Sofia
Depois desse dia cansativo, o Dr. Rafael veio com uma história que ia me explicar com detalhes o caso. Ele deve estar achando que eu sou uma vagabund4 que ele vai c0mer quando bem quiser, comigo não. Eu nunca faço isso de sair com um cara que m*l conheço, foi a primeira vez que me permito viver perigosamente e isso acontece. Esses homens só pensam com a cabeça de baixo. Nunca mais vai acontecer algo entre nós dois, eu já passei por isso em ambiente de trabalho e sei que não dá certo.
Quando estava advogando, acabei me envolvendo um colega do escritório. Foi só dor de cabeça, ele é um tóxico e eu até sai do meu emprego porque ele não me deixava em paz. Não vou cometer esse erro novamente, dessa vez serei prudente.
Estou no meio do meu treino e ouço uma voz grossa familiar falar comigo, só pode ser brincadeira. O cara treina na mesma academia que eu, e agora no mesmo horário também. Trocamos rápidas palavras e vou para a minha casa. Tomo meu banho e me preparo para o dia seguinte, tento desvencilhar meus pensamentos daquele pedaço de m*l caminho. Só consigo lembrar do toque da sua pele, dele respirando no meu pescoço e já sinto um arrepio. Eu odeio ser fanfiqueira.
Adormeço e começo meu dia normalmente, na manhã seguinte. Chego na delegacia e hoje está lotadíssima. Muitos casos de furto, é complicado ter que explicar para cada um que o boletim de ocorrência é online. m*l vejo aquele gostoso sem carisma e já chega a hora de ir embora. A semana corre dessa forma, até que o dia da operação chega. Colocamos nossas roupas e pegamos o armamento. Ele dá as últimas orientações e seguimos rumo ao local. Trata-se de uma investigação de tráfico de drogas, em uma casa no centro da cidade. Parece que produziam as drogas ali, além que existia um tribunal do crime no mesmo lugar, onde eles matavam traidores ou policiais infiltrados.
Chegamos no local e Rafael arromba a porta gritando os marginais, eles reagem e começa um tiroteio. Me escondo atrás de uma mesa de madeira e consigo acertar dois. Eles tem armamento pesado, armas melhores que as nossas. Por um segundo olho para o lado e vejo Rafael atirando na cabeça de um deles, mas o que me intrigou, foi que o rapaz já tinha se rendido e estava com as mãos na cabeça. Ele executou o homem, com frieza. Eu finjo que não vi e rendo os demais criminosos.
Apenas 2 dos 9 indivíduos saíram com vida. A cena era lamentável e eu sinto um amargor em saber que tirei a vida de duas pessoas, independente do que eles fizeram. Desci as escadas do local e fui respirar, quando Maurício aparece e pergunta se eu estou bem.
- Sofia, está tudo bem? Fez um bom trabalho, parabéns.
- Está sim, só adrenalina. – Falo e dou um sorriso.
Enquanto estávamos lá fora ouvimos dois tiros. Subimos correndo, pois Rafael estava sozinho com os delinquentes. Quando chego não consigo entender o que aconteceu alí. Os dois estavam rendidos, algemados.
- Eles reagiram, tive que intervir. – Rafael fala, sentindo a pulsação de um deles.
- Morreu. – Ele fiz sem emoção alguma e eu percebo que ele sente prazer com isso.
Não sei o que pensar, mas confirmamos as versões que eles reagiram, foi isso mesmo que aconteceu, mas aquela cena do outro rapaz rendido com as mãos na cabeça e mesmo assim sendo executado, não sai da minha cabeça.
Maurício e seu colega voltam em uma viatura. Vou na outra com Rafael em completo silêncio.
- Você está bem? Foi sua primeira operação, talvez tenha ficado um pouco chocada. – Ele fala quebrando o silêncio.
- Estou. É, complicado. Mas, tenho uma dúvida. Porque você atirou naquele cara mesmo quando ele já estava rendido? – Pergunto sem o menor medo.
- Fiz o que tinha que ser feito. Eles reagiram, depois que eles reagem, não tem volta. As únicas vidas que você tem que se preocupar durante uma operação, é a sua e de seus colegas. O resto não importa. – Ele fala com uma frieza absurda.
- E como você lida com esse pós operação? Como fica sua cabeça depois disso?
- Normal. É trabalho. Mas, se você precisar, tem a psicóloga da polícia. Alguns tiras ficam meio ruins da cabeça, com algumas operações. Ela pode ajudar. – Ele indica.
- Ah, eu já faço terapia. Toda semana.
- Porque? – Ele pergunta espantado.
- Porque cuidamos da saúde física tão bem, que esquecemos do nosso psicológico. Você já fez terapia? – O questiono.
- Já, mas não tive paciência de continuar.
- Entendo. – Olho no relógio e vejo que já são 21h, já penso que não vai dar tempo de treinar.
- O que foi que você está preocupada? – Ele percebe.
- Já são 21h, não vai dar tempo de treinar hoje. Depois de um dia estressante eu preciso treinar. – Me explico.
- O dono da academia me deixa treinar depois de fechar, eu vou hoje ainda. Se quiser me acompanhar.
- SÉRIO? NOSSA, EU QUERO. – Falo animada, até demais.
Chegamos na delegacia e fazemos todo o procedimento burocrático. Posso notar na ficha de todos que morreram, nenhum tinha apenas passagem por tráfico. Homicídio, latrocínio e até pedofili4. O que tinha passagem por pedofili4 era o mesmo que se rendeu e Rafael atirou mesmo assim. Acho que agora eu comecei a entender porque ele fez isso. Ele já sabia de todos esses crimes que eles tinham cometido, o seu plano nunca foi prendê-los, mas sim matá-los.
Saímos da delegacia e combino de encontrá-lo na academia. Fico repetindo para mim mesma não cair em tentação. O inimigo é sujo, preciso ser forte. Cada vez que olho para ele lembro daquela noite e agora vamos treinar juntos, com a academia fechada, provavelmente só os dois lá dentro. Afasto esses pensamentos e chego lá na porta, ele abre o cadeado da porta, para eu entrar.
- Vou trancar de novo por segurança. – Ele diz fechando a porta da academia com o cadeado e eu já começo a rezar para a testosterona despencar.