
— Está bem claro.
O ar no escritório ficou pesado.
— Mantenham ele sob observação.
— Don… ele não representa ameaça.
Eu olho diretamente para ele.Frio.
— Eu não disse que representa.
O subchefe assentiu.
— Entendido.
Quando ele saiu…Eu volto a olhar a foto.Nielly sorrindo.Algo que ela não fazia com ele há semanas.O copo de whisky foi apertado com força na mão minha mão .Porque agora eu tinha certeza de uma coisa.Eu podia dar segurança.Poder.Proteção.
Mas não conseguia dar o que aquele garoto conseguia com tão pouco.
Um sorriso verdadeiro dela.E isso…
Era algo que eu não sabia aceitar.