30. Manuela

1238 Words
O tapete áspero arranhava meus joelhos, mas a dor era um detalhe distante, ofuscada pelo peso das suas mãos nas minhas coxas, abrindo-me para ele. — Tô a tanto tempo… — ele rosnou, mais para si mesmo do que para mim, os olhos vidrados no que estava entre as minhas pernas. — Tanto tempo sem sentir uma b****a quente assim. A vulgaridade da palavra, dita com aquela voz rouca e cheia de desejo, fez um calafrio percorrer minha espinha. Ele não tentava ser poético. Era um homem faminto diante de um banquete. Antes que eu pudesse responder, ele se enterrou entre as minhas pernas. A língua dele não foi delicada; foi uma investida direta, profunda, como se quisesse me beber por dentro. Um gemido longo e gutural escapou da minha garganta, e minhas mãos se enterraram nos seus cabelos, curtos e ásperos, puxando-o mais para perto. Ele gemeu contra mim, o som vibrando no meu c******s, e a sensação foi tão intensa que minhas pernas tremeram. — Isso, assim... — ele murmurou, a voz abafada na minha carne, e então focou tudo no ponto mais sensível, sugando, lambendo, com uma dedicação brutal e eficiente. Era como se ele estivesse tentando memorizar o gosto, o formato, a reação de cada nervo. — c*****o, Manuela. Tu é gostosa pra c****e. A b*******a mais doce que já provei. Eu já não conseguia pensar. Só sentia. A sua língua áspera, as mãos grandes que apertavam minhas nádegas, me mantendo no lugar, e aquele fluxo de palavras sujas e adoradoras que quebravam qualquer resistência que ainda pudesse ter sobrado. — Quero ver — ele disse, subindo de repente sobre mim, seus joelhos abrindo as minhas pernas. Ele me olhou lá embaixo, com uma concentração feroz, os olhos escuros e dilatados. — Olha o que você faz comigo. Me deixa como um animal. Ele guiou meu rosto para ele, e eu não precisei de mais incentivo. Eu abri o zíper da sua calça. Ele estava enorme, latejante, a pele macia e tensa sobre a veia saliente. Quando minha boca o envolveu, ele gemeu alto, um som que era quase um uivo abafado contra a minha pele. — Assim, porra... — ele rosnou, seus quadris impulsivos, buscando mais profundidade. — Não para. A vulgaridade, a entrega total dele, era o maior afrodisíaco. Eu o chupava com a mesma intensidade com que ele me comia, sentindo o gosto salgado e único da sua pele, ouvindo os gemidos e os palavrões que escapavam dele. Era uma dança primitiva, suada, onde não havia mais passado ou futuro, só aquele presente animal. Quando ele não aguentou mais, virou-me de bruços, levantou meus quadris e entrou em mim por trás, num único movimento profundo e possessivo que me fez gritar no silêncio do apartamento. — É minha — ele sussurrou, curvando-se sobre minhas costas, os dentes roçando meu ombro enquanto seus quadris batiam contra os meus num ritmo frenético e irresistível. — Essa b****a deliciosa é minha agora. Só minha. Vou afundar nela até me esquecer do meu próprio nome. E ele o fez. Cada embate era uma afirmação, cada gemido um reconhecimento daquela conexão bruta. Quando o orgasmo me atingiu, foi como ser despedaçada e remontada ao mesmo tempo. Ele gemeu meu nome, um som rouco e quebrado, e senti o calor dele me inundando, enquanto seu corpo pesado desabava sobre o meu, ofegante, suado, completamente dominado e, finalmente, em paz. Ficamos assim por um longo tempo, sem fala, só o som da nossa respiração ofegante preenchendo o silêncio. Ele rolou para o lado, me puxando com ele, envolveu em seus braços com uma força que ainda era possessiva, mas agora era também proteção. Ele enterrou o rosto no meu cabelo e sussurrou, a voz rouca e cheia de uma estranha maravilha: — p***a, mulher. Você vai acabar comigo. A mão dele subiu até o meu braço, e de repente me puxou de volta, com firmeza. O gesto não foi violento, foi possessivo. Os olhos dele, quando me virei, estavam abertos. Escuros. E tão intensos que quase doíam. — Você não vai embora depois disso. — A voz dele veio rouca, baixa, mas sem margem pra dúvida. — Não me olha desse jeito e depois finge que nada aconteceu. — Alex, por favor... Ele se apoiou nos cotovelos, o olhar firme em mim. — Não me chama assim agora. — Então como você quer que eu te chame? — rebati, a voz tremendo, mas o tom desafiador. — Capitão? Senhor? Porque é isso que você quer, né? Mandar até no que eu sinto. Ele soltou um riso baixo, cansado. — Eu quero só que você pare de mentir pra mim. — Mentir? — arqueei as sobrancelhas. — Você acha mesmo que foi mais do que isso? Que mudou alguma coisa? — Mudou tudo. — Não, Alex. — Balancei a cabeça devagar, tentando manter a calma, mesmo com o corpo ainda tremendo do peso daquilo tudo. — Foi só sexo. Foi impulso. Raiva, carência, sei lá. Chama do que quiser. Mas é isso. O silêncio que se seguiu foi denso, pesado. Ele se levantou do chão e ficou em pé, nu, o corpo ainda coberto de marcas de suor e tensão. O olhar dele não piscava. — Só sexo, é? — É. Ele deu um passo à frente. Eu recuei, mas ele continuou avançando. — Então por que tá tremendo? — perguntou, baixo. — Por que me olha como se tivesse medo de si mesma? — Porque eu sei quem você é — respondi, firme. — E o que você faz. Ele parou a poucos centímetros de mim. A mão dele subiu devagar até meu queixo, segurando com força suficiente pra me obrigar a encará-lo. — Eu posso ser tudo o que você acha que eu sou — disse, o tom entre raiva e verdade. — Mas você me deixou entrar. E agora não vem dizer que foi só instinto, Manuela. Eu vi o jeito que você reagiu. A garganta apertou, mas eu não recuei. — Você não manda no que eu sinto. — Não mando, não. — Ele inclinou o rosto, o olhar preso no meu. — Mas agora você também não manda no que eu vou fazer. — E o que é que você vai fazer, hein? — perguntei, num sussurro tenso. — Me trancar aqui até eu te amar de volta? Ele suspirou, longo, pesado. Por um segundo, o olhar dele suavizou. — Não, Manuela. — A voz saiu mais baixa, quase um lamento. — Eu vou te deixar aqui até você entender que não precisa fugir pra sobreviver. Eu ri, mas foi um riso sem humor, amargo. — Você fala como se me conhecesse. — Eu te conheço mais do que gostaria. — Então devia saber que eu sempre vou fugir. Ele soltou o queixo, mas a mão ainda roçava meu rosto. — E devia saber que eu sempre vou atrás. As palavras dele me atravessaram, firmes e simples, como se fossem inevitáveis. Ele se afastou, pegou o short dele do chão e vestiu, o olhar ainda preso em mim. — Dorme um pouco. Amanhã você pode tentar mentir de novo, se quiser. E saiu da sala. Fiquei ali, sentada, o coração batendo alto demais, o corpo ainda quente, a cabeça girando. Ele tinha ido embora, mas a presença dele ainda estava em tudo. Na respiração presa no ar. No cheiro dele. No espaço entre nós.
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