𝐈𝐈𝐈𝐈𝐈

962 Words
ApĂłs correr por tanto tempo, Madalena finalmente parou, os pulmĂ”es ardendo e as pernas trĂȘmulas de exaustĂŁo. Seus soluços escapavam descontrolados enquanto ela se apoiava em uma ĂĄrvore, o corpo frĂĄgil tremendo de medo. O silĂȘncio da floresta, quebrado apenas pelo farfalhar das folhas, parecia ao mesmo tempo ameaçador e protetor. A luz da lua cheia banhava o chĂŁo com seu brilho pĂĄlido, iluminando o caminho incerto que ela havia percorrido. Sem forças, ela deslizou atĂ© o chĂŁo, abraçando os prĂłprios joelhos enquanto as lĂĄgrimas molhavam seu rosto. Sua mente girava, ainda presa Ă  terrĂ­vel lembrança do que quase lhe acontecera. PorĂ©m, o silĂȘncio foi quebrado por algo mais: passos. Passos rĂĄpidos e firmes, que pareciam cada vez mais prĂłximos. O medo voltou a tomar conta dela. Procurando desesperadamente um lugar para se esconder, Madalena rastejou para trĂĄs de uma ĂĄrvore alta, tentando tornar-se invisĂ­vel. Segurou a respiração quando viu duas figuras emergirem entre as sombras da floresta. Eram estranhos. À sua frente caminhava uma mulher de rara beleza, com cabelos soltos que brilhavam sob a luz da lua. Ao lado dela, um homem alto, de porte imponente, cujos olhos amarelos cintilavam na escuridĂŁo. Nas costas dele, armas que pareciam saĂ­das de um conto de fantasias: lĂąminas curvas e instrumentos de aparĂȘncia mortal. Madalena sentiu algo que nĂŁo experimentava hĂĄ tempos: uma centelha de esperança. A presença deles, embora intimidadora, trazia consigo uma sensação de segurança que ela nĂŁo compreendia. Soluçou baixinho, mas antes que pudesse fazer qualquer movimento, uma sombra caiu sobre ela. Quando se virou, encontrou outro homem. Este era ainda mais alto que o primeiro, com cabelos negros que caĂ­am de forma desordenada sobre a testa. Suas roupas eram escuras, compostas por uma camisa de couro fechada atĂ© o pescoço com um blazer preto longo por cima e calças igualmente pretas, ambas adornadas com detalhes que brilhavam Ă  luz da lua. Havia algo nele que a fazia estremecer; seus olhos, de um vermelho profundo, brilhavam com uma intensidade assustadora, e uma coroa n***a repousava sobre sua cabeça, como se ele fosse algum tipo de rei sombrio. Antes que pudesse reagir, ele a segurou com força, erguendo-a do chĂŁo como se ela nĂŁo pesasse nada. Os olhos dele correram por ela, avaliando-a de maneira fria e calculista. Madalena seguiu o olhar e sĂł entĂŁo percebeu que estava semi-nua, o vestido rasgado expondo sua pele de forma que a enchia de vergonha. "Por favor... por favor, nĂŁo me machuque," implorou ela, a voz fraca e trĂȘmula enquanto tentava cobrir o corpo com as mĂŁos. Antes que ele pudesse responder, a mulher e o homem de olhos amarelos apareceram ao lado dele em um piscar de olhos, rĂĄpidos como o vento. "Solte-a, Demon!" ordenou a mulher, com firmeza na voz. "Ela nĂŁo parece bem. NĂŁo vĂȘ? NĂŁo Ă© uma espiĂŁ, olhe o estado dela!" continuou, dando um passo Ă  frente. Demon a lançou no chĂŁo sem cerimĂŽnias, fazendo com que Madalena caĂ­sse com um baque doloroso. Ela gemeu ao sentir o impacto, as lĂĄgrimas voltando a escorrer enquanto tentava se recompor. "Isso pode ser parte de alguma armadilha daquele nojento do Karlos," retrucou Demon, seu olhar voltando-se para Madalena com uma intensidade que a fez encolher-se ainda mais. O homem, dos olhos amarelos se aproximou dela, abaixando-se para encarĂĄ-la de perto. "Ei, calma. NĂŁo vamos machucar vocĂȘ. Apenas diga a verdade," disse ele, com uma voz mais suave. "Por favor, eu nĂŁo sou uma ameaça! Eu fugi de casa... Meu tio, ele... ele tentou... ele tentou me machucar. Ele sempre foi c***l comigo. Me batia, me tratava como empregada... mas hoje foi pior. Ele queria... queria me violentar. Eu sĂł consegui escapar porque o atingi com um jarro de vidro. Eu nĂŁo sou ninguĂ©m. SĂł quero ficar longe dele, de tudo aquilo. Eu nunca vou voltar para aquela casa. karlos Collins irĂĄ pagar, pelo que fez comigo. As palavras de Madalena vinham entrecortadas pelos soluços, mas eram carregadas de dor e verdade. Ela olhou diretamente para Demon enquanto falava, como se quisesse convencĂȘ-lo de sua sinceridade. Ele parecia perturbado por algo, mas sua expressĂŁo permanecia impassĂ­vel. "Espere. VocĂȘ disse... Karlos Collins?" perguntou Demon, agarrando-a novamente pelos braços com força. Madalena tentou resistir, mas nĂŁo havia como escapar de seu aperto. Ele inclinou o rosto para mais perto dela, os olhos vermelhos brilhando ainda mais. "Como foi que esse desgraçado conseguiu esconder de todos que cuidava de uma... ninfeta como vocĂȘ?!" Ela arregalou os olhos, assustada com a força em suas palavras, mas tambĂ©m com o calor que seu toque parecia transmitir. Era uma sensação estranha, uma mistura de medo e segurança. "Por favor, leve-me com vocĂȘ. Eu farei o que quiserem para provar minha inocĂȘncia, mas nĂŁo me deixem sozinha. Eu sei que vocĂȘ nĂŁo Ă© cruel... eu sinto isso," implorou ela, a voz sincera, mas carregada de desespero. Os olhos de Demon brilharam mais uma vez, agora fixos nela com uma intensidade quase sufocante. Ayra e Rafael trocaram olhares, mas nada disseram. Depois de um momento que pareceu durar uma eternidade, Demon a soltou, fazendo-a cair no chĂŁo mais uma vez. Ele retirou o blazer que usava e jogou-o sobre ela, cobrindo seu corpo exposto. "Silas vai levĂĄ-la para a prisĂŁo. Quero que fique lĂĄ atĂ© eu decidir o que fazer," declarou ele, com a voz fria e autoritĂĄria. Antes de virar-se, lançou um Ășltimo olhar para Rafael e Ayra. "Avisem a todos: quem encontrar Karlos Collins, traga-o vivo. Eu mesmo vou cuidar dele." Com isso, Demon desapareceu na escuridĂŁo, deixando Madalena para trĂĄs, confusa, assustada, mas estranhamente aliviada. O calor do blazer sobre seus ombros era reconfortante, e, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que talvez houvesse uma chance de escapar do pesadelo que havia sido sua vida.
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