CAPÍTULO 04

1102 Words
Assim que a aula saiu as duas saíram animadas com seu primeiro dia, com pensamento em como seria a primeira noite oficial delas na vida. Ambas estavam ansiosas planejando a noitada, Vera queria encontrar com os irmãos de Luana, enquanto ela nem queria os ver. As duas conversavam na grama, esperando acontecer assim como nos filmes e serem convidadas para alguma festa, mas até então pareciam invisível. “Não vira” disse Vera mudando a feição”. “O que houve, o moreno está vindo para cá?” . “Não é ele não, dá uma disfarçada e vira devagar”. Luana tomou um susto ao observar que um dos rapazes do trio a olhava sem piscar, sentindo novamente aquele arrepio subir no corpo enquanto seu coração acelerava. “Nunca vi eles separados” Disse Vera, “algo me diz que ele vem falar com você, nunca os vi sozinhos, nunca os vi falar com alguém de fora do âmbito deles, o que será que ele quer?” “Não sei” respondeu Luana segurando no braço dela, “Não quero descobrir”, ela a puxou e sem olhar para traz começaram a andar fingindo que não tinham percebido que ele se aproximava, passando pelas meninas que estavam com eles noite passada e seguindo sem parar. “O que deu em você, poderia ser um convite de festa, não era disso que estávamos atrás?”. “Algo me diz que as amigas dele não iria permitir que isso acontecesse, foi você que disse que eles não socializam”. “Faz sentido, aquelas garotas são muito estranhas”. As duas olharam para traz, estavam distantes mas Luana conseguia ver perfeitamente o rapaz a olhando enigmático. Ela sentou na grama atrás de uma arvore, repousando suas costas e ajudando Vera a sentar também, esperou que a nova amiga encostasse as costas e disse: “Conta um pouco sobre sua escola, sobre eles, fiquei curiosa”. “Sou de uma cidade pequena do interior” respondeu Vera sorrindo “eles também, só o que sei é que moram dentro da floresta, é como se fossem uma tribo de índios entende? Eles moram com os seus e não recebem ninguém de fora, se casam apenas com os seus, socializam apenas entre si, são muito inteligentes e fortes, todos estão aqui por causa de bolsa de estudos, é o que sei, não tenho nenhum m*l para falar deles. Quando vi você entrando no quarto ontem pensei que era uma deles que não conhecia ainda e tive medo, são muitos parecidos.” “Impressão sua” desconversou Luana percebendo que era nítido como parecia com eles fisicamente. “Encontrei você” disse Gerson se aproximando das suas. “Aqui também é um lugar seu?”. “Não, e nem aula de medicina, mas precisava te olhar mais um pouco”. “Você não faz medicina” Perguntou surpresa. “Não, faço marketing, mas valeu cada segundo respirar o mesmo ar que o seu”. “Temos um galã” disse Vera sorrindo “Espero que ele tenha amigo e um convite de balada para a noite”. “Consigo os dois”. “Está marcado”. “O que está marcado?” perguntou Luana fingindo que não estava entendendo “Encontro vocês a sete na frente do campus”. As duas apenas sorriram enquanto viam Gerson se distanciar, finalmente conseguiram o que queriam e correram para o dormitório na intenção de se arrumarem cedo com o banheiro vazio. Elas faziam seus planos felizes quando novamente viram o rapaz do trio em frente a porta do dormitório, Luana pensava que ele poderia estar fazendo qualquer coisa naquele local, que não tinha ligação com ela, se sentindo novamente atordoada com aquele cheiro, não sentia medo como na última vez, e sim atração, algo feroz gritava dentro de si, que tentava desviar o olhar mas não conseguia. “Posso falar com você?” perguntou ele se direcionando a Luana “Será rápido”. “Claro” parou ela sem graça e olhando com medo para Vera. “A sua essência é surpreendente, quero te conhecer, conhecer seus anciões e raça, saber mais sobre você”. “Não entendo” respondeu ela confusa, tentando conter o desejo de pular no pescoço dele e o beijar. “O que faz com essa” Perguntou uma amiga dele asperamente “Se afaste dele”. “Eu?” respondeu com raiva do tom agressivo “Estou na porta do meu dormitório, quem tem que se afastar é ele que está aqui atrás de mim” ela se aproximou provocativa, não tinha motivos para ter raiva da menina, mas esse sentimento pulsava com tanta força que não conseguia conter “Se ele é seu namoro, se resolva com ele, grite com ele e não comigo espero que tenha sido a primeira vez e a última. Luana saiu andando deixando os dois para traz tentando entender os sentimentos que tinha vivido em tão pouco tempo, minutos atrás estava sentindo o corpo gritar com intensidade de desejo por aquele rapaz, era algo que nunca tinha sentido, nem mais cedo por Gerson e a minutos depois explodia de raiva por uma pessoa que não conhecia, como se fosse sua inimiga mortal. Sem entender Luana caminhou para o quarto torcendo para que a menina não a agredisse pelas costas e as duas brigassem, ainda que soubesse que se o fizesse sentira sua presença se aproximando, ela caminhava com a cabeça baixa para não olhar as pessoas olhando-a, naquele momento o que Luana queria era estar escondida e protegida por sua mãe e não agir impulsivamente como fez, percebia que naquele lugar algo estranho a incitava e que tinha ligação com aquelas pessoas. Ainda que tivesse curiosidade sabia que não estava ali para se envolver em confusão e sim para aproveitar a oportunidade de sair de baixo das asas de sua mãe, se tornar uma excelente médica e ajudar em todos os lugares que conseguisse ir e explorar a vida e a medicina, mas sabia que se não desse conta da faculdade, sua mãe não a deixaria nunca mais sair de perto dela, ficando presa para sempre aos negócios da família naquela cidade. Luana morava em nova York, nunca saiu da cidade para nada, os poucos familiares dela também moravam e perto, trabalhavam juntos, tinham um negócio de vendas que crescia cada vez mais, não viajavam, não tiravam férias, Luana os via como escravos de si mesmo e não queria aquele fim para ela.
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