Juliana e Eduardo seguiam para a igreja conversando no caminho, os dois se davam bem e conseguiam falar de qualquer assunto, ambos sempre tiveram uma boa relação, eram bons amigos e viviam no mesmo universo, falavam do mesmo assunto, por isso conseguiam ir em qualquer lugar juntos, os pais dela tinham ido de manhã e preferiram ficar descansado em casa, pedindo para que ela tomasse cuidado e não mudasse o caminho, pois continuavam com um pressentimento r**m.
Assim que entraram na viela que levava para a frente da igreja, Juliana sentiu o cano gelado encostando em seu braço, ficando arrepiada e sentindo o medo percorrer a sua espinha ao olhar para trás e ver o revólver, ouvindo confusa o homem mandar que ficassem quietos, ela conhecia aquele rosto, era o mesmo homem que estava perto de sua casa fazendo guarda, Eduardo também notou que era o mesmo, o que a deixou com mais medo ainda.
— Deita, deita, deita agora- disse ele para Eduardo.
— Calma- disse Eduardo com as duas mãos na cabeça enquanto se abaixava- O celular e a carteira estão aqui no bolso, mas libera a moça por favor, tira a arma dela. Nós somos pobres trabalhadores leva o que a gente tem aqui, mas solta a menina.
— Não é um assalto parceiro- disse ele olhando para Juliana- é um sequestro, então se deita aí e fica numa boa, sem escândalo se não sobe você e ela entendeu? Se tu correr atrás vou atira nos dois entendeu? Fica na sua.
- Já que é sequestro me leva então eu tenho mais dinheiro do que ela, meu pai paga o resgate, mas os dela são pobres se não vai arranjar nada.
Juliana sentia seu coração gelado, ela não sabia porque estava sendo sequestrada, ninguém subia o morro e pegava uma pobre que não tinha nada para oferecer, aquilo era contra os protocolos do morro, mexer com civil trabalhador era proibido, a não ser que tivesse provocado algo, o que não era seu caso.
Ela sentia a resposta para a agonia que sentia antes no olhar sanguinário daquele homem que a segurava pelo braço, entendo porque apenas o olhar o gerou tamanha agonia, ela até queria dizer alguma coisa, mas não conseguia, estava apavorada, o seu corpo todo tremia e a sua mente e os seus atos estavam congelados, ela ouvia Eduardo querendo o seu lugar e não conseguia defende-lo como ele fazia por ela, sentindo quando o homem deu um tranco em seu braço para que andasse e foi aos poucos levada por um novo caminho, ainda sem nenhuma reação ou defesa, Juliana apenas se deixava levar sem nenhuma resistência, vendo o homem encarando Eduardo até que sumissem se a sua vista, ficando com o olhar preocupado de Eduardo na sua mente, pedindo ajuda pelo olhar.
Ela não sabia no que pensar, nem para onde estava indo, ele abraçou-a com a arma em sua cintura por dentro de sua blusa, assim desciam o morro como um casal e ninguém desconfiava de nada enquanto ela se esforçava para não desabar em um choro profundo.
Eduardo tinha medo de segui-los e ver Juliana sendo morta por causa da sua desobediência, ele precisava se acalmar, seu corpo todo tremia e seu coração estava acelerado, a sua vontade era de reagir e atacar aquele homem com tudo o que tinha, mas ele temia mais por Juliana do que por ele mesmo, para Eduardo a vida dela valia muito mais do que a dele próprio, ainda que sua vontade fosse partir para cima do homem, sabia que não podia devido à arma de fogo que ele levava, então ele se conteve até os dois saíram de sua vista.
Eduardo estava confuso e amedrontado por causa de Juliana, não sabendo se continuava chegando até a igreja ou voltava e contava aos pais dela o que tinha acontecido, temendo que eles não aguentassem o que contaria e morressem, então entrou para a igreja, chamou algumas pessoas e contou o que tinha acontecido enquanto chorava preocupado com o seu amor, não entendendo porque sequestrariam Juliana se não tinha dinheiro e nem envolvimento com o crime, sendo aquele tipo de coisas inaceitável na favela, era como se o menino que pegou não soubesse que estava traçando um caminho para a morte, pois na lei do crime era proibido mexer com trabalhador, provavelmente aquele rapaz e seu mandate assinavam a sua morte, por mexer com um civil comum. Na igreja Eduardo foi acalmado, enquanto uns oravam outros o acompanhavam até casa dos pais de Juliana para dar a notícia prontos para irem até a delegacia mesmo sabendo que não teriam nenhum retorno, eles pediam a Deus que não apenas ela permanecesse bem como seus velhos pais suportassem a notícia sobre o sequestro da filha. Assim que a mãe de Juliana; dona Lilian abriu a porta e não a viu com Eduardo deduziu que algo tinha acontecido com ela já ficando desesperada enquanto todos entravam e passando a chorar.
— Calma dona Lilian- disse uma irmã a levando até o sofá.
-O que houve Eduardo? - perguntou ela- cadê minha Julia?
-Ela foi levada, sequestrada, o cara não pediu nem falou nada, só levou dona Lilian, ele estava armado, não pude fazer nada para impedir, me perdoa, eu não conseguir fazer nada.
Lilian passou a chorar com seu marido e Eduardo ainda que tentasse esconder a suas lágrimas mostrava-se visivelmente abalado.
— Dona Lilian- disse uma irmã da igreja- Viemos aqui para leva-los na delegacia, vamos todos juntos.
— Não- Disse o seu José, pai de Juliana- não vamos à delegacia antes de falar com o crime, na delegacia são quarenta e oito horas para procurar, no crime vai ser mais rápido.
Ninguém quis questionar a vontade de seu José, todos sabiam que a polícia falhava muito, também não tinham o acesso que o crime tinha de informações do que acontecia no morro e também sabiam que o Roberto chefiava aquele território e que não deixaria a amiga perdida.
Eles não quiseram demorar e rápido foram até o núcleo onde a central do crime ficava concentrada, perto da sua casa. Num ponto de venda foram parados por adolescentes que faziam a segurança do morro e o tráfico naquele local, vendo de perto que quanto mais se aproximavam maior ficava o armamento e a quantidade de jovens em trabalho.
— E aí- disse o adolescente que estava na frente daquele ponto a Eduardo que estava na frente- essa hora não é de visita crente não mano, volta para traz mano.