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973 Words
Isabela Estava tudo decidido na minha cabeça. Eu não ficaria nem mais um minuto naquela mansão. Aquele homem estava completamente fora de si, achando que podia controlar cada aspecto da minha vida. Peguei minha bolsa e caminhei até a porta, pronta para sair dali. Mas, antes que eu pudesse passar pelos seguranças postados na saída, um deles ergueu a mão, bloqueando minha passagem. — Com licença, eu quero sair. — Minha voz era firme, mas por dentro eu estava tremendo. — Não posso permitir, senhora. — O segurança respondeu, inexpressivo. — Como assim, não pode permitir? Essa é a minha vida, e eu vou para onde quiser! — Ordens do senhor Valentini. — Ele disse, sem alterar o tom. Meu sangue ferveu. Eu podia sentir a raiva fervendo dentro de mim, e, sem pensar duas vezes, girei nos calcanhares e fui direto até onde eu sabia que ele estaria. Dante Valentini podia ser um tirano, mas eu não era uma de suas subordinadas. Eu era uma mulher com direitos, e ele precisava entender isso. Subi as escadas com pressa, meus saltos ecoando pelo corredor silencioso. As portas duplas do quarto dele estavam entreabertas, e eu não hesitei em entrar. O quarto era exatamente como eu imaginava: espaçoso, opulento e masculino. A cama king-size era coberta por lençóis escuros, e as paredes exibiam uma combinação de tons neutros e obras de arte minimalistas. No canto, havia uma cadeira de couro preto ao lado de uma estante cheia de livros e documentos. — Dante? — Chamei, mas não houve resposta. Foi então que ouvi o som da água corrente. Ele estava no banheiro. Suspirei, sentindo minha paciência se esgotar. Caminhei até a cama e me sentei, decidindo esperar por ele. Meu olhar vagou pelo quarto, capturando os detalhes que compunham aquele ambiente tão pessoal. Os pertences dele estavam organizados de maneira impecável, mas o que mais me chamou a atenção foi a mesa de cabeceira. Havia um relógio caro, um copo de uísque vazio e uma foto de um homem que parecia ser seu pai. Uma representação clara da pressão e do peso da herança mafiosa que ele carregava. Me perdi em pensamentos até que o som da porta do banheiro se abrindo me trouxe de volta. Olhei na direção do barulho e quase engasguei. Dante saiu do banheiro com uma toalha branca amarrada na cintura, gotas de água ainda escorrendo pelo peito e pelos ombros. Seu cabelo estava bagunçado, e o vapor que vinha do banheiro criava uma aura quase irreal ao seu redor. — Vai babar, Isa? — Ele perguntou, com um sorriso malicioso no canto dos lábios. — Ou prefere que eu te chame de Bella? Senti meu rosto queimar de vergonha, mas não deixei que ele percebesse. — Para você, é Isabela. — Respondi, tentando soar firme, mas minha voz tremeu levemente. Ele riu, um som baixo e rouco, enquanto pegava uma camiseta preta sobre uma cadeira. Ele não se apressou para vestir, e era impossível não notar a forma como os músculos de seus braços e peito se moviam. — O que você quer, Isabela? — Perguntou, finalmente me encarando. Respirei fundo, forçando-me a ignorar o fato de que ele estava praticamente nu diante de mim. — Quero saber por que os seus seguranças não me deixaram sair. Ele levantou uma sobrancelha, como se estivesse surpreso pela pergunta. — Porque eu não dei permissão. — E por que não deu? — Retruquei, cruzando os braços. Ele se aproximou, parando bem na minha frente. Sua altura era intimidante, e a proximidade dele fazia meu coração bater mais rápido. — Porque você vai passar a noite comigo. — Ele disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — O quê? — Perguntei, incrédula. — Não me olhe assim. — Ele respondeu, dando de ombros. — Você não é virgem, certo? Então acho que não precisamos de formalidades. Minha boca abriu e fechou algumas vezes, mas nenhuma palavra saiu. A ousadia dele era simplesmente inacreditável. — Você está completamente maluco. — Disse finalmente, levantando-me da cama e colocando distância entre nós. — Talvez. — Ele respondeu, com um sorriso perigoso. — Mas eu sempre consigo o que quero. — Isso não vai acontecer, Dante. — Respondi, apontando um dedo em sua direção. — Eu não sou um objeto que você pode simplesmente usar como quiser. Ele deu um passo na minha direção, e eu me recusei a recuar. — Não estou dizendo que você é um objeto, Isabela. Estou dizendo que você é minha. — Eu não sou sua! — Explodi, minha voz ecoando pelo quarto. Ele sorriu de lado, como se estivesse se divertindo com minha raiva. — Você pode dizer isso quantas vezes quiser, mas a realidade é que você já pertence a mim, quer goste disso ou não. — Você é um monstro. — E você é teimosa. — Ele rebateu. — Talvez seja por isso que eu gosto tanto de você. As palavras dele me pegaram de surpresa, mas eu não deixei que isso me distraísse. — Eu não vou passar a noite aqui, Dante. Ele suspirou, como se estivesse cansado daquela discussão. — Então volte para o seu quarto. — Eu não tenho um quarto aqui! — Agora tem. — Ele respondeu, apontando para a porta do quarto ao lado. — Mas, por enquanto, sugiro que você fique aqui. É mais seguro. Eu o encarei, tentando decifrar o que ele realmente queria. Mas, no fundo, eu sabia que ele não me deixaria ir embora. — Isso não acabou, Dante. — Disse, antes de sair do quarto dele, com o coração acelerado e uma mistura de raiva e confusão dentro de mim. Sabia que estava entrando em uma guerra de vontades com um homem que nunca desistia. E isso me assustava mais do que qualquer outra coisa.
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