Ouço a porta se fechar atrás do meu corpo trêmulo e intacto, completamente incapaz de dar meia volta, observo o enorme hall da mansão, parede branca e desenhos de galhos pretos, os sofás tinham a cor bordô e ficavam mais chamativos ainda com a luz neon que cobria o lugar. Todas as janelas, que iam do chão ao teto, estavam fechadas e carregadas com uma cortina preta e pesada que sobravam no chão. Extremamente luxuoso, cada detalhe é hipnotizante, e por alguns segundos acabo me esquecendo de que estou em um local completamente desconhecido.
Tudo é tão amplo, poderia ver tudo dali, inclusive todos vestindo roupas de galã e usando uma máscara veneziana, enquanto ouvia jazz. É como se eu estivesse em um filme antigo, aqueles bailes de máscaras da nata da sociedade.
Você é teimosa. -Ouço a voz atrás, sentindo o hálito quente bater na minha nuca. Não precisei virar para saber quem era. Por um segundo fico surpresa, mas a seguir, me sinto segura. O motivo? Não faço ideia
Uma coisa que poderia afirmar: Felipe faz parte disso, seja lá o que for.
- Não tive opção. - Minto com a voz trêmula de nervoso.
É óbvio que eu tinha opção. A inteligente opção de ir embora dessa cidade, contudo, o seu ar quente batendo na minha nuca indica um dos motivos pelos quais ainda estou aqui.
Ameaço mover o meu corpo para virar, porém, ele foi mais rápido e segurou no meu ombro impedindo o movimento, um toque firme e seguro. Sua mão sobe até o meu pescoço e a cobre parte dele, segura delicadamente o meu maxilar e aproxima os lábios da minha orelha. Periogosamente cheiroso e sabendo exatamente o que estava fazendo.
- Vamos ter que ser discretos.- Fala baixo com uma voz rouca e morna. Sua mão esquerda desliza lentamente pelo meu braço nu, um gesto sedutor deixando um rastro de desejo e arrepios - Por quê não ficou em casa? - a sua mão para na minha cintura e da um leve aperto. Inconscientemente dou meio passo para trás, encostando em seu corpo duro e quente. - Você está gostando...- Noto uma certa surpresa em sua voz. - Observe, cada pessoa que está aqui - Pede dando pausas enquanto deposita beijos no meu pescoço, deslizando até a minha clavícula. Sinto minha i********e latejar, minha cabeça apoia em seu tórax e meus olhos fecham, sentindo cada toque seu. - Você não está prestando atenção - Adverte, mesmo sem olha-lo, sinto que ele sorriu - Por mais que sua b***a encostada em mim seja mais tentadora, preciso que você entenda onde está. - Pediu e assim eu fiz, novamente o obedecendo.
A maioria estavam se beijando, e no sofá acontecia um beijo triplo no momento entre dois homens e uma mulher, e logo ao lado deles, duas mulheres se beijavam freneticamente e o pensamento de beijar o Felipe assim, passou pela minha cabeça. Não consigo raciocinar o que está acontecendo ali, parecia uma casa de swing, não sei, a respiração do Felipe e suas mãos no meu corpo estão tirando toda a minha concentração. Eu já não queria saber onde estava ou porque, tudo que eu queria era que ele me tocasse cada vez mais. Meu corpo está quente, sinto que vou explodir a qualquer momento.
- Eu...Não sei.- Começo a falar - O que é aqui?
- O paraíso - Seus lábios se aproximam da minha bochecha, permitindo que eu sinta o cheiro de uísque do seu hálito.
- Por que não deixa eu virar para te ver? -
- Por qual motivo quer me ver? Já sabe que sou eu.
- Sim, eu sei.- Por segundos, meus joelhos falham.
- Você está excitada.- Fala e meus músculos ficam tensos. - Suas pernas roçando uma nas outra, sua respiração rápida, e sua pulsação quase pulando seu pescoço. Isso te excita? Esse lugar, ou sou eu?
- Só vou responder se deixar eu te olhar - Atrevo a dizer de uma forma segura, esforçando para não gaguejar.
- Se é o que você quer...
Ele tira as mãos e no lugar deixa uma sensação gelada, queria elas ali novamente o mais rápido possível. Viro o meu corpo pra ele, e finalmente, o encaro. Ridiculamente bonito. Também usava uma máscara veneziana preta, e naquele contorno n***o, seus olhos reluziam ainda mais, seus lábios estavam fechados e avermelhados, em uma linha reta no seu rosto quadrado bonito. A camisa branca estava com alguns botões abertos, e na gola dela marcas de batom e cabelo bagunçado. A nítida imagem de um pós-sexo.
- Satisfeita? - Perguntou.
- Acho que sim, podemos falar sob...
Seu rosto esculpido move em sinal negativo.
- O que eu vim fazer aqui? Por quê eu? - Sussurro.
- Hoje você não vai ter nenhuma resposta, talvez queira tomar alguma coisa ou ir para o andar de cima, realizar as coisas sujas que passam pela sua mente. Se quiser, me aguarda no bar.
- Você vai me deixar nesse lugar, sozinha? - Indaguei e percebi que estávamos parado no mesmo lugar há minutos e não chamamos a atenção de ninguém.
- Você não está sozinha. Está em casa.- Um frio correu pela minha espinha, a adrenalina corre pelas minhas veias.
- Posso ir embora?
- É o que você quer? - Seus olhos cintilaram, aquela marca de batom esta realmente me excitando, o fato de estar tão perto do seu pescoço me causa calafrios.
- Eu não sei o que eu quero.
- Tem certeza? Eu acho que sabe, e sabe muito bem. - Continuo quieta e apreciando a beleza do Felipe, mesmo que a máscara cobrisse parte do seu rosto. - Você pode ir embora, se quiser, mas não pode sair. Seja bem-vinda, doce Rafaela.
Começa a caminhar em outra direção e eu me arrependo amargamente de não ter dito que o queria. Meu corpo rasga em um arrependimento profundo por ter tirado aquele cheiro tão bom de perto, tenho vontade de gritar seu nome é chamá-lo de volta, mas sem ele ali, aquele lugar ficou frio, e pela primeira vez eu senti medo. Dei meia volta e apertei o botão do elevador, evitava olhar pra trás mas a todo segundo encarava o lado que o Felipe saiu, na esperança que ele voltasse, mas parte de mim sabia que isso não aconteceria. A porta se abre e o mesmo homem está dentro dele.
- Qual andar senhorita?
- Quantos andar tem? - Perguntei por impulso enquanto entrava.
- Cada andar é uma senha. Caso a senhorita não tenha nenhuma, os únicos lugares que poderá ir é para o estacionamento, no momento.
- Então vamos, por favor.- Pedi. - Eu posso ir embora?
- O chofer estará a disposição.
Senhas? Mas o Felipe me convidou para o andar de cima. O que teria lá?
E que diabos eu fiz para ser convidada a vir nesse adultério? Eu sabia que ao entrar no carro e sair dali eu não poderia dizer nada do que foi visto, não porque alguém me contou, contudo eu sentia cada célula do meu corpo implorando para manter segredo. Eu iria embora, por hoje já vi o bastante, eu sabia que chegaria outro convite e que neles teriam novas ordens, o que me assustava eram quais seriam as próximas. O que me confortava? Felipe com certeza estaria lá.
Abro a porta de casa e vejo a Kim andando de um lado para o outro aflita.
- Graças a Deus!! - Me abraçou com força e eu retribuo - Graças a Deus! Meu Deus, não acredito. Fiquei tão preocupada. - Seus olhos molhados me analisam.
- Estou bem, está tudo bem. Eu acho.
- O que houve? - Ela segura os meus ombros enquanto me olha apreensiva - Te machucaram?
- Não. Kim, é só pessoas se beijando e transando. Felipe estava lá, falou comigo...
- Espera! - Solta os braços, confusa - Uma coisa de cada vez.
Sentamos no sofá e comecei a explicar desde a hora que o motorista me pegou no bar. A cada palavra seu queixo caia mais, se isso era possível. Quando terminei de contar ela estava estática com os olhos arregalados.
- Você imagina o que eles são?
- Tenho uma teoria que vim pensando no caminho pra cá, mas posso estar indo longe demais.
- Qual é?
- Eu não sou uma deles, é como se eles fossem um clã secreto. Mas o Felipe, ah, ele com certeza é.
- E o que as convidadas são? Digo, por que são convidadas?
- Não sei, Emily provavelmente era uma também. Felipe deu a entender para que eu recusasse, mas lá, na mansão, avisou que eu não poderia sair. É como se fosse um trato, a partir do momento que eu aceito, sou obrigada a permanecer.
- E o que você pretende fazer?
- Eu aceitei o trato, Kim. Eu preciso virar uma deles, só assim estaremos seguras.