38. Buarque

968 Words

Carioca. O nome pegou fundo, impossível de cuspir fora. Enquanto dirigia, cada semáforo parecia prolongar uma sentença. O morro vinha à mão como um mapa mental: vielas, entradas, aquele labirinto de concreto que eu conhecia desde moleque. Conhecia os buracos onde a informação se escondia, os pontos cegos da cidade. Conhecia também a covardia de quem manda moleques pegar criança, sempre tem cheiro de rato por trás. Cheguei na base com o carro soltando fumaça do motor e a cabeça em chamas. Girei a chave, joguei a alça do colete no ombro e fui direto pro gabinete. Caveira já tava lá, com o cigarro torto na boca e a cara de quem dormiu pouco. Me olhou e já sorriu: —Acordou cedo pra andar de moto, ou é dia de guerra? — Dia de guerra — respondi seco. — Carioca voltou. Quero equipe formada e

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