A madrugada estava fria e pesada, o tipo de silêncio que só o Rio conhece quando o caos decide dormir por algumas horas. O relógio marcava 2h47 quando estacionei em frente à delegacia. O som do motor ecoou no pátio vazio, e as luzes fluorescentes refletiam no capô como lâminas. O cansaço batia, mas o sangue ainda fervia. Eu não tinha conseguido dormir desde o supermercado. A imagem de Ítalo chorando, agarrado à mãe, não saía da minha cabeça. Nem o olhar do desgraçado que o puxou. Tinha algo errado ali. Coisa grande. E eu precisava entender o que era; agora. Desci do carro, ajustando o colete sobre a camiseta. O plantão da madrugada era sempre o mesmo: cheiro de café velho, papel amassado, e o som distante de uma televisão ligada em algum canto. Passei pelo corredor iluminado demais, cump

