Homens Frios Também Sorri

1012 Words
Cara ainda estava surpresa com os acontecimentos daquela manhã, mas não se permitiu mergulhar nos pensamentos, ela jamais entenderia a mente de Rycon que mais parecia um ninho de gatos. Respirou fundo, endireitou a postura e voltou para a sua mesa, decidida a cumprir o trabalho que tinha pela frente. Deixaria o que tinha acontecido para depois, até porque , ela estava muito curiosa para saber de onde Rycon tinha tirado aquelas informações. O tempo passou sem que ela notasse. Após o almoço, o toque agudo do telefone interrompeu a sua concentração. Cara atendeu de imediato e, do outro lado da linha, a voz formal da secretaria da escola de Gael explicou a situação: uma professora tinha passado m*l, e, por precaução, pediam aos pais que buscassem os filhos mais cedo. A preocupação surgiu de imediato. Cara desligou e caminhou até ao escritório de César. Bateu suavemente à porta e, quando ele a autorizou a entrar, explicou-lhe o que tinha acontecido. — Preciso sair mais cedo para buscar o Gael. — disse, um pouco apreensiva. — Prometo compensar as horas. César levantou os olhos do ecrã e abanou a cabeça num gesto tranquilo. Ele podia ver a preocupação no rosto de Cara, e jamais a faria trabalhar mais por um imprevisto. — Não se preocupe com isso, Cara. Vá buscar o seu filho. — fez uma pausa breve, e acrescentou com uma serenidade que a surpreendeu: — E, se não tiver com quem deixá-lo, pode trazê-lo para cá. Um alívio aqueceu-lhe o peito. — Obrigada, César. É muita generosidade da sua parte. — Já tínhamos combinado isso, então não há nenhum problema. — Responde ele de forma tranquila. Ela já se preparava para sair quando ouviu a voz dele chamando o seu nome. Voltou-se, confusa. César aproximou-se, tirou uma chave do bolso e estendeu para ela. — Leve o meu carro. Vai ser mais rápido do que ir a pé. Cara arregalou os olhos, sem saber o que responder. Depois, com um sorriso contido, aceitou. — Muito obrigada. — disse, sincera, mas então parou de repente e se voltou para César novamente. — A dona Mira não vai se importar? — Pergunta ao se lembrar da esposa dele. — Não se preocupe, ela entenderá a situação. — Diz ele. — Tudo bem. — responde ela saindo. O coração batia acelerado enquanto atravessava o estacionamento e ligava o carro dele. Em poucos minutos, já estava diante da escola. Gael correu até ela e, ao ver a mãe sair de um carro, arregalou os olhos curioso. — Uau, mãe! Este carro é de quem? Cara riu, balançando a cabeça. A curiosidade do seu filho era algo incomparável. — É emprestado. Hoje vai comigo para a empresa. O rosto de Gael se iluminou imediatamente. — Vou ver o Rycon outra vez! Cara franziu o cenho, disfarçando a contrariedade, mas não disse nada. Apenas o ajudou a colocar o cinto e arrancou de volta, sentindo no peito uma mistura de ansiedade e curiosidade pelo que aquele resto de dia ainda poderia trazer, e acima de tudo, ela não entendia o que o filho via em Rycon que o encantava tanto. Ao chegar a empresa tudo encantava Gael, os seus olhinhos brilhavam enquanto ele enchia Cara de perguntas sobre o lugar. Ela o respondia o melhor que podia e ria com as reações dele. — E quem é esse rapazinho? — Pergunta Ivy, vendo Cara retornar com Gael. — Esse é meu filho Ivy, Gael. — Diz ela sorrindo. Ivy se aproxima de Gael se abaixando a sua frente. — Olá rapazinho, como vai? — Diz ela. — Eu estou bem senhora, animado para conhecer o trabalho da minha mãe. — responde ele. — Você vai gostar, aqui é bem divertido. — Diz ela piscando para ele. Cara ri do que Ivy tinha dito, ela sabia que o escritório podia ser um caos as vezes, mas tinha se acostumado com aquela movimentação. — Cara! Preciso de alguns documentos! — Grita Rycon da porta do escritório e pela forma que ele a olhava devia ter acontecido alguma coisa. — Qual deles? — Pergunta ela se aproximando. — O projeto do centro, temos um problema e preciso verificar algo. — Diz ele. — Vou pegar. — Diz ela já correndo para sua mesa. — Oi Rycon! — Diz Gael correndo até ele e segurando na barra do seu terno. Quando Rycon vê o pequeno a vergonha enche o seu rosto, ele estava tão chateado que não tinha percebido a presença de Gael e agora que o via lamentava a sua falta de paciência. — Oi garroto, o que faz por aqui? — Pergunta Rycon bagunçando o cabelo dele. Ivy que assistia a sena a sua frente arregala os olhos, ela não acreditava no que estava vendo, e por um momento duvidou de que o homem que falava de forma doce com a criança a sua frente fosse realmente seu chefe. — Vim acompanhar a mamãe, minha professora passou m*l. — Diz ele com o semblante triste. — Ei, não fique triste, aposto que a essa hora ela já deve estar melhor. — Acha mesmo? — Pergunta ele com os pequenos olhinhos marejados. — Claro, sou adulto e entendo dessas coisas. — Responde Rycon fazendo o pequeno rir. — Verdade! Você é grande Rycon. — Diz o menino os medindo com o braço. A risada de Rycon enche o lugar deixando Ivy perplexa. Ela nunca tinha ouvido o seu chefe rir antes, mas ali estava ele rindo de forma despreocupado com o menino ao seu lado. — Eu só posso estar vendo coisas. — Diz ela balançando a cabeça em negação. — Não está, ele sempre age desta forma com o Gael. — Diz Cara parando ao lado de Ivy e observando os dois conversar. Cara jamias admitiria o quanto aquela risada mechia com ela. O seu corpo se arrepiava diante daquele som a medida que Rycon se soltava ao conversar com seu filho, abandonando aquela fachada de CEO frio e sem coração que ele usava para afastar a todos.
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