capítulo 4

848 Words
Dois dias se passaram. Laura estava deitada, meio sonolenta, quando o celular tocou. Era ele. — Oi… atendeu, com a voz ainda baixa. — Tá fazendo o quê agora? — Téo perguntou. — Nada… tava tirando um cochilo. E você? — Tô bem. fez uma pausa — Quer ir ao clube comigo? Ela demorou um segundo. — Clube? — É. Hoje é meu dia de folga… queria saber se você quer me acompanhar. Um pequeno sorriso apareceu no rosto dela. — Quero sim. — Em uma hora eu passo aí. — Tá bom. Assim que desligou, ela levantou rápido. Tomou um banho, tentando organizar a mente. Depois abriu o guarda-roupa e começou a procurar algo. Escolheu um biquíni rosa, bonito, que valorizava o corpo delicado dela. Pegou uma bolsa, colocou toalha, protetor solar, um chapéu… Parou por um instante. A vitamina. Pegou e tomou. — Não posso esquecer… Se olhou no espelho mais uma vez, colocou um vestido leve por cima… e ficou pronta. Esperando. Exatamente uma hora depois, o carro dele chegou. Ela saiu. E, quando ele a viu… Sorriu. — Gostei do vestido. Bem clima de praia… piscina. Ela sorriu, um pouco tímida. — Então tá aprovado? — Mais do que aprovado. Ele se aproximou… e beijou ela com carinho. E, dessa vez, ela retribuiu sem hesitar. No clube, o ambiente era leve, cheio de gente, sol forte… Mas, pra Laura, tudo parecia novo. Téo segurou a mão dela naturalmente. Ela olhou pra aquilo… surpresa. — Ué… ele percebeu — Qual o problema? — Nada… ela deu um meio sorriso — Só não achei que você fosse querer segurar minha mão em público. Ele arqueou levemente a sobrancelha. — Por quê? Ela deu de ombros, brincando: — Achei que isso era só… dentro de casa. Ele se aproximou um pouco mais, falando baixo: — Algumas coisas eu não faço só dentro de casa. Ela ficou vermelha na hora. — Você faz isso de propósito… Ele riu de leve. Eles se acomodaram em uma tenda. Óculos escuros, clima tranquilo… Laura começou a passar protetor solar. Ele observava. — Me dá… pediu — Deixa eu passar nas suas costas. Ela hesitou um segundo… mas virou de bruços. Ele começou devagar. As mãos firmes, mas cuidadosas. Até que… Ele parou. — Essa mancha… Ela travou por dentro. — Eu já tinha reparado antes — ele continuou, mais sério — O que foi isso? Laura forçou um meio sorriso. — Ah… coisa antiga. Mas o tom dela… entregava. Téo percebeu. Ficou em silêncio por um instante, sem pressionar. As mãos voltaram a se mover, terminando de espalhar o protetor. — Quando você quiser falar… disse, calmo — eu vou estar aqui. Ela não respondeu. Mas algo dentro dela… mexeu. O dia seguiu leve. Mas, pra ele…Aquilo ficou. E, pela primeira vez… Não era só interesse. Era preocupação.De verdade. Depois do clube, o caminho de volta foi diferente. Laura estava mais leve. Ria mais. Falava mais. E Téo… observava cada detalhe. Como se estivesse gostando de descobrir cada pedacinho dela. Quando chegaram na casa dele, já era noite. O silêncio voltou… mas não era vazio. Era cheio. Carregado de algo que crescia entre eles. Laura entrou devagar, tirando o chapéu, soltando o cabelo curto com um pequeno suspiro. — Hoje foi bom… ela disse, quase sem perceber. — Foi mesmo — ele respondeu, fechando a porta atrás deles. Os olhos dele não saíam dela. Ela percebeu. E, dessa vez… não desviou. Ele se aproximou. Sem pressa. Como sempre. Mas agora… com mais certeza. A mão dele subiu até o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo. — Você tá diferente hoje… — Diferente como? ela perguntou, mais baixa. — Mais leve. Ela deu um meio sorriso. — Talvez eu esteja começando a me acostumar… — Comigo? Ela hesitou. Mas assentiu. O beijo veio natural. Mais intenso que antes. Sem a mesma insegurança da primeira noite. Ainda havia cuidado… Mas agora também havia vontade. Conexão. Ela segurou a camisa dele de leve, se aproximando mais. E ele respondeu na mesma medida. Sem ultrapassar. Sem pressionar. Só… deixando acontecer. Mais tarde, já deitados, Laura estava com a cabeça apoiada no peito dele. Uma posição que, dias atrás, ela jamais imaginaria. O silêncio ali era confortável. Seguro. — Téo… ela chamou, baixo. — Hum? — Você sempre foi assim? — Assim como? — Calmo… paciente… Ele soltou um pequeno riso. — Não. Ela levantou o rosto, curiosa. — Então por que comigo? Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Pensando. — Porque você precisa disso. A resposta foi simples. Mas direta. E acertou ela de um jeito inesperado. Ela ficou quieta… só ouvindo a respiração dele. Até que, quase sem perceber, levou a mão até a própria barriga. Um gesto rápido.Mas ele notou. Os olhos dele acompanharam o movimento. Sem dizer nada. Mas guardando aquilo. E naquela noite… Enquanto ela adormecia tranquila pela primeira vez em muito tempo… Téo tinha uma certeza silenciosa crescendo dentro dele: Laura não era só parte de um contrato. E ele… já estava se envolvendo mais do que deveria.
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