Alguns dias depois, o tempo em Londres seguia o mesmo cinza, imprevisível mas dentro do apartamento o clima era outro. Confortável. Quase doméstico demais para quem, semanas antes, m*l sabia como dividir o mesmo espaço sem discutir. Yara acordava primeiro agora. Não por obrigação, mas por hábito. Ficava alguns minutos observando Harry dormir, o rosto relaxado de um jeito que ele nunca permitia durante o dia. Às vezes se perguntava se era justo conhecer esse lado dele. Outras, só sorria e levantava em silêncio. Na cozinha, o café virara ritual. Yara mexia distraída nas coisas, cantarolando baixinho em português, enquanto Harry aparecia de camisa social aberta no colarinho, celular na mão, mas sem a pressa habitual. — Você não vai trabalhar hoje? — ela perguntou certa manhã. — Vou — el

