A sala de reunião da base estava cheia, abafada, e o som dos rádios e das botas batendo no chão fazia o ar parecer mais pesado. O mapa do Vidigal estava aberto na parede, cheio de marcações, setas vermelhas, e pontos de cerco que iam fechar o morro inteiro em menos de quarenta e oito horas. Eu ouvi tudo. O comandante falava, Caveira anotava, e o resto dos homens só acenava com a cabeça. A gente ia subir de novo. E dessa vez, não era pra intimidar. Era pra acabar. Mas, enquanto eles falavam sobre entradas e saídas, eu só conseguia pensar nela. A casa de número três na viela quatorze. A voz dela, o olhar que sempre me desafiava. E o menino, o garoto que m*l sabia o tipo de inferno em que vivia. O morro ia virar zona de guerra. Eu conhecia o protocolo, conhecia os riscos. Quando o BOPE sob

