Eduardo voltou para perto dos seus amigos, e eu fiquei mais perto dos meus. Henrique ainda me olhava com aquele seu olhar de quem iria m***r alguém, fazendo-me achar graça. Tentei me aproximar algumas vezes, mas parece que ele havia criado uma barreira entre nós dois. E toda vez que ia para perto dele, de alguma maneira o mesmo se distanciava.
Aline estava toda animada com o seu novo amor, e dava para perceber isso no modo como ela estava agindo. Tentando não fazer nenhuma burrada. Sorrindo o tempo todo, e demonstrando o seu carinho para Jonathan, que respondia tudo isso na mesma intensidade. Queria poder ser assim também, mas parecia algo de outro mundo.
— Por que você e o Henrique não tentam? — Aline falou baixo, no meu ouvido.
— Acho que ele está bravo. — Falei, apontando para ele. — Toda vez que me vê falando com Edu, ele fica assim. — Continuei.
— Isso se chama ciúmes. — Ela comentou, e rimos.
— Estou começando a achar que é isso mesmo. — Respondi.
Tentei me aproximar mais algumas vezes, mas ele sempre arrumava um jeito de sumir. Então, deixei para lá e procurei me divertir o máximo possível. Além de brincar com todos, e sorrir para os mesmos. Eu, me mantive ali firme. Encarava ele em alguns momentos, e sorria sem parar. Talvez assim, ele me notasse e viesse conversar comigo.
— Henri, não vai embora. — Falei, enquanto ele estava de costas para mim.
— Quem disse que vou embora? — Perguntou.
— Toda vez que eu chego perto, você faz isso. — Falei, triste.
— Impressão sua. — Ele falou, irônico.
Não estava afim de levar patada, então lhe deixei ali falando sozinho, e fui em busca do meu quarto. Precisava tomar um banho. Todo aquele tempo na piscina, e de baixo daquele sol, havia me deixado super cansada. Só um banho, e minha cama me deixaria bastante relaxada para aguentar todos aqueles dias.
Me deitei em busca de que o meu sono viesse, e logo ele apareceu, adormeci. Comecei a sentir cheiro de cachorro quente, e quando abri meus olhos, lá estava Henrique com uma bandeja com dois cachorros quente, e duas latinhas de coca. Aquilo me deu água na boca, só de olhar, depois de ficar hipnotizada pela comida, voltei meu olhar para ele.
— Achei que estaria com fome. — Ele falou, sorrindo.
— Você achou certo. — Falei, retribuindo seu sorriso.
— Então, deseja fazer um lanche comigo? — Ele falou, parecendo um menino todo culto.
— Se me conceder este pedido. — Respondi, brincando.
Começamos a comer no quarto. Havia uma pequena mesa no canto, nos sentamos em volta e ficamos ali conversando e comendo.
— Por que você ficou daquele jeito na piscina? — Perguntei.
— Não gosto quando você fica muito perto do Eduardo. — Falou.
— Mas ele é só meu amigo. — Falei.
— É mais não precisam ficar de beijinhos e abraços toda hora. — Falou, bufando.
— Para com esse exagero menino. — Falei sorrindo.
Ficamos conversando, e claro Henrique não podia deixar de ser o menino mais teimoso da face da terra. Ele ficou reclamando da minha amizade com Eduardo, e dizendo que Edu gostaria que eu fosse muito mais que uma amiga para ele. Aonde esses dois estavam com a cabeça de cada um ficar insinuando coisas em relação a mim?
Fomos para fora do quarto, e o dia já havia se tornado noite, o céu estava estrelado, e a lua parecia estar mais perto de nós. Nos sentamos na rede, dessa vez, por acaso, de algum modo, fomos nós dois para uma rede só, mesmo com outras redes sobrando ao lado.
— Eu acho que agora seria o momento certo. — Falou do nada.
— Do que? — Perguntei, olhando em seus olhos.
— De um beijo, certo? — Perguntou.
— Por que seria o momento certo? — Perguntei.
— Porque agora não tem ninguém para nos interromper. — Respondeu, sorrindo.
Acho que ele percebeu que eu iria dizer alguma coisa, pois, me beijou antes de alguma palavra poder sair da minha boca. Era um beijo lento, que com algum tempo foi se tornando mais quente, e aumentando sua velocidade. Uma vontade extrema tanto de mim, quanto dele.
Ficamos lá trocando beijos, e carinhos na rede. Ouvimos barulhos de passos, e nos afastamos a certo ponto, e nossa respiração estava ofegante. Estava começando a gostar de tudo aquilo, e acreditar no que Eduardo me disse na piscina. Meu coração começou a acelerar um pouco mais rápido do que o normal.
— Posso te pedir uma coisa? — Perguntei.
— O que você quiser. — Ele respondeu.
— Não conta para ninguém. Do beijo. — Falei.
— Por que não? Tem vergonha de mim? — Ele perguntou, parecendo chateado.
— Não é isso. Só que eu quero ter certeza. É tudo novo para mim. — Respondi, e ele sorriu.
Eu sei que para ele era bastante estranho tudo isso. Sobre eu querer manter segredo sobre o nosso "relacionamento", quer dizer, nem isso havia se tornado. Foram só alguns beijos. Mas, fazia tempo que esse tipo de coisa acontecia comigo, e queria me preservar. Por mais que achasse que estava gostando dele.
Estava perdida nos meus pensamentos, imaginando nós dois juntos, e como seria quando todos soubessem que estávamos juntos? Seria totalmente diferente para mim. Poder ir na casa do meu namorado nos fins de semana. Ter para onde sair, e principalmente estar acompanhada de um menino.
— Gabriela? — Ele perguntou.
— Oi Henri. — Respondi.
— Aline nos chamou para ir até a praia, vai ter um luau, vamos? — Perguntou.
— Claro. — Respondi.
Nós descemos juntos, e fomos abraçados até a praia. Quando chegamos lá nos separamos, mas sentamos lado a lado. Aline estava ao meu lado com Jonathan, ele abraçava ela. Estávamos todos em volta da fogueira, ouvindo as músicas que os meninos cantavam.
Depois de algumas músicas, os meninos decidiram que era a hora de Henrique tocar uma música. Ele ainda não tinha me dito que tocava violão e muito menos que sabia cantar, me deu até uma pequena inveja. Ele pegou o violão e se concentrou por alguns segundos, e depois começou a tocar Jorge e Mateus — Aí Já Era.
— Para pra pensar. Porque eu já me toquei. Eu te escolhi. Você me escolheu, eu sei [...] — Ele começou a cantar, e quando dei conta, todos cantavam na roda.
Ele não deixou de me olhar nem um segundo sequer durante a música. Acho que as pessoas que estavam em volta perceberam, porque todos ficavam nos olhando. Aline me deu alguns cutucões com o cotovelo. Nada me distraía do seu olhar, e da música que estava cantando, para mim.
— E aí já era. É hora de se entregar. O amor não espera. Só deixa o tempo passar. E fica pro coração. A missão de avisar. E o meu tá dando sinal. E tá querendo te amar [...] — Continuou.
Depois devolveu o violão para Oscar, e tentei não olhar muito para ele, mas era inevitável. O sorriso não saía mais dos meus lábios, muito menos dos dele. Era bom a sensação de ter alguém que estava realmente gostando de você.
— Você gostou? — Ele perguntou, baixinho no meu ouvido.
— Todos nós gostamos. — Respondi.
— Mas, quero saber, você em particular, o que achou? — Perguntou, novamente.
— Eu adorei. Você tem uma voz incrível. — Respondi, sorrindo.
Nós ficamos lá, escutando mais algumas músicas que os meninos resolviam cantar. Estava cansada e sonolenta. Apoiei minha cabeça no ombro dele, e ele colocou seu braço por trás de mim. Se os meninos não tivessem parado de tocar, acho que teria dormido ali. Nos despedimos, e fomos de volta para o hotel. Ele me deixou na porta do meu quarto, e se despediu com um beijo rápido, para que ninguém visse.
Fui me deitar, já sonhando acordada com tudo que estava acontecendo. Meu Deus, quem diria que uma viagem de férias, iria se tornar tudo em apenas alguns dias. Era felicidade demais, e precisava compartilhar com alguém. Mas esse alguém insistia em demorar de voltar para o quarto. Ouvi a maçaneta da porta girar, e pensei que era Aline, mas era Larissa, que chegava com um sorriso bobo no rosto.
— Alguém está feliz. — Falei.
— Não é só eu. — Ela respondeu, apontando para mim.
— Como estão as coisas com o seu novo namorado? — Perguntei.
— Ricardo não é meu namorado, estamos apenas nos conhecendo. Mas, está tudo indo bem. — Falou, completamente boba com o assunto.
— Que bom então. — Respondi.
— E você e o Henri? O que está rolando? — Perguntou interessada.
— Nada demais, somos amigos. — Falei, disfarçando.
— Aham, sei disso. — Ela olhou, e deu uma pequena piscada, indo para sua cama.
Não consegui conversar com Aline naquela noite, provavelmente quando ela chegou no nosso quarto, eu já estava dormindo. Foi então que percebi, que desde que chegamos no hotel, não tiramos nenhum tempo para ficarmos sozinhas, ou conversar. Ela só queria ficar com Jonathan, e poderia ser egoísmo da minha parte querer ela comigo, mas eu sentia falta.
Acordei com alguém por cima de mim, e achei que era Henrique. Mas acordei com Aline, me abraçando fortemente. Será que ela leu meus pensamentos? Ela sorria feito boba e não queria mais me soltar.
— O que aconteceu? — Perguntei.
— Estou com saudades. — Ela falou, fazendo bico.
— Você com saudade? Nossa, olha só o que um namorado faz com as pessoas. — Falei, de deboche.
— Para com isso sua palhaça, senti sua falta sim. — Ela falou.
Estava feliz com ela ali comigo, dizendo principalmente que sentia minha falta. Tomei um banho, coloquei um biquíni amarelo e um vestidinho branco por cima, e nós descemos para tomar o café. Larissa não estava mais no quarto, então fomos só nós duas. Sentamos em uma mesa separada dos meninos, e percebi que Aline nem se interessou em cumprimentar Jonathan, que ficou olhando para ela confuso.
Começamos a tomar o café, e comecei a contar sobre Henrique, e tudo que estava acontecendo entre nós dois. Acho que ele desconfiou que estávamos falando dele, pois, parecia prestar bastante atenção na nossa conversa, mesmo em outra mesa. Não deixava de nos olhar, muito menos Jonathan. Quando Aline se levantou, foi dar um beijo em Jonathan, que pareceu tirar um peso das costas.
— Ele deve ter ficado com medo que eu não quisesse mais nada com ele. — Ela falou, rindo.
— Imaginei. — Falei.
Dei um pequeno olá para todos os meninos que estavam na mesa, para não tem que ir cumprimentando de um e um. Acho que Henri sentiu falta de um beijinho, nem que fosse no rosto, pois, ficou me olhando com a testa franzida. Após isso, apenas eu e Aline fomos para a piscina sozinhas. Quando chegamos lá, havia muitos meninos na piscina e alguns começaram a assoviar, e nós duas começamos a rir.
Me sentei na cadeira, e Aline fez o mesmo na cadeira ao lado. Começamos a passar protetor solar, e depois uma passou nas costas da outra. Ficamos deitadas lá, pegando um sol, e esperando que alguém aparecesse para se juntar a nós.
— Que palhaçada é essa? — Jonathan perguntou, parecendo furioso.
— Não estou entendendo. — Aline respondeu.
— Você pensa que eu não vi, os meninos da piscina mexendo com você e agora você aí de b***a para cima. — Ele reclamou, raivoso.
Aline ficou sem ter o que dizer. Henri estava ao lado de Jonathan e também não estava com uma cara boa. Acho que logo depois viria uma bronca para Gabriela também. Jonathan parecia cada vez mais bravo, falou mais algumas coisas e saíram. Aline ficou chocada com tudo que ouviu, e em um momento achei que ela choraria ali, mas se recompôs e continuou fazendo a mesma coisa.
— Quem ele acha que é para falar assim comigo? Nós nem estamos namorando. — Ela reclamou.
— Ele só ficou com ciúmes, é normal. — Falei.
— Isso não significa que ele pode ficar explodindo desse jeito, a hora que não gostar de alguma coisa. — Ela continuou.
— Pelo menos, agora você sabe que ele gosta mesmo de você. — Falei e pude ver o sorriso formar em seu rosto.
Ela levantou-se de pressa e foi procurar Jonathan para os dois poderem conversar com melhor sobre o assunto. Aline saiu toda animada, nem parecia que tinha acabado de levar um xingão. E como sempre, eu fiquei sozinha lá. Ouvi alguém se aproximar, era Henri que se sentou ao meu lado.
— Eu também não gostei nada disso. — Ele falou sério.
— Não vai querer me dar um sermão igual o Jonathan deu na Aline, né? — Perguntei.
— Claro que não vou falar nada, nós somos apenas amigos. — Ele respondeu, e aquilo chegou a me doer o coração.
— Você tem razão, nós somos amigos. E não tem nada haver. — Falei, sorrindo fraco.