CAPÍTULO 03

1045 Words
Luana acordava confusa, ouvia vários barulhos e não conseguia distinguir o que estava acontecendo. Ao abrir os olhos viu Vera fechando a porta do quarto e abafando um pouco daquele do barulho. Ela vestia um roupão rosa salmão e uma toalha da mesma cor estava enrolada em seus cabelos, parecia feliz e tranquila. “Não sabia se podia te acordar, corri cedo para o banheiro e me arrumar com calma porque agora lá está cheio” Ela olhou para a hora percebendo que estava atrasada e correndo do jeito que estava seguiu para o banheiro, o lugar era perturbador, Luana sentia vários odores ao mesmo tempo e a audição aguçada estava a enlouquecendo, ainda assim ignorou o que sentia e entrou para foi em direção de uma ducha vazia, fechando a porta enlouquecida. Luana não conhecia o motivo da sensibidade, mas sabia que era algo seu e de sua família, pensando que teria que lidar com aquilo já que estaria em lugares lotados todos os dias. Enquanto se ensaboava ela sentiu os pelos de seu corpo arrepiarem e logo o cheiro da noite anterior que aquele grupo transmitia tomava suas narinas, ela sabia que as mulheres estavam no banheiro, mas não entendi porque aquela presença a atordoava. Luana tentou se concentrar no banho, bloqueando os estímulos sensoriais intensos que a rodeavam. Ela fechou os olhos, respirou fundo e focou em sentir a água morna escorrendo pelo seu corpo. Por um momento, conseguiu abafar os odores e os ruídos, permitindo-se relaxar. No entanto, a sensação de desconforto persistia. Ela sentia como se houvesse uma energia estranha pairando no ambiente, algo que não conseguia explicar racionalmente. Quando terminou o banho, Luana saiu do chuveiro e se enrolou na toalha, hesitando em abrir a porta do banheiro, dando de cara com duas daquelas meninas paradas em frente a porta que estava a olhando de forma intimadora. Luana sentia algo estranho, era como se até os cabelos de sua cabeça estivessem ficando arrepiados com aquilo, enquanto o corpo formigava, sentindo algo estanho até nas unhas, mas percebendo a indiferença no olhar delas que não direcionaram a palavra, se esquivando atordoada e seguindo para o quarto sem olhar para traz. “Corre” disse Vera a ouvir que Luana estava no quarto, “se não for se atrasar te espero”. Luana se arrumou rapidamente, não precisava fazer muito, pois era bonita e chamativa por natureza, onde andavam a altura de Luana chamava atenção e olhares, a fazendo corar enquanto Vera curtia o fato de estar sendo admirada junto com a amiga. Elas foram em busca de seus armários, estavam animadas, as duas estavam ingressando na faculdade de medicina, tinham sonhos e planos que pareciam estar se tornando real a partir daquele momento. Assim que o fizeram seguiram em busca da sala, onde Luana avistou um daqueles jovens que lhe geravam desespero, sentado no fundo formavam um trio. Era nítido que eles a encararam enquanto se arrumava com Vera no meio da sala e durante a aula não precisou olhar para traz, pois sabia que estava sendo observada por eles. No final da aula Luana se despediu da amiga e saiu correndo inventando uma mentira para respirar um pouco, seguindo para fora no gramado em um canto separado e respirando aliviada por não sentir aquela presença que fazia seu coração tremer. Ela fechou os olhos pensando no que estava acontecendo enquanto permitia que sua pele fosse aquecida pelo sol, temendo a si. Luana ouvia o caminhar das pessoas, sentia seus odores e presenças, era acostumada em ser diferente e não via nenhum m*l nisso, mas o que mais a incomodava era que pela primeira vez tinha encontrado pessoas que pareciam com ela fisicamente, o que poderia ser uma coincidência se não ficasse atordoada na presença deles. “Você não pode ficar ai” disse um rapaz fazendo com que ela abrisse os olhos “Sou Gerson” se apresentou dando a mão para ela. “Luana” respondeu o medindo e observando que era um homem, grande, forte, moreno e bonito, “Por que não posso ficar aqui?”. “Porque aqui não ficam pessoas como você” respondeu apontando os alunos ao redor fumando. “E como sou eu?”. Luana sorriu ao perceber que Gerson havia se intimidado com sua pergunta e ficado sem graça, ela não sabia explicar como acontecia, mas conhecia antes mesmo de conviver, sentindo que ele não era uma má pessoa. “E você Gerson é do tipo de pessoa que fica por aqui?”. “Não, só vim respirar mesmo e te encontrei no meu lugar”. “Entendi” disse ela sorrindo “Vou devolver seu lugar e voltar para a aula”. Luana saiu andando e depois de um tempo olhou para trás e viu Gerson encarando sua b***a, sentindo uma leve excitação com isso. Ela não tinha muita experiência com homens, mas sabia que seu biótipo era atraente, rinha ficado com uns meninos na adolescência, mais por curiosidade do que vontade, porém tinha pensado que na faculdade poderia conhecer garotos ou homens adultos e atraentes que a proporcionasse experiência e talvez até um relacionamento, pensando em ser um tipo mais ousada e não tímida e oprimida como tinha sido na adolescência e Gerson parecia um bom partido. Luana caminhou para a sala ciente de que entraria atrasada, o que agora parecia pior do que aguentar a pressão da presença daquele trio a esmagando. Ela entrou silenciosa e envergonhada por causa de alguns olhares que logo se perderam, olhando para o barulhento Gerson que entrava e sentava do outro lado da sala a fazendo rir. Luana não sabia dizer se ele estava ali quando ela saiu e se o seguiu ou se encontraram sem querer, mas queria o agradecer por aliviar sua atenção, retribuindo o olhar dele comum largo sorriso. “Que isso” Perguntou Vera sorrindo “o que está acontecendo? ”. “Também não sei” Respondeu ela pegando seu caderno, dando mais uma olhada para Gerson e depois para o trio atrás dela, observando que um deles a olhava, sentindo novamente a pressão, mas se esquecendo prestando atenção na aula e em Gerson que realmente era um cara bonito e atraente.
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