O som seco do tiro ecoou no galpão.Um dos homens caiu imediatamente.cheiro de pólvora tomou o ar.Eu abaixou a arma lentamente, o olhar frio, calculista.
— Eu avisei — disse ele, a voz baixa e mortal. — Não gosto de mentiras.
O homem ajoelhado minha frente tremia.
— Don… eu juro… eu não sabia de tudo…
Eu caminhou devagar de um lado para o outro.Estávamos em um galpão grande,vazio.
— Então me diga o que você sabe. Não vá querer que…poxa,esqueci…O Denis não está não é?!
Olho para Riccardo fingindo ironia.
— Você deve conhecer o Denis,poxa,ele é o melhor em tortura,se lembra Riccardo,ele torturou aqueles Alemães desgraçados!Simplesmente fez os ratos entrarem na b***a deles,aquilo foi épico.
— Se quiser as coisas dele estão aí.
Arregalo os olhos fingindo surpresa.
— Mentira! Não,Riccardo!
Riccardo vai até a mala do carro e tira de lá uma maleta um pouco grande.
O homem engoliu seco.E sorriu frio.
— Vamos Riccardo,você também foi experimente nesse lado,que tal mostrar para ele.
— Espera,o que vão fazer?
Riccardo pega um amostrando e rimos.
— Que tal esse?
Riccardo levanta um ferro bem pontudo,porém grosso.E depois um maçarico.
— Coloquem ele de quatro.
— Oque?NÃO,NÃO,NAO,ESPEREM,NAO,POR FAVOR…
Os seguranças colocam ele de quatro na mesa.
— Abaixem as calças.
Mando e ele fica com a b***a de fora e grita em desespero,e o som do maçarico sendo queimado no ferro o deixava com os olhos arregalados.
— EU FALO! EU FALO!
Quando Riccardo já estava chegando perto,dou a volta na mesa de frente para ele.O homem que chorava desesperado.
— Os carregamentos… estão sendo desviados…
— Por quem?
— Última chance.
Riccardo acende o maçarico
— BELLINI! — o homem soltou de uma vez.— BELLINI!!
O nome pairou no ar.Pesado.Perigoso.Riccardo olha para mim surpreso.
Os meus olhos escureceram.
— Tem certeza?
— Eu vi documentos… nomes… contatos…
Faço um sinal leve com a mão.Um dos seus homens puxou uma mala e entregou a ele.
— Qual a senha?
— Eu não sei,cara!Por favor me deixa ir!
— Eu tô sem paciência hoje!
Coloco a mala no chão e dou dois tiros abrindo.
Abro.Fotos.Registros.Movimentações financeiras.Tudo apontava para um único nome.
Bellini.
O meu maxilar travou.
— Acha mesmo que eles tiveram essa coragem?
Riccardo olha comigo e suspiro.
— O nome de Bellini não está no mercado por opção,eles tem história para contar.Não posso arriscar tudo por simples papéis antigos.
— Essas transações são de 1970 e 80.
— Bellini pode está pedindo proteção a mais.Desvio de dinheiro público é algo sério,que envolve políticas,pessoas de muito dinheiro e baixa índole.
— O que pretende fazer?
Paro para pensar.
— Visitar o um velho amigo nosso.
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Na mansão a noite estava silenciosa.
Eu estava no quarto.Sentada na cama, com um livro aberto… mas sem realmente ler.A cabeça longe.Muito longe.Quando a porta se abriu de repente,levanto o olhar.
Lorenzo.
Ele entra com passos firmes.Gravata frouxa.Olhar intenso.Algo nele estava diferente.Mais pesado.Mais perigoso.
— Precisamos conversar.— Eu fecho o livro devagar.
— Isso nunca é um bom sinal.
Ele parece ignorar o comentário.
— Você conhece esse nome?
Ele jogou uma foto sobre a cama.Eu olho.E o mundo pareceu parar por um segundo.Bellini.O sobrenome estava ali.
Sinto meu coração disparar.
Mas não podia demonstrar.Não podia.
— Não — respondeu, tentando manter a voz firme.
— Você veio do Brasil para cá,achei que todos conhecem os Bellini,já que a máfia é antiga.
Os olhos de Lorenzo ficaram presos em mim.Observando.Analisando.Como se tentasse ler cada reação.
— Tem certeza?
— Sim.
O silêncio se estendeu.
Pesado.
Eu desvio o olhar.
— Por quê?
Ele não respondeu imediatamente.
— Porque eles podem estar envolvidos em algo contra mim.— Aquilo foi como um choque.Mas eu manteve a expressão neutra.
— E isso tem a ver comigo?
Ele deu um passo mais perto e senti na cama.
— Tudo que envolve você me interessa.
O ar entre nós mudou.
— Dois dos homens de Bellini foram mortos essa manhã,a 10 metros da sua faculdade.
Ficou mais denso.Mais… carregado.
Eu me levanto lentamente.
— Você está ficando paranoico.
— Eu estou ficando cuidadoso.
Ele se levanta e se aproxima de mim por de trás.Agora estavam próximos.Muito próximos.
— Isso não é saudável, Lorenzo.
— O meu mundo nunca foi saudável.
Me viro para ele.
O olhar dele desceu rapidamente para os meus lábios.E voltou.Prendo a respiração.
— Você devia se afastar de mim — ela disse, quase num sussurro.
— Eu tentei.
Mais um passo.Agora não havia mais espaço entre nós .O meu coração disparou.
— E falhou — completou ele.
O silêncio caiu.Pesado.Intenso.Eu sentia a respiração dele.Quente.Próxima.
— Lorenzo…
Mas ele já não estava mais ouvindo.
A mão dele subiu lentamente até o meu rosto.Segurando com firmeza.Mas sem machucar.A outra mão deslizou pela minha cintura.Puxando.Colando nossos corpos.O mundo desapareceu.E então…
Ele me beijar.Intenso.Sem hesitação.Como se estivesse segurando aquilo há tempo demais.Eu congelou por um segundo.Mas então…Respondo.As minhas mãos subiram até o peito dele.Apertando a camisa.O beijo ficando mais profundo.Mais urgente.A mão dele desceu pelas minhas costas.Segurando com força.
Eu viro levemente o rosto, tentando respirar.Mas ele não se afastou completamente.Os lábios roçando nos meus.
— Isso é um erro… — ela sussurrou.
— Provavelmente.— E então me beijou de novo.Dessa vez mais lento.Mais provocante.A mão dele deslizou pela lateral do meu corpo.Aproximando ainda mais.Fazendo-me perder o equilíbrio por um segundo.
Eu me viro levemente.As costas encostando no peito dele.A minha respiração ficou irregular.Ele aproximou o rosto do meu pescoço.Roçando de leve,seu m****o em minha,fazendo movimento lentos,porém bem fortes de vai e vem.
Sem pressa.Sem controle.Um arrepio percorreu no meu corpo inteiro.
— Lorenzo… para…
Mas a minha voznão tinha força.A mão dele segurou a cintura dela com mais firmeza e colocou a outro no meu pescoço,beijando o local.Dava para sentir ele duro,somente com o tecido do vestido que eu usava.
— Me diz pra parar e eu paro.
Silêncio.Eu fecho os olhos.Não digo nada.E isso foi resposta suficiente.Mas então…Algo dentro de mim travou.Me afasto rapidamente.
Virando de frente para ele.A respiração acelerada.Ele beija minha boca e coloca uma perna minha para cima.Sem demorar ele pega a outra.E me leva para a cama.
Ele coloca a mão dentro,levantando meu vestido.Beija meu pescoço sem parar,e coloco meus dedos dentro do seu cabelo.Escuto ele gemer assim como eu faço,em seu ouvido.Sinto seus dedos chegarem a minha calcinha e então paro.
-Lorenzo…eu não quero assim…
Ele para automaticamente de beijar meu pescoço e respiro fundo.Sinto ele sentir meu cheiro antes de se levantar,ainda com corpo em cima de mim.E tenta controlar a respiração.Seus olhos estavam fechados,ele abre os olhos,e estavam escuros ,sedentos,famintos.
Engulo em seco e ele se levanta e começa a andar,tentando manter a respiração.
— No jantar tenho algo para conversar com você.
— Tudo bem.
Ele sai batendo à porta e me deixando sozinha,novamente.