O dia começou como qualquer outro: o sol subindo cedo demais, o barulho das motos rasgando o morro, e o cheiro de café forte misturado com sabão em pó vindo das casas ao redor. Ítalo brincava sentado no chão com as tampinhas de garrafa que ele chamava de "carrinhos", e eu tentava organizar a cozinha pequena, apertada, mas limpa. Sempre limpa. Era o único jeito que eu tinha de manter alguma ordem quando o mundo insistia em ser um caos. Eu ainda pensava no encontro da outra noite. No capitão. No jeito como ele apareceu, falando baixo, com aquele olhar que me atravessava sem esforço. Desde então, não consegui dormir direito. Toda vez que o vento batia nas janelas, eu achava que era o barulho do carro dele. Era estranho, como se ele ainda estivesse por perto, mesmo longe. O som de passos n

