Michael
Eu tentei me controlar a noite toda para não chegar muito perto da mulher que, a pouco eu descobri que se chama Marciana. Ela não parece ser nada fácil, mas eu sou um homem que gosta de coisas difíceis, a prova disso é eu ser casado com a Mab.
Ofereci uma bebida, a qual ela queria recusar, mas sua amiga aceitou sem ao menos deixar ela terminar a frase do “NÃO QUERO”. Não demorou muito para que nós dois ficássemos a sós.
E ali eu vi a minha primeira oportunidade surgir, ela foi ao banheiro depois que terminou de deixar tudo limpo e organizado. Acabei de beber o último copo de gin que estava sobre a mesa e ao ouvir seus passos apaguei as luzes, dando assim a impressão que eu já havia ido embora.
Esperei por trás das cortinas vermelhas que ficam próximas a porta de vidro, quando ela se aproximou para fechar a porta eu a puxei pelas mãos e a surpreendi com um beijo lento, que ela retribuiu no mesmo instante.
— Sabia que eu poderia te denunciar por assédio, sabia?
— Quer uma carona até a delegacia?
— Vai se ferrar. Você não deveria ter feito isso. É sério!
— Me desculpa, mas eu não me controlei e a desejei assim que te vi. Me desculpe, de verdade. — Estávamos afastados o bastante um do outro, enquanto ela me olhava com uma cara brava.
— Quer dizer então que você beija todas as mulheres só porque sente vontade? Deixa de ser babaca e aprende a respeitar mais as pessoas, seu i****a. — Eu fixei os meus olhos nos dela, a sua respiração está ofegante, assim como a minha.
Eu me aproximei mais dela enquanto ela dava passos lentos para trás, até que esbarrei no balcão onde estava meu copo vazio e meu celular que eu acabei esquecendo. Agora ela quem estava encurralada e sem saída.
— Eu não saio beijando todas as mulheres, se quer saber, eu não beijo ninguém assim há anos.
— o que você quer, hein? — Ela pergunta enquanto dar as costas pra mim caminhando novamente até a saída da boate, que desta vez iria realmente fechar.
— Eu preciso mesmo falar? Eu quero você Marciana. Quero você desde o momento em que te vi, e não estou falando isso porque eu bebi, mas sei lá… eu só a desejei assim que a vi. — Isso era estranho até para mim, porque eu nunca me senti atraído tão rapidamente por alguns dessa forma, como me senti quando a vi.
— Acontece que eu não estou à sua disposição e até onde eu sei você é casado, Michael. Acho melhor sair porque eu também quero ir embora e eu não irei pedir com essa educação toda novamente. Ah, outra coisa; também não quero problemas com a sua mulher e sugiro que não venha mais aqui. Agora vai embora!
— E se eu não for? — Pergunto chegando mais perto de seu rosto, chego a sentir sua respiração ofegante. — Eu só quero um pouco de diversão, será que estou pedindo demais? Sei que você quer o mesmo que eu, Marciana.
— Olha aqui… — Ela põe o dedo no meu rosto, o que torna esse momento mais atraente. — Você teve o tempo suficiente hoje para escolher qualquer garota que estava aqui, não enche a droga da minha paciência, por favor! Eu estou até sendo legal em te pedir por favor. Mas estou falando sério, preciso ir embora e você também.
— Mas eu não quero nenhuma delas, nenhuma conseguiu chamar minha atenção tanto quanto você. Por isso esperei até que você ficasse sozinha para que assim pudesse conversar com você melhor.
— Eu não estou disponível no momento, nem estarei nunca para você! — Ela fala com uma certa firmeza na voz o que me deixa ainda mais atraído por ela, mesmo nunca tendo a visto antes.
— Qual é o seu problema? Dinheiro? Quanto você quer? É só dizer que eu pago!
— Eu não quero nada seu, apenas que fique bem longe de mim. Sei a fama de sua família e principalmente a fúria de sua mulher, agora vamos... — Ela puxa meu braço para fora da boate, enquanto desliza a porta de vidro para fechar com chave. — E se me oferece dinheiro novamente, eu vou mandar você enfiar no meu do seu…
— Só uma noite? — Pergunto ao mesmo momento em que pego em sua mão e a faço olhar em meus olhos.
— Já disse que hoje e nem nunca eu estarei disponível para você, assim como eu também não sou um objeto. Ah... uma última coisa: eu não me envolvo com homens casados, agora se me permite… — Ela me dá as costas e sai caminhando a pé pelas ruas vazias e desertas. — Você é insistente, geralmente esse tipo de homem não me atrai também.
Marciana
Não achei que eu iria fechar a boate hoje e pra completar o meu dia que foi bem péssimo ainda está chovendo e eu estou me molhando toda. Sempre que isso acontece, Madson me leva para casa, mas para o meu azar ele saiu que eu nem o vi direito, de brinde ainda deixou seu irmão babaca me tirando a paciência. Hoje certamente não é o meu dia.
— Eu posso te deixar em casa se você quiser. Eu juro que não vou tocá-la, não sou nenhum tarado. — A voz dele já está me tirando o pouco de paciência que me restou, mas eu estava quase aceitando.
Continuei andando com a chuva me molhando, até que o frio me fez começar a bater os dentes e tremer um pouco enquanto andava. Não demorou muito e um filho da p**a passou com o carro em alta velocidade por uma poça de água, que me deixou toda encharcada.
— Tá cego filho da p**a? — Gritei com o homem dentro do carro, ele pôs a cara pra fora e quando ia me xingar de volta o Michael parou o carro ao meu lado. — Olha cara, o que é que você quer? O dia já amanheceu, vai pra tua casa descansar ou dormir sei lá só me deixa em paz.
— Eu não vou te deixar em paz até te deixar em casa, eu juro que não vou fazer nada com você. Aceita minha carona pelo menos, isso não vai te arrancar o pedaço.
Eu aceitei, assim eu chegarei mais rápido em casa. Ambos estavam em silêncio todo trajeto até a curiosidade começar a falar mais alto que o meu bom senso.
— O que você faz da vida além de se prostituir?
— Eu ajudo as crianças atípicas do orfanato. E... eu não sou prostituta, apenas trabalho na boate.
— Desculpa mais uma vez, eu… isso é uma boa ação, fico admirado. Posso perguntar o que te levou a trabalhar naquela boate? Aliás, você tem um sotaque diferente, você é brasileira mesmo?
— Não, eu sou francesa. Depois que perdi meus pais, eu vim morar aqui. Conheci Alice, arranjei esse trabalho e com a grana da minha herança eu ajudo as crianças. Então, eu procuro preencher esse vazio que habita em mim com noites badaladas, com músicas, bebidas e boas lembranças.
— Preenche o vazio transando com estranhos? Eu não entendo, Marciana. — Ele insinuava que eu era uma v***a a cada duas palavras que dizia.
— Olha só, eu não te devo satisfação da minha vida e peço que pare o carro que eu quero descer. Não aceito que você nem ninguém insinuei que eu vou sou uma v***a. Eu não te conheço, não te devo satisfações da minha vida e já estou arrependida em ter aceito sua gentileza.
O trânsito parece que não anda, a cada sinal vermelho ele me enche de perguntas, maldita a hora que eu fui aceitar essa carona o metrô nem iria demorar tanto assim a passar e nem estava tão longe que eu não pudesse ir a pé.
Madson
— Eu tenho mesmo que ir embora senhor Madson, amanhã se quiser encontrar comigo novamente eu estarei no mesmo lugar! _ Quem me acompanhou hoje foi a Suzana, uma grande gostosa mas que não vale nada. Ela até transa bem pra c*****o mas não se compara com a Marciana, embora ela não me dê a mínima moral, além de me querer como amigo.
— Eu sei bem onde te encontrar. Valeu por hoje! — Paguei e continuei bebendo o meu Whisky enquanto ela se vestia para ir embora. Ela conferiu as notas de cem e saiu com a cara de poucos amigos. — Você fode bem, Suzana. A gente se vê por aí.
— Você também fode muito bem, espero algum dia ter outra chance com você.
— Quem sabe... — Ela finalmente saiu dando uma risadinha digamos um tanto "debochada".
Acendi meu último cigarro e entrei em meu carro para finalmente ir embora. O dia já estava clareando, era quatro e pouca da manhã e eu me sinto péssimo e bêbado.
Alice
— Por que demorou tanto? — Ítalo pergunta em um tom arrogante.
— Eu tenho coisas para se fazer também. A Marciana fechou a boate pra mim hoje, se ela não estivesse lá eu nem teria vindo. Foi difícil fingir que você ainda estava lá para poder sair e te ajudar a vir para casa. — A “casa” é um grande e luxuoso quarto de hotel, com tudo a que temos direito.
— Eu não gosto da sua amiga. Ela quer mandar em você e fica toda hora dando palpite no que você faz.
— Você não tem que gostar dela, mas eu tenho que concordar com você. Às vezes ela é chata mesmo, mas nada que eu não suporte. Ela é legal quando quer ser.
Marciana e Ítalo nunca se deram bem, ela o odeia por ser um drogado (palavras dela) e por ser tão irresponsável consigo mesmo. Ele não gosta dela por ela ser simplesmente quem ela é, tem coisas que não tem explicação assim como o ódio deles um pelo outro.
— Então, você pensou no que eu te falei hoje? Acho que a gente não tem o que esconder a ninguém.
— Eu nem tenho o que pensar porque minha resposta é sim. — Eu sei que a Marciana vai falar um monte de coisa, mas eu não estou nem aí pra isso. — O que seus pais vão falar sobre isso, Ìtalo? Eu não quero mais passar humilhações deles, e caso isso venha acontecer eu não vou hesitar em responder e vou te largar também.
— Isso eu vou resolver depois, fica tranquila que ninguém vai falar nada com você, eu não vou deixar mais isso acontecer, fica tranquila!
Hoje eu abri uma exceção para me divertir mais ao lado do Ìtalo. Bebemos algumas cervejas e como ele já estava drogado o bastante, por hoje o restante da madrugada ficou apenas para aproveitar nós dois.
Após duas horas eu já estava mais chapada que o próprio Ìtalo e por mais excitada que eu estivesse é quase impossível a gente fazer alguma coisa mais hoje, a ressaca de amanhã está garantida com sucesso e com certeza eu irei está só o pó.
"Ítalo é um homem no auge da sua vida adulta, assim como Marciana. Mas com atitudes totalmente diferentes. Seus pais são empresários e ele é filho único e o menos valorizado também. Ficou dependente das drogas ainda muito jovem, com 16 anos ele já era conhecido como o melhor cliente da Rocinha e com o passar dos anos isso só foi ganhando vida, tão tal que hoje ele é um dos maiores fornecedores de armas ilegais do Brasil, deixando sua marca registrada em todo lugar que passa. Sua beleza não deixa nada a desejar. Um par de olhos verdes e sua pele branca e por esse motivo é conhecido como alemão, mora sozinho no Leblon e mesmo tendo uma boa profissão, sendo advogado, não faz um pingo de questão para exercer a profissão, segundo ele a vida sem riscos não vale a pena e se não for assim ele não vai ter histórias para contar a seus filhos, quais pretende ter não muito velho mas sim logo em breve. Após a morte da sua avó materna ele se entregou de uma vez ao mundo do crime, onde hoje já carrega a culpa de mais de dez mortes, todas elas assassinadas com tiro certeiro na cabeça, sem chance alguma de saírem vivos."