Cara ainda estava surpresa com os acontecimentos daquela manhã, mas não se permitiu mergulhar nos pensamentos, ela jamais entenderia a mente de Rycon que mais parecia um ninho de gatos. Respirou fundo, endireitou a postura e voltou para a sua mesa, decidida a cumprir o trabalho que tinha pela frente. Deixaria o que tinha acontecido para depois, até porque , ela estava muito curiosa para saber de onde Rycon tinha tirado aquelas informações.
O tempo passou sem que ela notasse. Após o almoço, o toque agudo do telefone interrompeu a sua concentração. Cara atendeu de imediato e, do outro lado da linha, a voz formal da secretaria da escola de Gael explicou a situação: uma professora tinha passado m*l, e, por precaução, pediam aos pais que buscassem os filhos mais cedo.
A preocupação surgiu de imediato. Cara desligou e caminhou até ao escritório de César. Bateu suavemente à porta e, quando ele a autorizou a entrar, explicou-lhe o que tinha acontecido.
— Preciso sair mais cedo para buscar o Gael. — disse, um pouco apreensiva. — Prometo compensar as horas.
César levantou os olhos do ecrã e abanou a cabeça num gesto tranquilo. Ele podia ver a preocupação no rosto de Cara, e jamais a faria trabalhar mais por um imprevisto.
— Não se preocupe com isso, Cara. Vá buscar o seu filho. — fez uma pausa breve, e acrescentou com uma serenidade que a surpreendeu: — E, se não tiver com quem deixá-lo, pode trazê-lo para cá.
Um alívio aqueceu-lhe o peito.
— Obrigada, César. É muita generosidade da sua parte.
— Já tínhamos combinado isso, então não há nenhum problema. — Responde ele de forma tranquila.
Ela já se preparava para sair quando ouviu a voz dele chamando o seu nome. Voltou-se, confusa. César aproximou-se, tirou uma chave do bolso e estendeu para ela.
— Leve o meu carro. Vai ser mais rápido do que ir a pé.
Cara arregalou os olhos, sem saber o que responder. Depois, com um sorriso contido, aceitou.
— Muito obrigada. — disse, sincera, mas então parou de repente e se voltou para César novamente.
— A dona Mira não vai se importar? — Pergunta ao se lembrar da esposa dele.
— Não se preocupe, ela entenderá a situação. — Diz ele.
— Tudo bem. — responde ela saindo.
O coração batia acelerado enquanto atravessava o estacionamento e ligava o carro dele. Em poucos minutos, já estava diante da escola. Gael correu até ela e, ao ver a mãe sair de um carro, arregalou os olhos curioso.
— Uau, mãe! Este carro é de quem?
Cara riu, balançando a cabeça. A curiosidade do seu filho era algo incomparável.
— É emprestado. Hoje vai comigo para a empresa.
O rosto de Gael se iluminou imediatamente.
— Vou ver o Rycon outra vez!
Cara franziu o cenho, disfarçando a contrariedade, mas não disse nada. Apenas o ajudou a colocar o cinto e arrancou de volta, sentindo no peito uma mistura de ansiedade e curiosidade pelo que aquele resto de dia ainda poderia trazer, e acima de tudo, ela não entendia o que o filho via em Rycon que o encantava tanto.
Ao chegar a empresa tudo encantava Gael, os seus olhinhos brilhavam enquanto ele enchia Cara de perguntas sobre o lugar. Ela o respondia o melhor que podia e ria com as reações dele.
— E quem é esse rapazinho? — Pergunta Ivy, vendo Cara retornar com Gael.
— Esse é meu filho Ivy, Gael. — Diz ela sorrindo.
Ivy se aproxima de Gael se abaixando a sua frente.
— Olá rapazinho, como vai? — Diz ela.
— Eu estou bem senhora, animado para conhecer o trabalho da minha mãe. — responde ele.
— Você vai gostar, aqui é bem divertido. — Diz ela piscando para ele.
Cara ri do que Ivy tinha dito, ela sabia que o escritório podia ser um caos as vezes, mas tinha se acostumado com aquela movimentação.
— Cara! Preciso de alguns documentos! — Grita Rycon da porta do escritório e pela forma que ele a olhava devia ter acontecido alguma coisa.
— Qual deles? — Pergunta ela se aproximando.
— O projeto do centro, temos um problema e preciso verificar algo. — Diz ele.
— Vou pegar. — Diz ela já correndo para sua mesa.
— Oi Rycon! — Diz Gael correndo até ele e segurando na barra do seu terno.
Quando Rycon vê o pequeno a vergonha enche o seu rosto, ele estava tão chateado que não tinha percebido a presença de Gael e agora que o via lamentava a sua falta de paciência.
— Oi garroto, o que faz por aqui? — Pergunta Rycon bagunçando o cabelo dele.
Ivy que assistia a sena a sua frente arregala os olhos, ela não acreditava no que estava vendo, e por um momento duvidou de que o homem que falava de forma doce com a criança a sua frente fosse realmente seu chefe.
— Vim acompanhar a mamãe, minha professora passou m*l. — Diz ele com o semblante triste.
— Ei, não fique triste, aposto que a essa hora ela já deve estar melhor.
— Acha mesmo? — Pergunta ele com os pequenos olhinhos marejados.
— Claro, sou adulto e entendo dessas coisas. — Responde Rycon fazendo o pequeno rir.
— Verdade! Você é grande Rycon. — Diz o menino os medindo com o braço.
A risada de Rycon enche o lugar deixando Ivy perplexa. Ela nunca tinha ouvido o seu chefe rir antes, mas ali estava ele rindo de forma despreocupado com o menino ao seu lado.
— Eu só posso estar vendo coisas. — Diz ela balançando a cabeça em negação.
— Não está, ele sempre age desta forma com o Gael. — Diz Cara parando ao lado de Ivy e observando os dois conversar.
Cara jamias admitiria o quanto aquela risada mechia com ela. O seu corpo se arrepiava diante daquele som a medida que Rycon se soltava ao conversar com seu filho, abandonando aquela fachada de CEO frio e sem coração que ele usava para afastar a todos.