Os dias foram passando…
E, sem que percebessem, a rotina entre eles começou a se formar.
Mensagens.
Encontros.
Noites cheias de conexão, carinho… e uma i********e que ia muito além do combinado inicial.
Laura já sorria mais.
Se sentia mais segura.
E Téo… cada vez mais presente.
Naquela tarde, eles estavam no mercado.
Uma cena simples.
Carrinho, compras básicas… coisas do dia a dia.
Mas, pra ela, aquilo já era diferente.
Ela nunca imaginou viver algo assim com alguém como ele.
Laura estava escolhendo algumas coisas, distraída, quando um homem passou por eles.
Olhou diretamente pra ela.
Sem o menor cuidado.
— Nossa… que mulher maravilhosa…
Falou alto o suficiente pra ser ouvido.
Laura travou na hora, sem saber como reagir.
Mas Téo ouviu.
E parou.
Devagar.
Virou o rosto na direção do homem.
O olhar… já não era o mesmo de antes.
Frio.
Firme.
— O que você falou aí? a voz saiu baixa, mas carregada.
O homem deu um riso de canto, meio debochado.
— Só falei a verdade.
Erro.
Téo deu um passo à frente.
— Aprende a ter respeito.
O clima pesou na mesma hora.
Laura segurou o braço dele, um pouco assustada.
— Téo… deixa pra lá…
Mas ele não tirava os olhos do cara.
— Fala de novo.
O homem percebeu.
Aquilo não ia terminar bem.
Ergueu as mãos, dando de ombros.
— Relaxa, cara… já tô indo.
E saiu.
O silêncio ficou.
Laura ainda segurava o braço dele.
— Ei… ela chamou, mais suave — Tá tudo bem.
Ele passou a mão pelo rosto, tentando se controlar.
— Eu não gosto disso.
— Disso o quê?
Ele olhou pra ela.
— De alguém falar de você como se pudesse.
O coração dela deu um aperto estranho.
Ela deu um pequeno sorriso, tentando aliviar.
— Foi só um comentário…
— Não foi “só”.
Ele respondeu firme.
Mas depois… respirou fundo.
E o olhar suavizou.
— Desculpa.
Ela negou com a cabeça.
— Não precisa.
Ele pegou a mão dela.
Dessa vez… com mais força.
Como se estivesse afirmando algo.
E ela… não soltou.
Enquanto voltavam pras compras, Laura percebeu algo que ainda não tinha colocado em palavras:
Aquilo não era mais só proteção.
Era posse.
Cuidado.
E algo muito mais profundo começando a nascer.
O dia terminou.
Mas, pra Téo… não tinha acabado.
Depois de deixar Laura em casa, ele ficou alguns minutos dentro do carro, parado.
Silencioso.
O olhar distante.
Mas por dentro… não estava nada calmo.
Aquela cena no mercado voltava.
A forma como o homem olhou pra ela.
O jeito que falou.
Aquilo… incomodou mais do que deveria.
Muito mais.
Horas depois…
Já era noite.Escuro.
O mesmo mercado… quase vazio.
Téo encostou o carro mais afastado, saindo com passos firmes.
Ele lembrava do rosto.
Detalhes.
Não era alguém que ele esqueceria fácil.
Entrou no local, o olhar atento… analisando.
Até que viu.O mesmo homem.
Agora distraído, mexendo no celular perto da saída.
Téo se aproximou devagar.
Sem pressa.
Mas com intenção.
Parou bem atrás dele.
— Ei.
O homem virou… e demorou um segundo pra reconhecer.
Mas quando reconheceu…
O semblante mudou.
— Ah… você
Não deu tempo de terminar.
Téo segurou a gola da camisa dele e puxou pra perto, firme.
Sem violência exagerada.
Mas o suficiente pra deixar claro:
Ele não estava brincando.
— Eu falei pra você ter respeito.
A voz saiu baixa.
Controlada.
Mas carregada.
O homem engoliu seco.
— Cara, eu já falei que
— Você falou demais.
O olhar de Téo era frio.
Cirúrgico.
Como alguém acostumado a manter controle… mesmo quando estava com raiva.
— Aquela mulher… ele continuou — não é alguém pra você abrir a boca desse jeito.
O homem assentiu rápido.
— Tá bom, tá bom… foi m*l.
Mas Téo não soltou na hora.
Aproximou um pouco mais.
— Se eu ouvir você falar dela de novo… nem que seja de longe…
Fez uma pausa.
— A gente não vai só conversar.
Silêncio.
Pesado.
O homem concordou imediatamente.
— Não vai acontecer de novo.
Téo soltou.
Arrumou a própria camisa com calma… como se nada tivesse acontecido.
— Ótimo.
Virou as costas… e saiu.
Do lado de fora, o ar parecia mais frio.
Ele respirou fundo.
Passou a mão pelo rosto.
Tentando voltar ao controle total.
Mas uma coisa era clara:
Aquilo não era só ciúme.
Era instinto.Proteção.
E algo mais… que ele ainda não queria nomear.
Enquanto isso…
Sem saber de nada…
Laura estava em casa.
Tranquila.
E completamente alheia ao fato de que, naquele momento…
Alguém já estava começando a lutar por ela.
Do jeito dele.