CAPÍTULO 2

1027 Words
CONTINUAÇÃO... Quando cheguei à delegacia, meu coração estava disparado. Fui até o balcão e expliquei quem era. Depois de conferirem os dados, um policial me informou que Lucas havia sido detido após uma ocorrência envolvendo o furto de uma joelheira de uma loja. Fiquei olhando para ele sem acreditar. — Uma joelheira? — Foi o que consta no registro da ocorrência. — Meu irmão foi preso por causa de uma joelheira? — Senhora, eu não posso discutir a acusação. A senhora precisa aguardar. — Eu quero ver meu irmão. — Aguarde ali. Sentei. Os minutos passaram. Dez. Vinte. Trinta. Parecia uma eternidade. Minhas mãos não paravam de tremer. Até que finalmente chamaram meu nome. — Maria Júlia? Levantei imediatamente. — Sou eu. Fui conduzida até o local onde poderia falar com Lucas. Quando o vi, parei. Meu coração simplesmente despencou. Ele estava sentado, com o rosto machucado, o lábio cortado e um hematoma próximo ao olho. — Lucas! Corri até ele. — Meu Deus! O que aconteceu com você? Ele levantou o rosto. — Maju... — Quem fez isso? — Não importa. — Como não importa? Segurei o rosto dele com cuidado. — Você está todo machucado! Ele olhou para os lados antes de falar baixo: — Maju, você precisa me tirar daqui. — Eu vou. — Não. Você não está entendendo. A voz dele tremia. — Eu preciso sair daqui. — Eu vou procurar um advogado. — Maju... Ele segurou meu braço. — Se eu continuar aqui, vão me matar. Meu sangue gelou. — Para de falar isso. — É sério. — Você está assustado. — Estou com medo! Ele apertou meus dedos. — Eu não quero morrer aqui. As lágrimas começaram a cair dos meus olhos. Mas, junto com o medo, veio a raiva. — Eu te avisei, Lucas! Ele abaixou a cabeça. — Eu sei. — Quantas vezes eu pedi para você parar de andar com gente que só queria te colocar em problema? — Eu sei, Maju. — Você perdeu a bolsa. Não procurou outro caminho. E agora olha onde você está! Minha voz quebrou. — Você tem noção do que está fazendo com a nossa mãe? Ele fechou os olhos. — Desculpa. Fiquei em silêncio. Não conseguia continuar brigando. Abaixei-me na frente dele. — Eu vou tirar você daqui. — Como? Eu não sabia. Mas respondi mesmo assim. — Vou dar um jeito. Um funcionário se aproximou. — O tempo acabou. Levantei. — Só mais um minuto. — Senhora... Olhei novamente para meu irmão. — Aguenta firme. Ele assentiu. — Não me deixa aqui. Engoli o choro. — Não vou deixar. Saí daquele lugar com o coração apertado. Quando cheguei à porta, ainda consegui ouvir a voz dele atrás de mim. — Maju! Virei. — Eu te amo. Meus olhos se encheram de lágrimas. — Também te amo. Então fui embora. E aquela foi a pior caminhada da minha vida. Em casa, fiquei sentada na cama olhando para o celular. Pensei em ligar para meus pais. Meu dedo chegou a tocar no nome da minha mãe, mas parei. Não queria desesperá-los durante a noite. Talvez amanhã eu conseguisse resolver. Talvez Lucas saísse. Talvez tudo aquilo fosse apenas um pesadelo. Deitei. Virei para um lado, depois para o outro. Não consegui dormir direito. Toda vez que fechava os olhos, via o rosto machucado do meu irmão e ouvia sua voz: "Se eu continuar aqui, vão me matar." Quando finalmente amanheceu, eu já estava acordada. Levantei cedo, tomei banho, coloquei uma roupa simples e saí para o fórum. Lucas seria apresentado ao juiz naquela manhã. *** O fórum estava cheio. Sentei em uma das cadeiras e fiquei esperando. Meu joelho não parava de balançar. Eu olhava para a porta a cada pessoa que entrava. Até que o advogado apareceu. Levantei imediatamente. — Doutor? Ele se aproximou. — Maria Júlia. — E meu irmão? — O juiz concedeu liberdade provisória, mas existe uma condição. Meu coração acelerou. — Qual? — Ele determinou o pagamento de uma fiança. — Quanto? — Vinte mil reais. Fiquei em silêncio. Era muito dinheiro. Muito mais do que eu tinha. — Se eu pagar... ele sai? — Se não houver outro impedimento e cumpridas as demais condições impostas, sim. — E se eu não conseguir? O advogado respirou fundo. — Ele permanecerá preso até que exista outra decisão ou medida que permita a soltura. Senti meus olhos arderem. — Eu não tenho esse dinheiro. — Eu sei. — Não existe outra maneira? — Podemos avaliar alternativas jurídicas, mas você precisa entender que não pode se colocar em risco para conseguir esse valor. Olhei para o chão. Naquele instante, a conversa com Laila voltou inteira à minha cabeça. "Ele está procurando uma mulher." "Dizem que está disposto a pagar uma bolada." Meu coração começou a bater mais forte. O advogado continuou falando, mas eu já estava pensando em outra coisa. — Doutor... — Sim? Levantei os olhos. — Vou arrumar esse dinheiro. Ele franziu a testa. — Maria Júlia, tome cuidado. — Vou conseguir. — Não faça nenhuma besteira. Assenti. Mas eu já tinha tomado minha decisão. *** Voltei para o morro sem passar em casa. Subi as ruas com passos rápidos. Minha cabeça estava cheia de pensamentos. Eu não queria chegar perto do Dom. Não queria me envolver com nada dele. Muito menos carregar o filho de alguém que eu sequer conhecia direito. Mas Lucas estava preso. E eu precisava tirá-lo de lá. Cheguei à entrada da boca. Os mesmos homens estavam ali. Um deles me reconheceu. — Maju. Parei diante deles. Dessa vez, não estava tremendo. — Preciso falar com o Dom. O homem me encarou. — Sobre o quê? Respirei fundo. — Sobre a mulher que ele está procurando. Os dois se entreolharam. — Espera aqui. Um deles pegou o rádio. — Chefe? Fez uma pausa enquanto escutava. Depois olhou para mim. — A Maju tá aqui querendo falar com o senhor. Silêncio. Meu coração disparou. Até que a voz dele soou pelo rádio. — Deixa ela entrar. Dei o primeiro passo para dentro. Sem imaginar que, a partir daquele momento, minha vida nunca mais seria a mesma.
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