Henrique narrando O barulho do impacto foi como uma explosão. Metal contra metal, vidro estilhaçando, o grito abafado dos pneus se arrastando pela terra batida. Meu corpo voou contra o volante com uma força absurda. A cabeça bateu no parabrisa rachado, o som seco da pancada me deixou tonto por alguns segundos. A dor irradiou do peito, dos braços, da lateral do rosto, mas eu não senti nada de verdade. O ódio anestesiava tudo. O carro girou. Rodou. A poeira subiu como uma cortina de fumaça sufocante. Fui jogado de um lado pro outro no banco do motorista enquanto a lataria se amassava como papel alumínio. Só parei quando o veículo bateu de frente num tronco grosso caído na beira da pista, com um tranco que fez o mundo girar e tudo escurecer por dois segundos. Meus ouvidos zumbiam. O peito

