O sábado amanheceu com o barulho do morro acordando devagar, rádio alto vindo da casa da vizinha, o som de vassoura raspando o chão, gente rindo na rua. O sol batia forte logo cedo, fazendo o telhado esquentar antes mesmo das oito. Acordei com Ítalo me chamando, os cachinhos desgrenhados e a voz sonolenta. — Mãe, já é de dia. — Já, meu amor. Vamos levantar. Hoje a gente vai na feira. Ele sorriu, empolgado, e foi logo pegando as sandálias enquanto eu ajeitava a cama. Tinha aprendido a começar o dia limpando, talvez porque quando a gente vive num lugar pequeno, o mínimo de bagunça parece caos. Abri as janelas, deixando o vento entrar. A luz invadiu o barraco e revelou as paredes simples, mas limpas, e o chão que eu mesma encerava todo sábado. Passei pano, lavei a pia, dobrei as roupas.

