Caio cortou a chamada com o meu segurança. Ele me disse que Bela Fox já entrou no elevador, que ela está confusa e será ainda mais quando ela me ver.
Se isso te lembra. Isso incomoda minha consciência.
É verdade, ela pode nem saber quem eu sou. No instante em que nossas vidas se cruzaram, eu me apaixonei por sua beleza enquanto ela me ignorava e era uma espectadora do ridículo que seu querido namorado me deu por ser um homem de estudo.
A faculdade foi difícil para mim. Não importava o sobrenome ou o dinheiro que ele possuía, sempre havia um i****a com um ar de superioridade. Douglas usou suas características masculinas para que qualquer jovem se deparasse com ele, enquanto ela o idolatrava e não percebia o quão e******o ele era.
Tentei várias vezes aproximar-me dela, e todos eles foram interrompidos por Douglas. Ele não permitiu que ninguém se aproximasse dela e lhe mostrasse que tipo de lixo ele era. A única vez que eu poderia fazer, Bela me tratou como louco, invejoso e até mesmo assediador.
Você tem culpa? Informe a minha consciência. No começo, sim, mais tarde entendi que ela estava enfeitiçada pelo charme de Douglas, muito falso e barato, ao meu gosto. Bela é fácil de persuadir, eu acho que estou esperando por ela para vir ao meu apartamento.
O chão move-se tão devagar que me estressa. Anos atrás, eu esperava tê-la sozinha comigo, para falar com ela, para admirá-la como uma espectadora de um grande trabalho. Sei que pareço uma psicopata e talvez, a ver de longe, tenha sido meu passatempo favorito. Isso é no passado, hoje eu só quero ver como é, como a vida a tratou com Douglas. Até onde sei, anos atrás eles estavam namorando e seu relacionamento é muito invejável, ou assim os cegos acreditam.
Se a minha memória não falhar, ele tem uma amiga um tanto peculiar, Ana, ela estava com inveja, ou melhor, ela é. Era sempre a sombra de Bela e nem contava. n**o ansiosamente, observando como o vigésimo nono andar marca.
— Mais uma e tu és minha. — murmura para mim.
Calma, rapaz. A mulher tem um namorado. Minha consciência me lembra de causar aborrecimento.
O trigésimo andar está marcado e as portas de metal se abrem, mostrando uma mulher que eu achava que estava perdida no tempo. Tão bonita como nas minhas memórias. Bela Fox abre os olhos, parece me reconhecer, e faz isso liberando lentamente meu nome.
— Bem-vindo, Bela Fox. — Saudação séria.
Vendo que ela não dá um passo, eu encurto a distância entre nós dois e pego sua mão entre a minha, levo-a aos meus lábios e, sendo um cavalheiro, apoio um beijo nela. Seus olhos permanecem fixos em seu m****o, ela parece não reagir a quem está na frente dela.
— Caio, murmura o meu nome novamente. — Eu não, mas tenho uma impressão de que te conheço muito antes de roubar a empresa do meu pai? — inclina a cara para o lado com perplexidade.
Continuo segurando a mão dela, enquanto sua cara enruga cada vez mais. — Sou o dono, você se lembra? — Não, Caio talvez seja parecido com uma pessoa há anos atrás.
— Agora que está me reparando, porque das últimas vezes que viu, deseja me matar.
Seu mundo sempre girava em torno de Douglas, não havia nada além dele em sua vida. Nem mesmo os amigos tinham que estar ao lado daquele i****a. Bela pede desculpas. Sua atitude submissa sempre me levou para baixo e sobrecarregado, estou acostumado com mulheres fortes e caráter.
— Está planejando ficar no elevador? — Falo outra vez.
— Não, é isso! Como nos encontramos após anos? — Eu limpo um sorriso travesso no meu rosto.
— Eu não sabia que ia se lembrar de mim, já que tivemos juntos antes. — Acho que foi o destino. Está à procura de emprego e será supostamente a minha secretária. — Fixa os olhos na minha direção.
— Meu Deus, por que minha mãe disse que eu ia ter uma surpresa? Era isso, ela sabia muito bem para quem estava vendendo a empresa.
— Sei que sou desajeitado e ingênuo, Caio, mas não me minta tão descaradamente. — Rosnados arrancam do meu aperto.
— Não fui selecionada entre centenas de candidatas, pois não? — cruza os braços.
— Foi isso que Caio disse? — Rugas, uma cara confusa, que abre os olhos.
— Caio Bismarque? — Aceno várias vezes. — Eu devia me lembrar de você e óbvio que planejou tudo isso, não foi? — vire os olhos. — Como não me lembrei do seu nome? — Não sei se ela me pergunta ou faz por si mesma.
— A luz que Douglas irradia nunca te deixa ver além. — Respondo num tom sarcástico.
Seus olhos castanhos escurecem um pouco mais, seu olhar fica sombrio e ele não parece gostar do que eu digo. Eu me sinto culpada e não quero que ela vá embora por quaisquer comentários equivocados. Não tenho que interferir na vida privada dela.
Você acabou de notar? Minha consciência está irritada com minha atitude infantil.
— Desculpe, não…
— Vamos deixar Douglas onde ele está. — anuncia sem espírito. — Não serei sua secretária, Caio. — Dos que dizem que só tenho o meu nome nos lábios. — Precisa de alguém com experiência e não de mim.
— Posso ensinar o que não sabe. — Parece que digo com um duplo significado.
— Caio! — Envergonhado.
— Ei, não seja m*l pensado. — sorriu, divertida, vendo suas bochechas ficarem vermelhas.
— I... Não… Eu não penso em nada. — É desajeitadamente justificado.
Nós dois rimos em voz alta. Rimos como duas crianças com uma piada de mau gosto. Eu me perco em suas características suaves e doces, seu sorriso é muito bonito, ela sempre foi tudo, eu acho que enquanto paro de rir, tentando evitar meus pensamentos.
— Acha que tomamos café e conversamos, mas? — Deixo a piada e o riso de lado, tendo um perfil mais sério.
— Não aceitei, por isso não tomar café. — anuncia sair da caixa de metal, passar por mim e inundar-me com o seu perfume de jasmim. — E acho que não.
Você vai, eu penso para mim mesmo, enquanto assisto. Farei com que Bela trabalhe para mim, se tiver de sentir pena, farei e se tiver de ir além da dor também. Desta vez, ninguém me parará. Ela está muito longe de Douglas, ficará agora entre nós. Nunca mais terei uma oportunidade como esta, disso tenho mais do que a certeza.