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BARRIGA DE ALUGUEL (MORRO)

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SINOPSE

Para salvar o irmão da prisão, Maju faz um acordo com o d***o.

Dom, o dono do Jacarezinho, não quer amor. Quer apenas um herdeiro.

Ela se oferece para ser a barriga de aluguel dele em troca do dinheiro da fiança.

Parecia simples: dinheiro por um filho. Cada um segue seu caminho.

Mas viver sob o mesmo teto que o homem mais temido do morro a faz enxergar o que ninguém vê. E, aos poucos, o que era apenas um contrato se transforma em uma dependência perigosa.

Até que uma mentira destrói a confiança que construíram.

Afastada do homem por quem se apaixonou, Maju carrega uma verdade escondida — uma verdade que pode mudar o destino de dois morros.

Ela foi até ele para salvar o irmão.

Mas acabou entregando ao dono do morro algo que nenhum dinheiro poderia comprar.

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CAPÍTULO 1
MARIA JÚLIA NARRANDO Meu nome é Maria Júlia. Mas quase ninguém me chama assim. Para a maioria das pessoas, sou simplesmente Maju. Tenho vinte e três anos, um metro e cinquenta e nove de altura e cabelos cacheados, cheios e impossíveis de passar despercebido. Minha mãe costumava dizer que meus cachos eram a única coisa em mim que nunca aceitavam ficar no lugar. Talvez ela tivesse razão. Eu também nunca fui muito boa em aceitar o lugar que a vida tentava me colocar. Nasci e cresci no interior, em uma cidade pequena onde todo mundo conhecia todo mundo. Morava com meus pais e meu irmão, Lucas. Nossa vida era simples. Não tínhamos luxo, mas nunca nos faltou amor. Até que uma oportunidade mudou tudo. Lucas e eu conseguimos uma bolsa de estudos para uma faculdade na cidade grande. Meus pais fizeram o possível para nos ajudar a começar uma vida nova. Juntamos nossas coisas e deixamos para trás a cidade onde crescemos. No começo, tudo parecia perfeito. Até Lucas começar a se deslumbrar com a liberdade. Ele começou a faltar às aulas, conheceu pessoas novas, passou a chegar tarde em casa e, quando percebemos, tinha perdido a bolsa. Eu continuei firme. Não podia fazer o mesmo. Sabia o quanto nossos pais tinham sacrificado para nos dar aquela oportunidade. Durante a semana, estudo. Nos finais de semana, trabalho fazendo encomendas de bolos, doces e salgados para festas. Não é fácil conciliar tudo, mas eu gosto da minha independência. Morávamos no Jacarezinho porque foi o único lugar onde encontramos um aluguel que cabia no nosso orçamento. No início, confesso que tive medo. Eu vinha do interior e tinha uma visão completamente diferente sobre o morro. Mas o tempo me mostrou que eu estava errada em julgar um lugar inteiro. Conheci mulheres que acordavam cedo para trabalhar, pais que lutavam para sustentar os filhos, crianças brincando nas ruas e vizinhos que sempre estavam dispostos a ajudar. Era ali que eu morava. E, de certa forma, aquele lugar já tinha virado minha casa. Naquela tarde, porém, eu não fazia ideia de que tudo estava prestes a mudar. Saí da faculdade pouco depois das cinco e meia. Estava cansada. Meus livros pesavam dentro da mochila e meus pés doíam depois de um dia inteiro andando de um lado para o outro. Peguei o ônibus e fiquei olhando pela janela durante o caminho. Quando desci, o céu já estava começando a escurecer. Ajeitei a mochila no ombro e comecei a subir o morro. Cumprimentei seu Antônio, que estava fechando a porta da mercearia. — Boa noite, seu Antônio. — Boa noite, Maju. Faculdade puxada hoje? — Como sempre. Ele riu. — Vai descansar, menina. Continuei andando. Mais à frente, encontrei Dona Célia regando algumas plantas na porta de casa. — Boa noite, Maju! — Boa noite! Era assim quase todos os dias. Eu conhecia os rostos pelo caminho. Alguns moradores me viram chegar meses atrás, com duas malas e uma caixa cheia de livros. Hoje, já faziam parte da minha rotina. Quando virei a esquina, ouvi alguém me chamar. — Maju! Olhei para trás. Era Laila, minha melhor amiga. — Finalmente! — O que você está fazendo aqui? — Esperando você. — Esperando por quê? Ela começou a caminhar ao meu lado. — Precisava te contar uma coisa. — Lá vem você... — É sério. — Quando você fala assim, normalmente não é. Ela riu. — Você ficou sabendo do Dom? Meu passo diminuiu. — O Dom? — É. — O dono do morro? — Ele mesmo. — O que tem ele? Laila olhou ao redor antes de responder. — Dizem que ele está procurando uma mulher. — Para quê? Ela me lançou um olhar significativo. — Para ser barriga de aluguel. Parei por um instante. — O quê? — É isso mesmo. — Laila, você está maluca? — Estou falando sério. Voltamos a caminhar. — Dizem que ele está disposto a pagar uma bolada para a mulher que aceitar. Arqueei a sobrancelha. — Uma bolada? — Uma fortuna. Soltei uma risada desacreditada. — Isso é uma loucura. — Eu também acho. — Então por que está me contando? — Porque não é qualquer mulher que ele quer. Olhei para ela. — Como assim? — Dizem que ele escolheu algumas condições. Quer uma mulher saudável, discreta e que aceite todas as condições do contrato. — Meu Deus... — E parece que ele recusou várias. Balancei a cabeça. — Eu não consigo nem imaginar uma pessoa aceitando isso. Laila deu de ombros. — Quando o dinheiro é muito, você sabe como é. — Não sei, não. — Você não faria? — Não. Respondi tão rápido que ela riu. — Nem se fosse uma fortuna? — Nem assim. — Tem certeza? — Absoluta. Chegamos diante da minha casa. Coloquei a mão no portão. — Eu prefiro trabalhar até minhas costas quebrarem. Laila sorriu. — Eu sabia que você diria isso. — Porque é verdade. Meu celular tocou. Parei antes de abrir o portão e olhei para a tela. Número desconhecido. — Quem será? — Atende. — Deve ser algum cliente. Apertei para atender. — Alô? A voz do outro lado era séria. — É a Maria Júlia? — Sim. — Você é irmã do Lucas? Meu coração apertou imediatamente. — Sou. Por quê? Houve uma pausa curta. — Estou ligando para informar que ele foi detido e está na delegacia. Meu corpo ficou imóvel. — Como assim? — Seu irmão foi conduzido após ser acusado de furto. Precisamos que um familiar compareça. — Furto? Minha voz falhou. — Onde ele está? A pessoa passou o endereço. Eu m*l consegui acompanhar. — Ele está bem? — Precisamos que um familiar compareça à delegacia. A ligação terminou. Fiquei olhando para o celular, sem reação. — Maju? Não respondi. — Maju, o que aconteceu? Virei para Laila. Minha garganta fechou. — É o Lucas. — O que tem ele? — Ele foi preso. — O quê? — Disseram que ele foi preso por furto. Laila ficou pálida. — Meu Deus. Tirei a mochila das costas e entreguei para ela. — Segura isso. — Maju, onde você vai? — Para a delegacia. — Eu vou com você. — Não. — Maju... — Fica aqui. Eu preciso ir. — Mas você está sozinha! Já estava descendo a rua. — Eu te ligo! — Maju! Não olhei para trás. Só conseguia pensar no meu irmão. Lucas. Preso. Aquela palavra parecia impossível. O desespero tomou conta de mim, e eu corri sem saber exatamente o que fazer, apenas sabendo que precisava chegar até ele.

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