Capítulo 13

1258 Words
Naquela noite, o clima no morro era outro. Depois de tudo que tinha acontecido, Timóteo decidiu comemorar do jeito que ele gostava: alto, intenso… e sem limites. A casa onde rolava a festa já estava lotada quando Pablo chegou. O som de funk batia forte nas paredes, o grave fazendo o chão tremer. Luzes coloridas piscavam, gente dançando, rindo, bebendo… um verdadeiro contraste com a tensão do dia. Assim que entrou, Pablo foi recebido com um copo na mão. — Hoje é por tua causa — disse um dos caras, batendo no ombro dele. Pablo apenas deu um meio sorriso e virou a bebida de uma vez. No centro da sala, várias mulheres dançavam, chamando atenção, olhando na direção dele. A notícia já tinha corrido: ele tinha ganhado moral com Timóteo. E naquele mundo… isso atraía tudo. Pablo já estava no meio da pista, cercado. Algumas mulheres se aproximavam mais, dançando perto dele, tentando puxar atenção. Ele entrou no clima, sorrindo, se soltando como não fazia há muito tempo. Uma delas puxou ele pela camisa, colando mais perto. Outra já veio logo depois, não querendo ficar pra trás. — Calma aí — ele riu, mas sem se afastar. O jogo de olhares, toques e provocações tomava conta. Algumas disputavam espaço, trocando palavras atravessadas entre si. — Sai pra lá, ele tava comigo — disse uma, irritada. — Contigo nada — respondeu outra, já puxando Pablo de novo. Ele só observava, meio divertido, deixando a situação rolar. Beijava uma… logo depois outra puxava de volta, querendo mais atenção. A tensão entre elas crescia, mas a música abafava qualquer discussão maior. — Ei, ei… sem briga — disse Pablo, segurando o braço de uma delas antes que a situação passasse do limite. Mas era claro: não era só diversão… era interesse. Ele estava no centro de tudo. Em outro canto, Timóteo observava. Copo na mão, expressão tranquila… mas atento. Um dos homens comentou: — O moleque tá aproveitando, hein. Timóteo deu um leve sorriso de canto. — Deixa. Ele merece. Deu mais um gole. — Mas também tô de olho. A madrugada avançava, e a festa não dava sinais de parar. Pablo já estava completamente envolvido naquele ambiente. Rindo, dançando, sendo puxado de um lado pro outro… vivendo um momento que, pouco tempo atrás, parecia impossível. Mas no meio daquela euforia toda, em um instante mais quieto, ele parou por um segundo. Olhou ao redor. Música alta. Dinheiro. Pessoas. Poder. Tudo ali. E mesmo com tudo aquilo… No fundo, ele sabia: Nada ali vinha de graça. E aquela mesma noite que celebrava a subida dele… Também era um aviso silencioso do mundo em que ele tinha entrado. A festa já estava no auge quando alguém abriu caminho no meio da multidão. — Bora pra piscina! — gritou um dos caras. O convite espalhou rápido. Em poucos minutos, um grupo começou a se deslocar para a área externa da casa. A música continuava alta, agora ecoando pelo lado de fora, misturada com risadas e gritos animados. A piscina brilhava com as luzes ao redor, refletindo cores que mudavam conforme o som batia. Algumas garotas já estavam lá, de biquíni, sentadas na borda ou com os pés na água, rindo e conversando. Pablo apareceu logo atrás, ainda com um copo na mão, acompanhado de duas das mulheres que estavam com ele dentro da festa. — Agora sim — disse ele, olhando o cenário. Uma delas puxou ele pela mão. — Vem! Sem pensar muito, Pablo largou o copo em uma mesa próxima e entrou na água, arrancando risadas das garotas. A água estava gelada, mas o clima compensava. Pouco depois, Timóteo apareceu também, mais tranquilo, observando tudo antes de se aproximar. Algumas mulheres logo abriram espaço pra ele, outras já foram direto puxar conversa. — Tá gostando da festa? — perguntou uma delas, sorrindo. Timóteo deu um meio sorriso. — Hoje tá do jeito certo. Ele entrou na piscina com calma, mantendo aquela postura de quem manda… mas sabe aproveitar. Dentro da água, o clima era leve. Música ao fundo, gente conversando, brincadeiras, respingos. Pablo já estava totalmente solto, rindo, jogando água nas meninas, sendo puxado de um lado pro outro. — Você não para quieto, né? — disse uma delas, rindo. — Hoje não — respondeu ele. Outra encostou mais perto, falando no ouvido dele alguma coisa que fez ele rir. O clima era de provocação, mas ainda divertido, sem aquela tensão de antes. Algumas disputas de atenção ainda aconteciam, olhares atravessados, pequenos comentários… mas nada que quebrasse o clima da festa. Mais afastado, Timóteo observava Pablo por um momento. Um dos homens chegou perto dele. — Tá vendo? O cara ganhou moral rápido. Timóteo assentiu devagar. — Ele sabe se colocar. Deu um gole na bebida. — Mas o jogo ainda tá só começando. Do outro lado da cidade, bem longe do barulho do morro e das ruas apertadas, a realidade era completamente diferente. Em uma área nobre, cercada por casas grandes, muros altos e segurança constante, vivia Dalila. A casa dela era imensa, com jardins bem cuidados, piscina elegante e um silêncio quase impecável. Tudo ali parecia perfeito… pelo menos por fora. Dalila estava no quarto, sentada na frente do espelho. Seus cabelos longos e pretos caíam sobre os ombros, o olhar perdido refletido no vidro. Ela era linda, chamava atenção por onde passava. Mas, naquele momento, não havia brilho no olhar… só cansaço. Cansaço de uma vida controlada. — Dalila! — a voz da mãe ecoou do andar de baixo. — Já está pronta? Dalila fechou os olhos por um segundo, respirando fundo. Mais um jantar. Mais uma reunião. Mais gente importante. Mais aparências. — Já vou — respondeu, sem vontade. Ela levantou devagar, olhando o vestido escolhido pra ela — elegante, comportado… exatamente o tipo que a família aprovava. Filha de um deputado influente, Dalila sempre foi criada dentro de regras rígidas. Tudo que ela fazia precisava estar alinhado com a imagem da família. O jeito de falar. De se vestir. De se comportar. Nada podia “manchar o nome”. Ela se aproximou do vestido, passando a mão pelo tecido… mas não parecia se reconhecer ali. — Até quando?… — murmurou, quase em um sussurro. Minutos depois, ela desceu as escadas. O pai já estava pronto, conversando ao telefone, sério como sempre. A mãe, impecável, ajustava detalhes da mesa. Quando viram Dalila, os olhares analisaram cada detalhe. — Está bonita — disse a mãe. — É assim que deve ser. Dalila forçou um leve sorriso. — Claro. O pai desligou o telefone e olhou pra ela. — Hoje tem gente importante lá. Quero você educada, discreta… como sempre. Aquilo soou mais como uma ordem do que um pedido. Dalila apenas assentiu. — Sim. Mas por dentro… algo já não aceitava mais aquilo com tanta facilidade. Durante o jantar, tudo era como sempre. Conversas políticas, risadas forçadas, elogios calculados. Dalila permanecia ali, sentada, sorrindo quando necessário, falando o mínimo possível… exatamente como esperavam dela. Mas sua mente estava longe. Ela observava aquelas pessoas, aquelas falas ensaiadas… e sentia um vazio crescer. Aquilo não era vida. Era um papel. E ela estava cansada de atuar. Mais tarde, já no quarto, Dalila tirou os sapatos e deixou o corpo cair na cama. O silêncio voltou. Mas dessa vez, junto com ele… veio algo diferente. Decisão. Ela pegou o celular, abriu as redes sociais… vendo vidas completamente diferentes da dela. Gente saindo, se divertindo, vivendo sem medo. Sem regras. Sem cobranças. Os olhos dela brilharam de um jeito novo.
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