𝐈𝐈𝐈𝐈

1167 Words
Duas semanas se passaram, e Madalena jĂĄ nĂŁo suportava mais a tensĂŁo que dominava a casa. Desde que seu tio Karlos recebeu uma misteriosa carta, ele parecia uma pessoa completamente diferente. Tornou-se imprevisĂ­vel, perigoso. SaĂ­a de casa sem explicaçÔes, e quando estava presente, seu comportamento oscilava entre o extremo da violĂȘncia e uma proximidade desconcertante. No dia anterior, ele havia cheirado os cabelos dela de forma perturbadora enquanto ela limpava a sala. O ato a deixou paralisada, mas, em um impulso de pĂąnico, ela tentou se afastar. A reação dele foi imediata e brutal: deu-lhe uma surra por ousar fugir de sua presença. As marcas em seus braços ainda estavam frescas, uma lembrança dolorosa de sua impotĂȘncia. Naquela manhĂŁ, as palavras que ele havia dito na noite anterior ecoavam em sua mente: "Hoje Ă  noite, no seu quarto, tenho uma surpresa para vocĂȘ. Vai gostar." A voz dele era baixa, quase suave, mas havia algo sombrio em cada sĂ­laba. Sem entender o que aquilo significava, Madalena passou o dia em casa, inquieta, tentando manter as aparĂȘncias. Fez suas tarefas como sempre, limpando a casa e preparando o almoço. Quando terminou de comer, decidiu tomar um banho demorado, tentando lavar o medo e a angĂșstia que pareciam grudar em sua pele. À tarde, tentou se distrair. Sentou-se na sala para assistir a qualquer coisa que pudesse ocupar sua mente, mas as horas pareciam se arrastar. Cada som na casa a fazia pular, cada passo de Karlos nos corredores fazia seu coração disparar. Quando a noite começou a cair, o desconforto se tornou insuportĂĄvel. Com um suspiro resignado, tomou outro banho, deixando a ĂĄgua quente escorrer por seu corpo, como se pudesse se preparar para o que quer que estivesse por vir. Vestiu algo simples, sem pensar muito, e caminhou em direção ao quarto. Agora, sentada na beirada da cama, as mĂŁos trĂȘmulas repousavam sobre o colo. Seus olhos fixavam-se na porta, cada batida do relĂłgio ressoando em seus ouvidos como um aviso de algo inevitĂĄvel. A promessa de Karlos estava prestes a ser cumprida, e o medo a consumia, mas ela nĂŁo tinha para onde ir, nem a quem recorrer. minutos se arrastaram atĂ© que Madalena ouviu passos apressados subindo as escadas. Seu coração disparou, e ela soube imediatamente que era ele. NĂŁo demorou muito para que a porta se abrisse com um rangido pesado, revelando Karlos com uma expressĂŁo sĂ©ria, os olhos fixos nela como predadores que avistam sua presa. "Ah, minha sobrinha linda... Como sempre, vocĂȘ nunca me decepciona," murmurou ele, a voz baixa e arrastada, enquanto se aproximava devagar. O olhar intenso fazia Madalena estremecer, mas sua inocĂȘncia a impediu de compreender de imediato o que estava por vir. "Tio... qual Ă© a surpresa?" perguntou ela, a voz carregada de umG ingenuidade que ele parecia saborear. Karlos esboçou um sorriso que gelou o sangue dela. Era um sorriso c***l, cheio de intençÔes obscuras, diferente de qualquer coisa que ela jĂĄ havia visto antes. Ele deu mais um passo Ă  frente, inclinando-se levemente sobre ela. "A surpresa? Ah, minha doce Madalena, a surpresa sou eu. Hoje, farei de vocĂȘ uma mulher," disse ele, a voz grave e quase melodiosa, como se quisesse enfeitiçå-la com as palavras. "Esperei por esse momento por tanto tempo, minha docinho. VocĂȘ nĂŁo entende? Vou fazer vocĂȘ sentir prazeres que nunca imaginou... EstĂĄ mais do que na hora de deixar de ser uma menina." Enquanto falava, seus dedos começaram a deslizar suavemente pelo braço dela. Cada toque a fazia encolher-se, um arrepio de puro pavor percorrendo seu corpo. O que antes parecia confuso agora estava claro como o dia. "Por favor, nĂŁo faça isso, tio!" implorou Madalena, com a voz trĂ©mula, lĂĄgrimas brotando em seus olhos. "VocĂȘ jĂĄ me tirou tudo... tudo! Deixe-me co menos ficar com isso. Eu nĂŁo quero, nĂŁo me obrigue, eu suplico!" Mas suas sĂșplicas caĂ­ram em ouvidos surdos. A expressĂŁo de Karlos rapidamente mudou para algo mais sombrio, e a paciĂȘncia que ele fingia ter se esgotou. Ele agarrou o braço dela com brutalidade e a atirou sobre a cama. "Pare de resistir, Madalena. NĂŁo faça isso ser mais difĂ­cil do que precisa ser!" rugiu ele, a voz agora carregada de impaciĂȘncia. Madalena começou a gritar, o desespero tomando conta, mas ele nĂŁo parecia se importar. Ele sabia que estavam isolados, longe de qualquer ouvido que pudesse ouvi-la. Ignorando seus protestos, Karlos segurou os dois pulsos dela com uma mĂŁo, prendendo-os firmemente sobre a cabeça. Com a outra, começou a explorar o corpo dela sem hesitação. Ele se inclinou, beijando-a Ă  força, os lĂĄbios esmagando os dela em um ato de puro domĂ­nio. Madalena lutava, debatendo-se com todas as forças que conseguia reunir, mas era inĂștil. O peso dele a prendia, esmagando qualquer esperança de fuga. "Karlos, por favor, pare! Eu imploro!" gritou ela, a voz rouca de tanto clamar por misericĂłrdia. Ele, no entanto, parecia cego e surdo aos apelos. O sorriso c***l retornou aos seus lĂĄbios enquanto ele descia os beijos para o pescoço dela, mordiscando e sugando sua pele com brutalidade. Com uma mĂŁo ainda segurando seus pulsos, ele usou a outra para puxar a roupa dela, expondo seus s***s Ă  força. O toque era agressivo, cheio de uma selvageria que fazia Madalena se contorcer de dor e vergonha. Ela chorava desesperadamente, implorando para que ele parasse, mas ele nĂŁo tinha intenção de atender. Continuava em sua descida pelo corpo dela, os olhos brilhando com uma lascivia doentia enquanto murmurava palavras que Madalena nĂŁo conseguia compreender em meio ao horror. Quando ela sentiu a mĂŁo dele alcançar sua calcinha, algo dentro dela se acendeu. Um grito primal de sobrevivĂȘncia ecoou em sua mente, dando-lhe forças que ela nĂŁo sabia que possuĂ­a. Num movimento desesperado, conseguiu soltar uma das mĂŁos e, sem pensar, pegou o pesado jarro de vidro que estava na mesa ao lado da cama, Com todas as suas forças, ela o lançou contra a cabeça de Karlos. O som do impacto foi seco e brutal, e ele cambaleou para trĂĄs antes de desabar no chĂŁo. Madalena nĂŁo perdeu tempo. O coração martelava em seu peito enquanto ela pulava da cama e saĂ­a correndo do quarto, os pĂ©s descalços batendo contra o chĂŁo de madeira. Desceu as escadas em disparada, ignorando a dor nos tornozelos ao pular degraus, e saiu da casa sem sequer olhar para trĂĄs. A porta da frente, para sua sorte, estava destrancada, e ela a abriu com um puxĂŁo desesperado. LĂĄ fora, a noite era escura e fria, a casa cercada pelo silĂȘncio pesado da floresta que a rodeava. Sem hesitar, Madalena correu para a mata densa, os galhos e espinhos arranhando sua pele enquanto ela avançava. AtrĂĄs dela, os gritos de Karlos ecoaram na escuridĂŁo, cheios de fĂșria e ameaça. Ela sabia que ele estava vindo, mas isso sĂł a fez correr mais rĂĄpido. O medo pulsava em suas veias como fogo, e a Ășnica coisa que ela sabia era que precisava continuar correndo. Sua vida dependia disso.
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