Capítulo 15

684 Words
Dalila ainda estava com o brilho da ideia nos olhos, mas logo a realidade bateu. — O problema não é querer ir… — disse ela, abaixando um pouco a voz. — O problema é meus pais deixarem. As meninas riram. — Então inventa alguma coisa — disse uma delas. Dalila soltou um suspiro. — Lá em casa não é tão simples assim… Verônica então se inclinou mais perto, com um sorriso cheio de cumplicidade. — Então vamos fazer melhor. Dalila olhou, curiosa. — Como assim? — Você já tá aqui, né? — disse Verônica, dando de ombros. — A gente dá um pulinho lá agora. Rapidinho. Só pra você ver como é… e volta antes de dar tempo de qualquer problema. Dalila arregalou levemente os olhos. — Agora? — Agora — confirmou Verônica. — Qual o pior que pode acontecer? Dalila ficou em silêncio por alguns segundos. O coração começou a bater mais rápido. Aquilo era impulsivo… arriscado… exatamente o tipo de coisa que ela nunca fazia. E talvez por isso mesmo… tão tentador. Ela olhou ao redor, a festa, as amigas, a liberdade daquele momento… E sorriu. — Tá bom. Minutos depois, elas já estavam a caminho. O trajeto foi curto, mas parecia outro mundo se aproximando a cada esquina. As ruas mudavam, o movimento aumentava, o som começava a ficar mais forte mesmo antes de chegarem. Até que chegaram. O baile estava acontecendo com tudo. Música alta, grave batendo no peito, luzes improvisadas, gente dançando sem se preocupar com nada ao redor. Era intenso, vivo… completamente diferente de tudo que Dalila já tinha visto. Ela parou por um segundo, só observando. — Meu Deus… Verônica riu. — Eu falei. Dalila foi entrando aos poucos, olhando tudo com atenção. As roupas, a forma como as pessoas se moviam, a energia do lugar… era liberdade pura. Ninguém ali parecia preso a regras. Ninguém parecia fingir. E aquilo mexeu com ela. Não demorou muito para começarem a notar sua presença. Dalila chamava atenção naturalmente, mas ali… era ainda mais evidente. O jeito, a beleza, o contraste com o ambiente… tudo fazia com que olhares se voltassem pra ela. — Olha aquela ali… — comentou um rapaz mais afastado. — Nunca vi por aqui não — respondeu outro. Alguns começaram a se aproximar, tentando puxar conversa, sorrindo, elogiando. Dalila ficou meio sem reação no começo, mas logo começou a sorrir também, entrando no clima. — Tá vendo? — disse Verônica no ouvido dela. — Você chegou chegando. Dalila riu, um pouco nervosa… mas gostando. Era diferente. Era novo. E, de alguma forma… libertador. Elas ficaram ali por um tempo, observando, rindo, sentindo a energia do lugar. Dalila até arriscou alguns passos, meio tímida no começo… mas se soltando aos poucos. O som, o ambiente, as pessoas… tudo parecia puxar ela pra dentro daquele mundo. Mas Verônica puxou o braço dela depois de um tempo. — Melhor a gente voltar. Dalila ainda olhou em volta, como se não quisesse sair tão rápido. — Já? — Já — disse Verônica. — É só um gostinho… lembra? Dalila sorriu. — Tá… Minutos depois, estavam de volta ao aniversário, como se nada tivesse acontecido. Mas pra Dalila… tudo tinha mudado. Ela se sentou com as amigas novamente, ainda com a cabeça naquele lugar. — E aí? — perguntou uma delas. — O que achou? Dalila soltou um leve riso, ainda meio sem acreditar. — É… totalmente diferente de tudo. — Eu falei! — disse Verônica, animada. Dalila apoiou o queixo na mão, pensativa. — Parece que lá… ninguém tá fingindo ser nada. Verônica concordou. — Lá o pessoal só vive. Dalila ficou em silêncio por um momento. Depois olhou pra elas, com um brilho novo no olhar. — A gente precisa ir de novo. As meninas riram. — Sabia! Mas, no fundo… Dalila não queria só ir de novo. Ela queria sentir aquilo mais uma vez. E, sem perceber… O caminho dela estava começando a se cruzar, cada vez mais, com um mundo que não tinha nada a ver com o que ela conhecia. Um mundo onde… Pablo também estava.
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