Luna narrando A casa da Rayane tava silenciosa, mas não era um silêncio calmo. Era aquele tipo de silêncio pesado, espesso, que vem antes da tempestade ou depois de um luto. O tipo de silêncio que só existe quando as palavras já não cabem mais dentro da gente. Eu tava sentada no sofá da sala, as mãos tremendo, o peito apertado e o coração batendo em ritmos errados. Os tios estavam ali. Vivos. Em segurança. A gente conseguiu. E por mais que eu tentasse me manter firme, o nó na minha garganta já não dava mais pra ignorar. A tia segurava uma caneca de chá que a Rayane fez questão de preparar. Mas nem tinha encostado na bebida. Os olhos dela estavam fixos em mim. Pesados. Machucados. E ao mesmo tempo… cheios de dúvida. Não porque ela não queria acreditar em mim. Mas porque ela não consegui

