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— Novamente vamos orar- disse o pai dela com a mão no coração- pois se nós três estamos sentindo a mesma coisa, temos que vigiar. Os três se ajoelharam e oraram na sala, cada um falava com Deus sobre o sentimento agoniante que tinham em si e depois os pais dela permaneceram na sala enquanto ela foi direto para o banheiro, tomou um banho e deitou no quarto na intenção de descansar um pouco do trabalho, tendo perdido até a fome, não demorando muito para cair no sono.
Roberto reunia todos que estavam no covil, ele tinha comprado boa parte do alto do morro, restando apenas uma três casas o qual os moradores resistiam sendo uma delas a de Juliana, ele queria aquela área toda para ele e as pessoas que com ele trabalhavam, mas sabia que não podia obrigar o povo a desocupar as suas casas e que se o fizesse pegaria m*l para ele e o seu reinado sobre o lugar, Roberto tinha uma boa área, reunindo várias casas em um só local, criando um estilo de vila do crime no alto do morro alojando aqueles jogados por suas famílias, ele chamava essa área que era o lugar onde morava de covil tendo com eles vários dos seus funcionários do crime como os seus vizinhos, sendo esses selecionados a dedo por ele e os seus conselheiros. Dentro do covil Roberto tinha o seu esconderijo que era interno, feito por debaixo da terra, tendo saída na sua antiga casa, onde agora morava em uma mãe solteira que ele tinha tirado da rua e que sabia da situação do lugar onde morava, mas que contava a todos que tinha comprado aquela casa antes de Roberto ter se tornado traficante do tio dele, sendo esse o trato que tinha com a mulher que estava satisfeita e grata com o acordo, pois tinha ganhado um lugar para morar com os seus filhos e até então ninguém desconfiava do tratado.
Aquele era um projeto de fuga feito, desejado e começado pelo seu tio, mas terminado por ele, poucos dos que trabalhavam para Roberto sabiam desse lugar secreto inclusive muitos dos que moravam ao seu lado sabiam dele e se necessário ele fugia, motivo pelo qual em meio várias invasões ele não era pego, criando a hipótese por seus adversários de que Roberto não morava no alto do morro, sendo todo o percurso uma fachada para engana-los, o que deixava até mesmo alguns dos funcionários que com ele estava em dúvida da sua localização.
No esconderijo não tinha muitas coisas, ele tinha levado uma cama e comida enlatada para lá, tinha também galões de água e armas guardadas. Roberto já tinha se escondido lá algumas vezes, mas nunca tinha passado mais que doze horas naquele lugar, ele não achava que tinha necessidade de o arrumar e deixar luxuoso, no caso de ter que ficar por muito tempo escondido, planejava escapar por sua antiga casa e por isso ficava tranquilo com aquela situação.
Aos poucos muitos dos cabeças tanto da sua área quanto de outros lugares chegavam para a reunião em cima da hora que Roberto tinha convocado, o morro ficava tenso quando aquele tipo de reunião acontecia, ele mesmo sendo respeitado e conquistador sabia que para o sucesso era necessário manter o respeito pelos mais velhos no ramo e por isso estavam todos ali, a segurança no morro nesse período ficava redobrada e a conversa seria sobre um vídeo que um dos traficantes aliados tinha recebido, durante a tarde tinham sequestrado um dos homens de Roberto enquanto trabalhava e ninguém tinha dado falta, no entanto, só deram falta quando esse vídeo chegou e desde que foi avisado ele passou a convocar a todos, ciente de que um novo ataque estava por vir e que tinha um traidor no seu meio, mas sem entender como tinha acontecido aquele sequestro de baixo do seu nariz sem que a rendição do rapaz não tivesse notado que o seu colega não estava no posto. Roberto pretendia devastar todo o trabalho da área responsável pelo ataque da noite passada, que era a mesma que tinha sequestrado aquele homem. Ele tinha ficado irado e interrogado o seu refém, batendo e massacrado na intenção de que ele falasse algo, mas não adiantava, nada saia daquele interrogatório. Roberto estava irado, nunca tinha sido duas vezes ameaçado pela mesma pessoa desde que tinha iniciado no crime, pois todos que ficavam em seu caminho eram eliminados, dessa vez sentia que o queriam ridicularizar, pois tinha acabado de decretar a vitória com a prisão do seu inimigo e a morte de alguns deles e estava sendo ameaçado como se estivesse perdendo; seu desejo era derrubar cada ponto de droga que tivesse no morro ao lado ao ponto de falir o tráfico naquele lugar, pensava em poupar os moradores que não aparecessem no seu caminho e no dos seus homens, mas quem tivesse a ousadia de fazê-lo morreria junto.
Roberto sabia que não podia fazer algo dessa magnitude sem antes estar com o tribunal do crime e subir com aliados, pois se o fizesse seria perseguido por seus parceiros e mesmo tendo muitos ao seu serviço, contra todos eles unidos ainda não tinha poder para lutar.
Ele estava do lado de fora observando e recebendo quem chegava, nunca ficava tão à vista como estava, mas olhava aflito para o morro a baixo, Roberto viveu uma vida sonhando com aquele morro e agora que era seu dono não deixaria que ninguém o tirasse; ele via de longe Juliana saindo de casa com um rapaz e sentiu algo no seu coração sem saber se era ciúmes, Roberto sabia quem era Eduardo, seus informantes tinham passado tudo sobre ele e que era da igreja dela, ele não sabia qual o envolvimento entre os dois, mas achava melhor assim, que ela estivesse com alguém que a entendesse e pudesse mantê-la longe de confusão. Mas no seu íntimo queria caminhar ao lado dela como Eduardo estava fazendo. Roberto pensava que por uns dias era bom tirar Juliana e os seus pais da comunidade, pelo menos até passar esse período de medo e pressão, ele pensava que tipo de namorado era esse que ela tinha arrumado que ainda não tinha se casado e nem andavam de mãos dadas, novamente se distraindo e pensando se era ainda virgem, ele pegava-se rindo com aquele pensamento, pois tinha a menina que queria e estava prestes a armar a maior guerra de conquista que o tráfico de drogas tinha visto no Brasil e sentia o seu coração se entristecer por ciúmes de Juliana e curiosidade em saber se ela ainda era virgem ou não, ele pensava que com certeza não estava racional, pensando em não dar em cima dela já que tinha um namorado, mas precisava dar um jeito de a convencer a sair dali por pelo menos um tempo já que não abria mão daquela pequena e velha casa por um lugar mais a baixo no morro.