Dois dias se passaram.
Laura estava deitada, meio sonolenta, quando o celular tocou.
Era ele.
— Oi… atendeu, com a voz ainda baixa.
— Tá fazendo o quê agora? — Téo perguntou.
— Nada… tava tirando um cochilo. E você?
— Tô bem. fez uma pausa — Quer ir ao clube comigo?
Ela demorou um segundo.
— Clube?
— É. Hoje é meu dia de folga… queria saber se você quer me acompanhar.
Um pequeno sorriso apareceu no rosto dela.
— Quero sim.
— Em uma hora eu passo aí.
— Tá bom.
Assim que desligou, ela levantou rápido.
Tomou um banho, tentando organizar a mente.
Depois abriu o guarda-roupa e começou a procurar algo.
Escolheu um biquíni rosa, bonito, que valorizava o corpo delicado dela. Pegou uma bolsa, colocou toalha, protetor solar, um chapéu…
Parou por um instante.
A vitamina.
Pegou e tomou.
— Não posso esquecer…
Se olhou no espelho mais uma vez, colocou um vestido leve por cima… e ficou pronta.
Esperando.
Exatamente uma hora depois, o carro dele chegou.
Ela saiu.
E, quando ele a viu…
Sorriu.
— Gostei do vestido. Bem clima de praia… piscina.
Ela sorriu, um pouco tímida.
— Então tá aprovado?
— Mais do que aprovado.
Ele se aproximou… e beijou ela com carinho.
E, dessa vez, ela retribuiu sem hesitar.
No clube, o ambiente era leve, cheio de gente, sol forte…
Mas, pra Laura, tudo parecia novo.
Téo segurou a mão dela naturalmente.
Ela olhou pra aquilo… surpresa.
— Ué… ele percebeu — Qual o problema?
— Nada… ela deu um meio sorriso — Só não achei que você fosse querer segurar minha mão em público.
Ele arqueou levemente a sobrancelha.
— Por quê?
Ela deu de ombros, brincando:
— Achei que isso era só… dentro de casa.
Ele se aproximou um pouco mais, falando baixo:
— Algumas coisas eu não faço só dentro de casa.
Ela ficou vermelha na hora.
— Você faz isso de propósito…
Ele riu de leve.
Eles se acomodaram em uma tenda.
Óculos escuros, clima tranquilo…
Laura começou a passar protetor solar.
Ele observava.
— Me dá… pediu — Deixa eu passar nas suas costas.
Ela hesitou um segundo… mas virou de bruços.
Ele começou devagar.
As mãos firmes, mas cuidadosas.
Até que…
Ele parou.
— Essa mancha…
Ela travou por dentro.
— Eu já tinha reparado antes — ele continuou, mais sério — O que foi isso?
Laura forçou um meio sorriso.
— Ah… coisa antiga.
Mas o tom dela… entregava.
Téo percebeu.
Ficou em silêncio por um instante, sem pressionar.
As mãos voltaram a se mover, terminando de espalhar o protetor.
— Quando você quiser falar… disse, calmo — eu vou estar aqui.
Ela não respondeu.
Mas algo dentro dela… mexeu.
O dia seguiu leve.
Mas, pra ele…Aquilo ficou.
E, pela primeira vez…
Não era só interesse.
Era preocupação.De verdade.
Depois do clube, o caminho de volta foi diferente.
Laura estava mais leve.
Ria mais.
Falava mais.
E Téo… observava cada detalhe.
Como se estivesse gostando de descobrir cada pedacinho dela.
Quando chegaram na casa dele, já era noite.
O silêncio voltou… mas não era vazio.
Era cheio.
Carregado de algo que crescia entre eles.
Laura entrou devagar, tirando o chapéu, soltando o cabelo curto com um pequeno suspiro.
— Hoje foi bom… ela disse, quase sem perceber.
— Foi mesmo — ele respondeu, fechando a porta atrás deles.
Os olhos dele não saíam dela.
Ela percebeu.
E, dessa vez… não desviou.
Ele se aproximou.
Sem pressa.
Como sempre.
Mas agora… com mais certeza.
A mão dele subiu até o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo.
— Você tá diferente hoje…
— Diferente como? ela perguntou, mais baixa.
— Mais leve.
Ela deu um meio sorriso.
— Talvez eu esteja começando a me acostumar…
— Comigo?
Ela hesitou.
Mas assentiu.
O beijo veio natural.
Mais intenso que antes.
Sem a mesma insegurança da primeira noite.
Ainda havia cuidado…
Mas agora também havia vontade.
Conexão.
Ela segurou a camisa dele de leve, se aproximando mais.
E ele respondeu na mesma medida.
Sem ultrapassar.
Sem pressionar.
Só… deixando acontecer.
Mais tarde, já deitados, Laura estava com a cabeça apoiada no peito dele.
Uma posição que, dias atrás, ela jamais imaginaria.
O silêncio ali era confortável.
Seguro.
— Téo… ela chamou, baixo.
— Hum?
— Você sempre foi assim?
— Assim como?
— Calmo… paciente…
Ele soltou um pequeno riso.
— Não.
Ela levantou o rosto, curiosa.
— Então por que comigo?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
Pensando.
— Porque você precisa disso.
A resposta foi simples.
Mas direta.
E acertou ela de um jeito inesperado.
Ela ficou quieta… só ouvindo a respiração dele.
Até que, quase sem perceber, levou a mão até a própria barriga.
Um gesto rápido.Mas ele notou.
Os olhos dele acompanharam o movimento.
Sem dizer nada.
Mas guardando aquilo.
E naquela noite…
Enquanto ela adormecia tranquila pela primeira vez em muito tempo…
Téo tinha uma certeza silenciosa crescendo dentro dele:
Laura não era só parte de um contrato.
E ele… já estava se envolvendo mais do que deveria.