Capítulo 13

582 Words
Naquela noite, o clima no morro tava diferente… e eu senti isso antes mesmo de chegar. Depois de tudo que rolou, o Timóteo resolveu comemorar do jeito dele: sem limite, sem freio… daquele jeito que mistura festa com aviso. Quando eu entrei na casa, já tava lotada. O som batendo forte, grave atravessando o corpo, luz piscando, gente rindo, bebendo… parecia outro mundo. Um contraste total com a tensão que tinha sido o dia. Nem dei dois passos e já colocaram um copo na minha mão. — Hoje é por tua causa. Só dei um meio sorriso… e virei de uma vez. Nem pensei. Eu já sabia o que aquilo significava. Não era só festa. Era reconhecimento. E naquele mundo… reconhecimento chama atenção. No meio da sala, as mulheres já tavam olhando. Algumas nem disfarçavam. A notícia corre rápido ali: quem sobe… vira centro. E eu virei. Quando vi, já tava no meio da pista. Cercado. Uma encostando mais perto, outra puxando conversa, outra já colando direto. Fazia tempo que eu não me soltava assim… mas naquela hora, deixei rolar. Uma puxou minha camisa, colando o corpo. Outra veio logo depois, não querendo ficar atrás. — Calma aí… — eu ri, mas sem sair. E ali começou o jogo. Olhar, toque, provocação… disputa. — Ele tava comigo! — Contigo nada! Eu só observava, meio rindo por dentro. Beijava uma… e já vinha outra puxando de volta. Aquilo não era só diversão. Era interesse. E eu tava no centro. Mas mesmo no meio daquilo tudo… minha cabeça não desligava. Nunca desliga. Em um canto mais afastado, eu senti o olhar do Timóteo. Nem precisei procurar. Eu sabia. Ele tava vendo tudo. E aquilo ali também era um teste. A madrugada foi avançando… e a festa só subindo. Eu já tava completamente no clima. Rindo, sendo puxado, dançando… vivendo algo que, pouco tempo atrás, nem parecia possível pra mim. Mas aí teve um momento… Um só. Eu parei. Olhei em volta. Música. Dinheiro. Gente. Poder. Tudo ali. Tudo fácil. Fácil demais. E foi aí que bateu. Nada daquilo vinha de graça. Nunca veio. Aquela festa… não era só comemoração. Era aviso. Antes que eu pensasse mais, alguém gritou: — Bora pra piscina! A galera foi na hora. Em segundos, todo mundo já tava se movimentando pra fora. Eu fui junto. Quando cheguei lá, a cena era outra. Luz refletindo na água, risada, gente já dentro da piscina… clima mais solto, mais leve. Mas só na aparência. Uma das meninas puxou minha mão. — Vem! Nem pensei. Larguei o copo e entrei. A água tava gelada… mas o resto compensava. Risada, grito, respingo… tudo acontecendo ao mesmo tempo. Eu já tava totalmente dentro daquele momento. Jogando água, sendo puxado, ouvindo coisa no ouvido, rindo sem filtro. — Você não para quieto, né? — Hoje não. E era verdade. Naquela noite… eu não parei. Mas, mesmo ali dentro da água, no meio da bagunça… Eu senti de novo. O olhar. Não precisei virar muito pra saber. Timóteo. Observando. Sempre. Eu já tinha entendido: naquele mundo, até quando você tá relaxando… você tá sendo avaliado. Continuei no jogo. Rindo, entrando no clima… sem dar brecha. Mas por dentro… Eu sabia. Eu tinha subido mais um degrau. E quanto mais alto eu subia… Menos espaço eu tinha pra errar. Porque ali não existe queda leve. Só queda feia. E, olhando tudo aquilo ao meu redor… Eu tive certeza de uma coisa: Eu já tava fundo demais pra sair.
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