Confronto

1001 Words
Rycon estacionou o carro no estacionamento da empresa. Ainda não tinha atravessado o hall de entrada quando avistou, ao longe, duas figuras que caminhavam lado a lado. O coração acelerou involuntariamente. Reconheceu Cara e, a poucos passos dela, Luka. Uma onda de calor percorreu-lhe o peito. O sorriso de Cara, mesmo discreto, lhe pareceu muito aberto, animado. O simples fato de Luka estar próximo de Cara o fazia despertar algo que ele tentava, há dias, esconder até de si mesmo: ciúmes. Endireitou os ombros e, quando os dois se aproximaram, a frieza tomou conta do seu rosto. Ele odiava se sentir daquela forma e odiava ainda mais o fato de aquele sorriso tão genuíno não ser dirigido a ele, mas sim ao seu futuro parceiro de negócios. — Vejo que, em vez de cuidar do seu serviço, prefere passear nas ruas da cidade em pleno horário de expediente — disse, a voz carregada de reprovação, enquanto os seus olhos fuzilavam as duas pessoas à sua frente. Cara parou, surpresa. Luka, por sua vez, arqueou a sobrancelha, percebendo imediatamente a tensão. Ele nunca tinha ouvido Rycon ser tão grosseiro daquela forma, e por mais que soubesse que o CEO tinha uma personalidade difícil, ainda assim não era agradável vê-lo agir daquela maneira. — Na verdade, Rycon — começou Luka, com tom calmo —, eu vinha para a empresa e encontrei a Cara. Resolvi acompanhar ela até aqui. A expressão de Luka era tranquila ao dizer aquilo, mas a raiva que brilhou nos olhos de Rycon era algo bem mais perigoso do que o homem à sua frente poderia imaginar. — A Cara tem boca, Luka. Não precisa de alguém que fale por ela. O silêncio que se seguiu pareceu congelar o ar. Luka olhou para o CEO, perplexo. Cara não sabia o que estava acontecendo com Rycon, e as palavras dele a tinham deixado visivelmente desconfortável. Ao seu ver, era como se Rycon os estivesse acusando de fazer algo além de simplesmente irem juntos para a empresa. — Está sendo grosseiro. Ainda não passei do meu horário de entrada e, se me atrasasse, teria uma explicação. E você não é meu chefe. — disse ela, fazendo Rycon trincar os dentes de raiva. — Mas ainda pago o seu salário. — respondeu, tentando conter a sua fúria. Os olhos de Rycon prenderam-se aos dela. O modo como Cara o enfrentava, sem medo, fazia o seu peito arder ainda mais. Luka, observando a troca de olhares, começou a perceber o que estava por trás daquela atitude incomum: não era apenas rigor profissional, era algo mais profundo. — Grosseiro? — Rycon repetiu, a voz mais baixa, mas tensa. — Grosseiro é ver funcionários confundirem o horário de trabalho com momentos de lazer. — Se confia tão pouco em mim, talvez não devesse ter me contratado — devolveu Cara, firme, mas com um leve tremor que só Luka notou. — Caso tenha se esquecido, eu não a contratei. — disse ele, dando um passo em direção a ela. Por um instante, o mundo pareceu reduzir-se aos dois. O olhar de Rycon era de acusação, mas escondia a sua verdadeira intenção; o de Cara, de desafio, mas com um traço de mágoa. Luka, afastado um passo, compreendia agora com clareza: o CEO não estava apenas em uma discussão inútil e sem sentido… estava lutando contra algo que não desejava que os outros vissem. O silêncio prolongado foi quebrado pela própria Cara: — Agora, se me dão licença, vou trabalhar. Sem esperar resposta, entrou no edifício. Luka seguiu-a com o olhar e, em seguida, voltou-se para Rycon. — Nunca o tinha visto perder o controle dessa forma — disse, num tom neutro, mas carregado de significado. Rycon não respondeu. Limitou-se a ajeitar o casaco e seguir em direção à entrada, ciente de que a sua máscara de frieza começava a rachar quando se tratava de Cara. — Sempre tem uma primeira vez. — respondeu ele, quando já estavam no elevador. — Se está tentando conquistá-la, está fazendo da forma errada. As palavras de Luka chamaram a atenção de Rycon, que se virou para ele, encontrando um sorriso de canto em seus lábios. Rycon desviou o olhar, revirando os olhos. — Acho que está enxergando coisas onde não tem. — respondeu de forma indiferente. — Que bom, acho Cara uma mulher fascinante, e já que você não tem interesse nela, vou chamá-la para sair. — disse ele tranquilamente. Luka não sabia dizer de onde tinha vindo, mas sabia como havia acabado. Em poucos segundos, viu-se pressionado contra a parede do elevador, uma mão apertava a sua garganta enquanto olhos sombrios caíam sobre o seu rosto com a fúria de um demônio. — Espero, para o seu próprio bem, que fique longe dela. A menos que consiga enfrentar a minha fúria. — disse Rycon, com uma voz contida que nada tinha a ver com o momento entre os dois. Luka mantinha os olhos fixos em Rycon, analisando a sua expressão assassina sobre si. — Por que negar uma verdade estampada no seu rosto? — perguntou ele, sem se deixar abalar com o que estava acontecendo. Com um suspiro, Rycon soltou Luka. — Meus assuntos não são da sua conta. — Sei que não são, mas, se quer um conselho, você vai acabar perdendo ela se continuar fingindo que não sente nada. — disse ele, no momento em que as portas do elevador se abriram. Rycon olhava para as costas de Luka, impressionado com a sua coragem e ousadia. Fora Cara, ninguém mais ousava desafiá-lo. Assim que entrou no escritório, Geovani o acompanhou rapidamente para dentro. — Tenho novidades do nosso investigador. — disse ele, fazendo Rycon se virar depressa em sua direção. — Diga. — exigiu. — Ele terminou o que estava fazendo mais rápido do que esperávamos. Já está trabalhando nas informações que pediu. Alívio inundou o peito de Rycon ao ouvir aquilo. Ele estava perto. Em breve, descobriria o que Cara tentava esconder com tanto afinco dele.
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