CAPÍTULO 7

2465 Words
Pego minha bolsa e saio do quarto. Vejo Christian vindo pelo corredor. Ele me puxa para meu quarto. Droga. - Você está me machucando. Digo me soltando dele. - Você não pode desrespeitar meus pais assim. - Desrespeitar? Agora ser sincera é um desrespeito? Digo. - Você está cansada de saber que na minha cultura você tem que acatar o que meus pais falarem. Não pode responder da forma que você respondeu. Dou de ombros. Quero que você peça desculpa. Começo à rir e ele me olha com raiva. - Não espere isso de mim. Falo com raiva. - Pois você fará, porque eles estão lá embaixo querendo que vamos morar com eles. Querendo que você se adeque às nossas tradições. E eu, Haya, não posso ir contra eles. São meus pais, é à minha família. Eu tenho respeito por ambos, assim como você deveria ter. Eu nunca falaria com à sua mãe da forma que você falou com eles lá embaixo, portanto ou você pede desculpas, ou à gente pode dar adeus ao seu país e à sua mãe. Suspiro com raiva. - O engraçado é que seu respeito se limita à sua família e não à mim. Digo passando por ele e descendo. Vejo meus sogros sentados na sala de estar com uma cara nada boa. Eles estão conversando na língua deles. Respiro fundo. Sogra, sogro. Os chamo e eles me olham com uma cara nada boa. Eu quero pedir desculpas. Não foi minha intenção ofender vocês. - Queremos que você faça os exames para saber o motivo de não ter engravidado ainda nesses dois anos. Carrick fala e eu olho para Christian que está parado do meu lado. - Tudo bem, mas eu posso dizer que se eu não engravidei nesses dois anos é porque eu me previno. - O que você quer dizer com isso? Você toma algum chá para não engravidar? Minha sogra questiona horrorizada. - Tomo anticoncepcional. Eles olham para mim e Christian com horror. - Você tem ideia do que você está fazendo menina? Tem ideia que você está matando vidas dentro de você? Isso no nosso país é crime. Elevo minhas sobrancelhas. Você só pode usar esse tipo de medicamento quando tiver filhos, e mesmo assim para evitar uma gestação atrás da outra. Fora isso não é permitido o uso desse medicamento para se evitar filhos. Christian, você sabe disso, porque deixou ela usar? Há canseira. - Mãe, aqui não é assim. Ana vem de uma cultura diferente. O difícil aqui é somente colocar à culpa no remédio, e não no falso do meu marido. - Mas ela casou com você, tem que se adequar aos nossos costumes. Por isso nunca concordamos que vocês viessem morar tão longe da gente. Ela tinha que conhecer nossos costumes para depois sair do nosso país. Minha sogra fala e eu suspiro. Quando foi que dei à minha vida para eles decidirem o que eu posso ou não fazer? Porque nesse casamento só eu estou perdendo? - Sentem-se. Carrick pede eu reviro meus olhos. Me sento contra à minha vontade. Você tem que parar de tomar esses remédios. Não digo nada. Parando ou não, não fará diferença, porque Christian nunca mais vai tocar em mim. Vocês tem que ter um filho. Você está me ouvindo Anastásia? - Sim Sr. Digo para benefício deles, porque se eu continuar casada com o filho deles, nunca teremos nada. - Queremos também que vá morar com à gente em Marrocos. Nossa família está toda lá, não faz sentido vocês dois ficarem aqui. - Me desculpe, mas isso não poderei atender. Eu tenho uma vida aqui, uma carreira. Eu não posso e nem quero desfazer dela. - Sua vida é à vida do seu marido. Você tem que se acostumar com isso. Grace fala me cansando mais ainda com essa conversa. - Mas ele casou comigo já sabendo sobre à minha vida, à minha carreira. Eu não posso simplesmente abrir mão disso para viver em outro país. - Você tem que se adequar aos nossos costumes. Carrick fala firme. - Pai, vamos fazer assim, Ana e eu vamos tirar umas férias em Marrocos, assim vocês poderão passar nossos costumes para ela. - Férias? Indago não gostando disso. - Sim, férias. Desde que nos casamos, você não tira férias do seu trabalho, acredito que chegou à hora disso acontecer. Meu marido fala firme e eu não digo nada. Só vai ser na cabeça dele essas férias. Ainda mais do lado dele. Não quero nada com ele. - Ótimo, está decidido. Quando vocês vão? Carrick questiona e eu suspirei me levantando. - Quando eu terminar meus projetos. Eu tenho muito trabalho para entregar. Na verdade daqui eu não saio mesmo. Eles não vão conseguir que eu passe tanto tempo com Christian. - Eu quero data Anastásia. Não queremos que passe mais tempo sem você se adequar aos nossos costumes. Minha sogra também se levanta nervosa. - Eu não posso dar data, prazo. Eu tenho muito trabalho, não posso largar isso aqui. - Você contratou um arquiteto, você não poderia deixar nas mãos dele? Meu marido fala, mas ele não vai conseguir o que ele quer. E outra como ele sabe que contratei alguém? - Não. À empresa é minha. Não contratei ele como sócio, mas sim como funcionário. Ele tem os clientes dele e eu tenho os meus. - Como será quando você tiver um filho? Minha sogrinha pede e eu estou tentando ao máximo não soar m*l educada. - Eu terei o tempo necessário para ficar em casa para ele. - Você quer dizer que não vai se dedicar cem por cento ao seu filho? Carrick pede. - Quero dizer que aqui às mulheres tiram um período para dar à devida atenção ao bebê. - Às mulheres aqui não cuidam dos seus filhos deixando à responsabilidade para outras pessoas. Minha sogra afirma e eu suspiro porque da mesma forma que é difícil para mim entender à cultura deles, eles passam pelo mesmo. Será bom você ir para nosso país, até mesmo que fique grávida lá porque podemos te ajudar à cuidar do meu neto. E te lembrando ou te avisando porque não sei se você sabe, mas qualquer coisa que aconteça com seu casamento com meu filho o filho de vocês é nosso, não é seu. Você não leva ele com você para lugar nenhum. Olho para Christian e depois para eles. - Tudo bem. Digo não dando à mínima do que eles falaram. Eu não terei nenhum filho com Christian, então não tenho com que me preocupar. Agora se estivessemos bem essa hora o tempo estava fechando. Acabamos? Vou ver minha mãe. - Que horas você volta? Há Christian, está aproveitando que os pais estão aqui para fazer valer seu direito de marido. - Na hora do jantar já estarei aqui. Digo e vou saindo. O segurança já abre à porta para mim e e eu entro me sentando. Ele entra e pega à direção. Eles acham mesmo que vou fazer tudo que eles querem, não vou mesmo. Nem que para isso eu tenha que afundar à minha cabeça no trabalho. Na casa da minha mãe cheguei e ela estava lá com um homem, nas verdade com dois, um mais ou menos da idade dela e outro mais novo. Não os conhecia. - Há filha, chegou. Achei que não viria mais. Mamãe fala se levantando do sofá e vindo me abraçar. Você está cada dia mais magra. Já disse para dar um pé na b***a desse seu marido e vir morar comigo. - Como se fosse fácil né mãe. Suspiro. - Pois é, foi casar lá no fim do mundo com um cara que não presta, deu nisso. O resto da vida presa com ele. Mas eu fugia dele se fosse você. Refazia minha vida longe daqui e longe dele. - Sonho mamãe, sonho que só fica à minha mente, porque ele me vigia noite e dia. Mas me diz quem são as visitas? Indaguei me desprendendo dela. Como vão? Digo me sentando e eles saúdam com um aceno de cabeça. - Deixa eu apresentar vocês. Mamãe fala animada. Esse é Bob Adams, nos conhecemos na Irlanda, e ele veio passar uns dias aqui. E esse é seu sobrinho Phillipe Adams. Meninos essa é minha filha Anastásia. - Prazer. Ambos falamos. - Sua mãe fala muito de você. Bob fala com os olhos brilhando para Dona Carla. Aí tem. - Imagino. Digo sorrindo para minha mãe. - E como não falar. Ana é meu orgulho. Sempre foi uma filha admirável, bem sucedida na sua vida profissional. À única coisa que desaprovei foi o casamento dela, mas fazer o que. Ela fez à escolha dela. - Nem tudo é perfeito. Digo me levantando. - Mas porque? O que houve? Você se casou e se arrependeu? Phillip questiona me olhando intensamente. Fico até sem graça com seus olhos sobre mim. - Vamos dizer que eu me casei achando tudo o mar de flores e quando vir só tinha espinhos. - E porque não se separa? Bob questiona e eu Sorrio. - Não é fácil você se divorciar de um muçulmano. Digo triste. - Você se casou com um muçulmano? - Sim. E pior nas leis deles. Mamãe afirma e eu suspiro. - Vou buscar um suco, alguém quer? Pedi e ambos balançaram à cabeça. Cheguei na cozinha e logo minha mãe chegou atrás. - Você está bem? Mamãe pede. - Na medida do possível sim mãe. - Você vai acabar ficando doente com essa tristeza toda. Suspiro. - Meus sogros estão aí. E sabem o que eles querem? Mamãe balança à cabeça em negação. Que tenhamos um filho, porque já estamos a quase dois anos casados e meu cunhado já vai para o terceiro filho e eu nada. Me perguntou se eu era seca. - Seca? Dona Carla pede elevando à suas sobrancelhas. - Sim mãe. No país deles às mulheres que não podem ter filhos são chamadas de secas. Ela até queria me levar ao médico para saber, e depois achou um cúmulo eu tomar anticoncepcional. - Fala sério Ana, esse povo é estranho. - Disse que eu estava matando vidas com esse remédio. Só não rir por respeito mãe, mas minha vontade era de rir e mandar todos à merda. - E como você vai engravidar se não dorme com seu marido? - Não sei mãe, que ele explique isso à eles, porque eu não faço questão de explicar. E outra querem que eu tire férias para ir para o país deles para aprender o costume e que eu engravide lá para eles cuidarem do meu filho. - s*******o esses seus sogros e seu marido. Mas você vai tirar essas férias? - Nem morta. Estou pegando trabalho atrás do outro, e continuarei assim. Eles não vão me tirar daqui. - Espero que você consiga filha, porque esse seu marido é louco. - Nem me fale. Suspiro e pego o suco na geladeira. - Você podia dormir aqui hein.Convidei os dois para se hospedar aqui e vamos ficar até tarde conversando. - Seria ótimo me distraí um pouco mãe. Aquela casa me sufoca, fora que na maioria das vezes estou no meu quarto. - Então fica. Tem roupas para você aqui. Podemos passar mais tempo juntas. Ela me abraça e eu dou um beijo em seu rosto. Eu te amo muito Ana, e lamento tudo que você esteja passando. Maldita hora que você não me escutou. - Me arrependo disso também mãe, mas eu não quero falar sobre isso. Vamos lá para sala. Voltamos para sala e nos sentamos. Começamos à conversar e Phillip não tirava os olhos de mim. Isso estava me incomodando. À última pessoa que me olhava dessa forma hoje é meu marido, e eu não quero nenhum homem tão cedo na minha vida. Só quero me separar e cuidar de mim. Ficamos até tarde conversando. Quando foi oito horas da noite que eu iria jantar com minha mãe e seus convidados, meu celular começou à tocar. Olhei o número e era Christian. Pedi licença e fui para o jardim. Não queria atender como todas às vezes, porém ele já veio aqui e fez o maior escândalo para me levar embora e eu não estou afim de passar isso de novo. - Oi. Atendo sem ânimo. - Cadê você. Ele pede irritado. - Estou na casa da minha mãe. E já digo que vou dormir aqui. - Não vai mesmo. - Vou, ela não está se sentindo bem e eu vou ficar com ela. - Nosso combinado não foi esse. Ele fala mais nervoso. Você me disse que estaria aqui na hora do jantar. Te dou meia hora para você está aqui, senão eu vou te buscar. - Eu não combinei nada com você. Você me perguntou e dei à resposta que seus pais queriam ouvir. Chama sua amante para jantar com vocês. - Não testa à minha paciência Anastásia. Se você não aparecer aqui dentro de meia hora, eu vou te buscar. Eu não me importo, você sabe que eu vou. - Porque você insiste em fazer da minha vida um inferno hein? O que eu fiz para você? - Você tem vinte e oito minutos. Ele desliga e eu suspiro cansada disso. - Está tudo bem meu amor? O jantar está pronto. Mamãe aparece atrás de mim e eu viro para ela. - Eu vou ter que ir embora mãe. - Há não. Aquele seu i****a te ligou? - Sim e já ameaçou vim aqui me buscar, então para não correr o risco de outro escândalo dele, eu prefiro ir embora. - Lamento. Vem almoçar com à gente amanhã. - Farei o possível. À abraço e passo na sala de jantar para me despedir dos convidados. Chego em casa e quando chego na sala os três estão lá sentados bebendo chá. Fecho meus olhos querendo afundar no meu quarto, porém eu não posso fazer isso. Hoje eu tenho que ser à boa esposa. - Que bom que você chegou Haya. Estávamos só te esperando. Christian diz como se não tivesse me ligado com raiva. Deixo minha bolsa em cima da mesinha e vou até o lavabo que tem perto da sal. Lavo minhas mãos. Vejo que eles foram para à mesa. - Como está sua mãe Anastásia? Grace questiona. - Com uma dor de cabeça, mas fora isso está bem. - Que bom! Voltamos ao silêncio total. Eu não estava afim de conversar e parecia que meus sogros estavam me analisando. Só pensava em acabar rápido para me recolher em meu quarto e me deitar. Espero que eles vão embora o mais rápido possível. Não estou afim de fazer esse teatro por mais tempo.
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