Luna narrando / continuação Depois de tanto tempo fugindo, chorando sozinha, gritando pra dentro, ali naquele chão da sala da Rayane, eu finalmente consegui respirar. O choro passou devagar, como uma onda que vai recuando pro mar depois de destruir tudo na areia. Meus tios estavam ali, vivos. Presentes. Pela primeira vez desde a morte dos meus pais, eu não me sentia órfã. Eu não me sentia abandonada. A dor ainda tava aqui, claro. Mas agora ela não era mais um peso solitário. Era compartilhada. E isso muda tudo. Eu fiquei um tempo deitada no colo da minha tia, sentindo a mão dela acariciar meus cabelos como se eu ainda fosse criança. Era um gesto bobo, simples… mas parecia que tava colando os pedaços da minha alma. Depois que a Rayane entrou com água, toalhinha gelada, cuidando de tod

