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810 Words
Isabela Depois de deixar o quarto de Dante, fui para o que ele havia designado como "meu". Era espaçoso, decorado com o mesmo luxo imponente que parecia preencher cada canto daquela mansão. Mas, por mais grandioso que fosse, a sensação de estar presa continuava me sufocando. Olhei ao redor, analisando o ambiente. Havia uma cama enorme no centro, com lençóis de seda que pareciam tão caros quanto desconfortáveis para alguém acostumada à simplicidade. Um armário grande, uma poltrona perto da janela e um banheiro que, pelo vislumbre, parecia maior que meu antigo apartamento. Suspirei. Eu precisava de um banho para esfriar a cabeça e clarear os pensamentos. Peguei uma toalha e fui para o banheiro, fechando a porta atrás de mim. O vapor quente me envolveu enquanto a água escorria pelo meu corpo, levando embora a tensão acumulada. Fechei os olhos, tentando organizar as emoções e os pensamentos, mas era impossível. Dante. Ele estava em todos eles, ocupando cada espaço da minha mente, como uma sombra que se recusava a ir embora. Por que ele fazia isso comigo? Por que insistia em me manter por perto? Eu havia dedicado minha vida a algo maior do que esse mundo perigoso em que ele vivia, e agora estava presa, sem ter para onde correr. Terminei o banho e enrolei a toalha ao redor do corpo. Passei as mãos pelo cabelo molhado e saí do banheiro. No entanto, assim que pisei no quarto, parei abruptamente. Dante estava lá, sentado casualmente na beirada da cama. Ele usava uma camisa preta de botões, parcialmente aberta, deixando à mostra parte de seu peito definido, e segurava uma garrafa de vinho com duas taças. Na mesa ao lado, havia uma bandeja com frutas, queijos e algo que parecia ser chocolate. Meu coração disparou. — O que você está fazendo aqui? — Perguntei, estreitando os olhos e segurando com mais força a toalha ao redor do meu corpo. Ele levantou a taça que estava em sua mão, como se estivesse brindando com o ar. — Pensei que você pudesse estar com fome — respondeu com um tom casual. — Eu não vou me divertir com você, se é isso que está pensando. Ele riu, um som baixo e rouco que me fez arrepiar. — Por que não podemos ter uma noite normal, Isabela? Você fala tanto que eu sou um monstro, mas se recusa até a ver um filme comigo. — Desde quando você vê filmes? — Retruquei, cruzando os braços e tentando ignorar a intensidade de seu olhar. Ele deu de ombros, o sorriso ainda no rosto. — Desde quando você está aqui, doutora Moratti. Minhas bochechas coraram, mas me mantive firme. — Você não vai me convencer a se casar com você. Ele se inclinou ligeiramente para frente, seu olhar fixo no meu. — Isso vai acontecer de qualquer jeito. Aquelas palavras me irritaram profundamente. Caminhei até ele, tentando manter a postura firme, mas meu coração estava disparado. Parei a poucos centímetros de distância e olhei diretamente em seus olhos. — Não vai. — Minha voz era firme, mas havia algo na proximidade dele que fazia minhas palavras parecerem mais fracas do que eu queria. Dante me encarou por um momento, e então, sem aviso, ele se inclinou e me beijou. O choque inicial me fez congelar. Seus lábios eram firmes, mas ao mesmo tempo surpreendentemente suaves. Uma corrente elétrica percorreu meu corpo, fazendo minha respiração acelerar. Meu instinto inicial foi empurrá-lo, mas então, algo mudou. Senti-me derreter sob o toque dele, como se algo que eu estava reprimindo há muito tempo finalmente tivesse sido libertado. Minhas mãos, que inicialmente estavam rígidas contra seu peito, deslizaram para seus ombros enquanto eu começava a corresponder ao beijo. Seus braços me puxaram para mais perto, e a toalha que eu segurava de maneira precária começou a ceder. Quando percebi que a toalha estava caindo, fiquei sem graça. Ele me soltou apenas o suficiente para me olhar, mas não fez nada para se afastar. — Eu paro ou continuo? — Sua voz era baixa, rouca, quase um sussurro. Meu coração estava acelerado, minha respiração descompassada. Não sabia o que dizer ou fazer. Estar tão vulnerável diante de Dante era assustador e excitante ao mesmo tempo. — Isabela? — Ele chamou, como se esperasse minha permissão. Fiquei paralisada, encarando-o. Estava vulnerável, envolta por uma tensão que nunca havia experimentado antes. Tudo em Dante era perigoso, e naquele momento eu sabia que ele era o tipo de perigo que eu deveria evitar. Mas meu corpo parecia discordar completamente disso. Puxei a toalha de volta para o meu corpo, tentando recuperar o controle da situação. — Boa noite, Dante — disse, tentando me afastar. Meu corpo queria ele, eu estava completamente arrepiada e querendo mais, só que se eu ceder hoje minha vida vai virar uma loucura maior do que já está.
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