O corredor m*l iluminado ficou subitamente inundado de luz. O coração dela disparou rapidamente no seu peito e sem ter como fugir ou outra opção ela ficou simplesmente parada.
__Kamille ?
A voz atrás dela era intimidativa, mas quando ela se virou para defrontar se com ele, os olhos não eram. Alto, flexível, ainda elegante aos 58 anos de idade, os olhos dele Eram de um azul mais gélido do que os dela, o cabelo, uma mistura de Areia e neve. Era um Belo rosto, o tipo de rosto que se via nos antigos retratos teutônicos, e os ombros eram retos e largos.
__ Desculpe... não pude evitar ... Atrasei-me terrivelmente...
Por instantes ficaram ali, olhos fitos uns nos outros. Muita coisa ficou por dizer.
__ Compreendo.
E compreendia mesmo. Muito mais do que ela sabia.
__Vai poder dar um jeito? Seria constrangedor se você se atrasasse.
__ Não me atrasarei. Prometo.
Olhou-o com ar triste. Mas sua tristeza não era pelo jantar que esquecera, mas pela Alegria que não mais partilhavam.
Sorriu para ela do outro lado da vasta distância que parecia separar suas duas vidas.
Apresse-se. E... Kamille...
Fez uma pausa e a moça sabia o que viria, enquanto ondas de culpa subiam-lhe a garganta.
__ Já esteve lá em cima?
__ Não, ainda não. Irei antes de descer.
Scott Von Gothard, Então fechou suavemente à porta, para além desta ficava o apartamento particular dele, um quarto grande e severo, mobiliado com antiguidades alemães e inglesas em madeira escura, um tapete persa em tons de vinho e azul mar forrava os belos pisos de madeira. As paredes do quarto eram em lambris de madeira assim como as do escritório que era o seu retiro particular, logo além.
Havia também um grande quarto de vestir e o banheiro, o apartamento de Kamille ainda era maior. E agora atravessando as pressas a porta do quarto ela jogou o chapéu sobre o edredom de cetim cor-de-rosa que cobria a cama. Os seus aposentos eram tão parecidos com ela quanto os de Scott com ele. Tudo era macio e suave, Marfim e rosa, cetim e seda, forrado e delicado, e oculto do mundo. As cortinas eram tão farta que obscureciam a vista do Jardim o quarto tão forrado e fechado que como a sua vida com Scott escondia-a do mundo lá fora. O quarto de vestir era quase tão grande quanto o de dormir, uma série sólida de armários cheios de roupas finíssimas uma parede inteira de sapatos feitos sob medida e do lado oposto fileiras intermináveis de caixas de cetim rosa e cheias de chapéus. Por trás de uma pequena tela impressionista francesa ficava escondido o cofre onde Kamille guardava as jóias.
E, para além do quarto de vestir, uma pequena sala de estar com vista para o lago. Havia uma espreguiçadeira que tinha pertencido à sua mãe e uma minúscula escrivaninha francesa feminina. Havia livros que agora não lia mais, um bloco de desenho em que não tocava desde março. Era como se não vivesse mais ali. Só ganhava vida nos braços de Marconi.
Tirando os sapatos de pelica cor de marfim e desabotoando apressadamente o vestido cor de lavanda e escancarou as portas de dois armários revendo mentalmente o que havia lá dentro. Porém, enquanto fitava o conteúdo dos armários teve que parar m*l conseguindo respirar. O que estava fazendo? O que tinha feito? Que tipo de existência louca estava a viver? Que esperanças tinha de algum dia ter uma vida de verdade com Marconi? Era mulher de Scott para sempre. Sabia disso, sempre soubera, desde que se casou com ele aos 19 anos. Ele estava com 48 anos, na época, e o casamento parecera tão adequado. Um associado do pai diretor de um banco afiliado ao do pai tinha sido uma fusão tanto quanto um casamento.
Para pessoas como Kamille e Scott era isso que fazia sentido. Partilhavam um estilo de vida conheciam as mesmas pessoas. Suas famílias tinham se casado entre si mais de uma vez, tudo no casamento deveria ter dado certo. Não importava que ele fosse tão mais velho e não era como se fosse idoso ou semimorto.
Scott sempre foi um homem fascinante, e 10 anos depois do casamento ainda o era, e o mais importante ele a compreendia. Compreendia sua fragilidade real, sabia como a mulher tinha sido cuidadosamente isolada e super protegida durante a sua Juventude. Ele a protegeria dos momentos mais ásperos da vida.
E assim kamille tivera a sua vida resolvida para ela, seguindo um padrão muito gasto pela tradição e cortado por mãos mais hábeis do que as suas. Tudo o que tinha a fazer era o que se esperava dela, e Scott adoraria e protegeria, guiaria e orientaria e continuaria a manter o casulo que fora tecido para ela quando nascera. Camille von gotthard não tinha nada a Temer de Scott, na verdade não tinha absolutamente nada a Temer exceto talvez a si mesma, e sabia disso agora melhor do que jamais o soubera.
Mas ao abrir um pequeno buraco no casulo que a protegia, ela fugira, se não no corpo, pelo menos na alma. No entanto ainda tinha que voltar para casa à noite para desempenhar o seu papel para ser quem devia ser, para ser a mulher de Scott Von Gotthard.
__ Frau Von Gothard?
Kamille virou-se nervosamente ao ouvir a voz as suas costas, no quarto de vestir.
__ah Anna.... obrigada, não preciso de ajuda.
__ Fräulein Hedwing pediu-me que lhe dissesse.
Ah Deus, aí vem o que eu temia: deu as costas à empregada, sentindo a culpa penetrá-la mais uma vez até o âmago
__ Que as crianças gostariam de vê-la antes de ir para a cama.
__ Subirei tão logo esteja pronta. Obrigada.
O tom da voz dizia a jovem no uniforme de renda preta que podia ir. Camille conhecia perfeitamente quais os tons usar, as entonações e palavras certas eram parte do seu sangue. Jamais rude, jamais zangado, raramente brusca, mandar este era o seu mundo. Mas, quando a porta se fechou suavemente atrás da empregada, Camille desabou numa cadeira do quarto de vestir com os olhos marejados de lágrimas. Sentia-se impotente, destroçada, puxada, este era o mundo dos seus deveres, a existência para a qual fora criada. E era precisamente do que fugia a cada dia, quando ia encontrar-se com Marconi.
Scott agora era a sua família. Scott as crianças, não tinha ninguém a quem recorrer. O pai estava morto e a mãe, que morrera dois anos depois do pai, será que também se sentirá tão sozinha? não havia ninguém a quem perguntar e ninguém que conhecia diria a verdade .
Desde o começo ela e Scott tinham mantido uma distância respeitosa. E Scott sugerira quartos separados, havia noitadas no boudoir dela. Champanhe gelando em baldes de Prata, que acabavam por levá-las para a cama, embora muito raramente, desde o nascimento do último filho deles quando Camille estava com 24 anos. A criança nascera de cesariana e ela quase morreu. Scott preocupava-se com o que outra gravidez poderia acarretar a mulher e esta também. O champanhe gelara cada vez com menos frequência desde então. E desde março não houver mais noitadas.
Scott não fizera perguntas. Fora preciso muito pouco para fazer se entender, a menção a várias visitas ao médico, referência a uma dor um m*l-estar uma dor de cabeça, ela se recolhia cedo todas as noites. Estava tudo bem Scott compreende afinal mas, na verdade, quando Camille voltava para esta casa a casa dele o quarto dela, sabia que não estava absolutamente bem. O que faria agora? Era isso que a vida tinha prometido? Devia continuar assim, indefinidamente? Era provável. Até que Marconi se cansasse do jogo, porque ele se cansaria, teria que se cansar. Camille já o sabia embora Marconi ainda não. E depois? Um outro? E mais outro? Ou mais nenhum? Enquanto fitava desolada ao espelho, não tinha mais certeza. A mulher que tinha tido certeza na casa de charlottenburg e naquela tarde não estava mais tão confiante. Sabia apenas que era uma mulher que traíra o marido e o seu estilo de vida.
Inspirando fundo, levantou-se e voltou para o armário. Não importava o que sentia agora, tinha que se vestir. O mínimo que podia fazer por ele era estar bem vestida no seu jantar. Os convidados eram todos colegas banqueiros e suas mulheres. Camille era sempre a mais jovem em qualquer reunião, mas saía-se muito bem. Por um instante, ela teve vontade de bater a porta do armário e correr para o andar de cima, a fim de ficar com os filhos... Os Milagres ocultos dela no terceiro andar. As crianças que brincavam no Lago em charlottenburg e sempre a fazia lembrar-se delas e sempre lhe doía dar-se conta de que conhecia os próprios filhos tão pouco quanto aqueles minúsculos estranhos sorridentes no Lago.
Fräulein Hedwing Era a mãe deles, agora. Sempre fora e sempre seria. Camille sentia se como uma estranha com o menino e a menina, ambos tão parecidos com e Scott e tão pouco parecidos com ela...
__Não seja absurda, Camille, você não pode tomar conta dela.
__Mas eu quero.
Tinha olhado para Scott com tristeza no dia seguinte ao nascimento de Arya.
__ Ela é minha.
__Não é sua, é nossa.
Sorrira para a mulher gentilmente enquanto os olhos dela ficavam cheios de lágrimas.
__O que quer fazer, ficar acordada a noite toda, trocando fraldas? Ficaria exausta em 2 dias . Isso é inconcebível, é... uma bobagem.
Por um momento, pareceu irritado. Mas não era bobagem era o que ela queria e sabia também que era o que não lhe permitiriam fazer.
A ama chegara no dia em que deixaram o hospital, e carregaram a pequena Arya para o terceiro andar.
Naquela noite quando Camille subira para vê-la, foi advertida pela fraulein por ter perturbado o bebé, este deveria ser levado até ela insistia Scott não Havia motivo para Camille ir ao andar superior, mas a sua filhinha só era levada até ela uma vez, pela manhã e quando Camille aparecia no quarto do bebê mais tarde diziam-lhe sempre que era cedo demais ou tarde demais que o bebê estava dormindo, ou irritadiço, ou de mau-humor. E Camille era mandada de volta a seu quarto para ficar penando.
__Espere até a criança ficar mais velha
Scott dizia-lhe
__Então você poderá brincar com ela sempre que tiver vontade.
Mais, a essa altura, era tarde demais, Camille e a filha eram estranhas, a ama vencera afinal e quando o segundo filho nasceu 3 anos depois Camille estava doente demais para lutar, quatro semanas no hospital, e mais 4 semanas de cama, em casa. Mais 4 meses de tremenda depressão. E quando acabou soube que era uma Batalha que jamais venceria. Sua assistência não era necessária ou sua ajuda, ou seu amor o seu tempo. Era uma linda Senhora que vinha fazer visitas, usando roupas bonitas e cheirando a perfume francês. Dava-lhes coisas escondidas bolos e doces e gastava fortunas em brinquedos exóticos, mas o que eles precisavam da parte dela não lhe era permitido dar aos filhos, e o que ela queria deles em troca há muito tempo já tinham dado a ama.
Cessadas as lágrimas, Camille controlou-se tirou o vestido do armário e atravessou o quarto para achar Um Par de sapatos pretos de camurça. Tinha 9 pares para a noite, mas escolheu o que tinha comprado mais recentemente, com aberturas em forma de Pêra sobre os dedos deixando visíveis as unhas Pintadas. As meias de seda pareciam sussurrar enquanto as tirava de sua caixa de cetim e trocava por elas as meias cor de marfim se usar antes. Subitamente, sentir-se agradecida por ter tomado banho na casa de Marconi. Agora, enquanto se enfiava cuidadosamente no vestido preto parecia-lhe incrível que chegasse a existir no mundo te Marconi. A casa em charlottenburg mostrava-se um sonho distante. Esta era a sua realidade. O mundo de Scott von gotthard, era irrecuperável, inegavelmente sua mulher.
Puxou o zíper do vestido, que era uma túnica longa estreita de crepe de lã preto de mangas compridas e gola alta, que chegava quase até os sapatos pretos. Era impressionante e sóbrio e somente quando ela se virava era que a beleza total da roupa e dela própria se revelava. Uma grande a******a oval, como uma lágrima gigante deixava a mostra as suas costas, do pescoço à cintura, a pele de marfim brilhava pela a******a como o luar refletido no oceano n***o numa noite de verão.
Colocando uma pequena capa de seda sobre os ombros para proteger o vestido penteou cuidadosamente o cabelo e fez um coque enfiando nele longos alfinetei de coral n***o. Satisfeita com o efeito obtido tirou o rímel dos olhos depois refez a maquilagem deu uma última olhada no espelho e prendeu em cada orelha um grande Diamante em forma de Pêra. Nas mãos estavam a grande esmeralda que costumava usar a noite e o anel de sinete de diamantes que sempre usava na mão direita. O anel enfeitava as mãos das mulheres da sua família há 4 gerações. Trazia as iniciais de sua bisavó em diamantes e brilhavam refletindo a luz.
Com o último olhar por cima do ombro, soube que estava como sempre, deslumbrante, linda e tranquila, ninguém sonharia que por baixo havia tormento. Ninguém adivinharia que tinha passado a tarde nos braços de Marconi Stern.
No corredor longo, quieto e cinzento, para o apenas por um instante na base das escadas que levavam ao terceiro andar. Um relógio no canto bateu as horas. Ela se arrumará a tempo, na verdade. Eram 7 horas e os convidados eram esperados às 7:30. Tinha meia hora para passar com a Arya e Gerard Antes que fossem para a cama. Meia hora de maternidade. Ficou se perguntando enquanto subia as escadas para vê Los, quanto isso somaria, na vida deles.
Quantos 30 minutos multiplicadas por quantos dias? Mas ela teria visto a própria mãe com mais frequência? Sabia, enquanto atingia o último degrau da escadaria, que não. E o que tinha de mais vivido e tangível era o anel de sinete que sempre estivera no dedo da mãe.
Diante da porta do grande quarto de brinquedos, hesitou por um momento e depois bateu. Não houve resposta, mas ela podia ouvir gritinhos e risos do outro lado. Já teriam comido a horas e a essa altura já teriam tomado banho.
Fraulein Hedwig teria providenciado para que guardassem os brinquedos, Ajudado nessa tarefa monumental pela empregada encarregada do quarto das crianças. Porém, pelo menos, estavam de volta... tinham passado a maior parte do verão no campo e Camille não os vira nenhuma vez.
Este ano pela primeira vez Camille não quisera deixar Berlim por causa de Marconi. Uma obra de Caridade conveniente lhe fornecera desculpa tão desesperadamente procurada. bateu de novo, e desta vez eles ouviram. A babá disse-lhe a que entrasse. Quando Camille ingressou no aposento, fez-se um repentino silêncio, as crianças parando de brincar com ar de assombro. De tudo era aquilo que a mãe mais detestava. O olhar que lhe lançavam sempre como se nunca tivessem visto ali antes.
__ Alô, todo mundo.
Camille sorriu e estendeu os braços. Por um instante ninguém se moveu, e então, ante a insistência da babá, Gerard veio primeiro. Precisaria apenas de um momento de instigação, e voaria livremente para os braços da mãe. Porém a voz de sua babá logo deteve.
__Gerard não toque! Sua mãe está vestida para a festa.
__ Não faz m*l.
Os braços abertos de Camille não vacilarão, mas a criança recuou para longe do alcance deles.
__ Alô, mamãe.
Os olhos eram grandes e azuis como os dela, mas o rosto era de Scott. Tinha feições perfeitas e lindas um Sorriso feliz cabelo louro e o corpinho ainda gorducho de bebê a despeito de estar quase com 5 anos.
__ Machuquei o braço hoje.
E mostrou, sem ainda ter chegado junto aos braços da mãe fina esta tocou suavemente.
__ Deixe ver.
E então:
__ Ah que horrível. Doeu muito?
Era um arranhão pequeno e o machucado ainda menor, mas para ele era importante enquanto olhava do braço ferido para a mulher no vestido preto.
__Doeu. Mas não chorei.
__Foi muito corajoso de sua parte.
__Eu sei.
Parecia satisfeito consigo mesmo, e depois se afastou dela para ir guardar um brinquedo que esqueceram no outro quarto, o que deixou Camille sozinha com Arya que ainda lhe sorria timidamente a parada ao lado da frauLein.
__ Não vou ganhar um beijo hoje, Arya?
A menina fez que sim e se aproximou, hesitante, Graciosa, com uma beleza delicada que prometia suplantar até a da mãe.
__Como vai?
__Bem obrigada, mamãe
__Nenhum machucado, nenhum arranhão para eu beijar?
Ela sacudiu a cabeça e as duas trocaram um Sorriso.
Gerard Fazia as duas rirem, às vezes. Era mesmo um garotinho. Mas Arya sempre fora diferente. Pensativa, quieta muito mais tímida do que o irmão. Camille costumava perguntar-se se teria sido diferente se nunca tivesse havido a ama
__O que fez hoje?
__ Li, e fiz um desenho.
__ posso ver?
__Ainda não está terminado.
Nunca estava.
__Não importa. Gostaria de vê lo, assim mesmo.
Mas Arya Enrubesceu vivamente sacudiu a cabeça. Camille sentiu-se mais do que nunca uma intrusa, e desejou, como sempre acontecia, que a ama e a empregada desaparecessem ou pelo menos fossem para o outro quarto, para que pudesse ficar sós com os filhos. Era apenas em outras ocasiões que ela ficava sozinha com as crianças. A babá ficava por perto para impedir que as crianças se comportassem m*l.
__ Olhe só o que ganhei!
Gerard Voltara para junto deles, de pijama, com um grande cachorro de brinquedo.
__De quem ganhou?
__Da Baronesa von vorlach. Ela trouxe-me hoje à tarde.
__Foi?
Camille parecia confusa.
__ Disse que a Senhora ia tomar chá com ela, mas que se esqueceu.
Camille fechou os olhos e sacudiu a cabeça.
___ Que horror. Esqueci. Terei que ligar para ela. Mas é um cachorro muito bonito. Já tem nome?
__ Bruno. E Arya ganhou um grande gato branco.
__ Foi?
Ela guardava a novidade para si mesma. Quando partilhariam as coisas? Quando a menina crescesse, talvez fossem amigas. Mas agora era tarde demais, no entanto cedo demais.
Lá embaixo o relógio bateu de novo e Camille olhou para os filhos sentindo angústia e tomar conta dela. E gerard olhou para ela, desolado, pequenino e gorduchinho.
__ Tem que ir?
Camille fez que sim com a cabeça.
__ Desculpe. Papai está dando um jantar.
__A Senhora também não está?
Perguntou ele olhando-a com curiosidade e ela sorriu.
__Estou, sim, mas é para um pessoal do banco dele EE de alguns outros bancos.
__Parece muito enjoado.
__ Gerard!
Repreendeu, rapidamente, a babá mas Camilly riu. Baixou a voz, num tom conspiratório, enquanto falava com aquela criança deliciosa.
__E vai ser... mas não conte a ninguém... é o nosso segredo.
__ Mas a Senhora está muito bonita.
Examinou a com ar de aprovação, e ela beijou a mãozinha gorducha.
__ Obrigada.
Tomou nos braços, então e beijou docemente no alto da cabecinha loura.
__ Boa noite meu pequenino. Vai levar o cachorro novo para a cama?
O menino sacudiu a cabeça com firmeza.
__ Hedwig falou que não posso.
Camille se endireitou e sorriu amavelmente para a mulher, que era mais velha e corpulenta.
__ Acho que pode.
__pois não, Madame.
Gerard Abriu um Sorriso para a mãe e trocaram um outro olhar conspiratório, e então os olhos dela se voltaram para Arya.
__ Também vai levar o gato novo para a cama com você?
__ acho que sim.
A menina olhou primeiro para a babá, depois para a mãe, e Camille sentiu algo profundo morrer dentro dela de novo.
__Terá que mostrá-lo para mim amanhã.
__Sim Senhora.
As palavras doeram fundo, mas a dor não transparecia enquanto Camille beijava suavemente a filha acenava para as duas crianças e fechavam mansamente à porta.
Com o máximo de rapidez que lhe permitia o Estreito vestido preto Camille desceu os degraus chegando ao pé da Escada bem a tempo de ver e Scott recebendo os primeiros convidados.
__Ah aí está você querida.
Virou-se para sorrir para ela apreciando, como sempre, sua aparência. Fez as Apresentações enquanto calcanhares batiam em mãos eram beijadas. Era um casal que Camille tinha visto com frequência nas festas do banco, mas que ainda não tinha visitado a casa deles. Recebeu os calorosamente e tomou o braço de Scott enquanto entravam no salão principal.
Foi uma noite de conversas civilizadas, comida farta e o melhor dos vinhos franceses. Os convidados falavam principalmente de assuntos bancários e viagens. Crianças e política ficavam estranhamente ausentes da conversa embora estivessem em 1934, e a morte do presidente Von Hindenburg naquele ano tivesse removido a derradeira ameaça ao poder de Hitler.
Não é um assunto que vale a pena discutir. Desde que Hitler se tornar chanceler, no ano anterior os banqueiros da nação tinham mantido sua posição final eram importantes para o hash tinha o seu trabalho a fazer e Hitler tinha o dele. Com quanto alguns deles o tivessem muita pouca conta, Hitler não iria criar problemas no seu meio. Viva e deixe viver. E havia aqueles é Claro que estavam satisfeitos com o Reich de Hitler.
Scott não estava entre estes, mas era um ponto de vista que partilhava com poucos. Ficará atônito com o poder cada vez maior dos nazistas e advertiu os amigos, particularmente em várias oportunidades de que aquilo levaria a guerra. Mas não havia motivo para se discutir o assunto, naquela noite. Os crepes flambées, servidos com champanhe, pareciam bem mais interessantes do que o terceiro reich.
O último convidado só se retirou a uma e meia, ocasião em que Scott se virou para Camille, cansado e com um bocejo.
__Acho que foi um jantar muito bem sucedido, querida. Gostei do pato mais do que do peixe.
__Foi?
Tomou nota mentalmente para dizer a cozinheira no dia seguinte. Serviu um jantar e gigantescos com entrada sopa peixe carne salada queijo sobremesa e finalmente frutas final quero que se esperava deles, portanto agiam assim.
__Passou uma noite agradável?
Perguntou, olhando para ela gentilmente, enquanto subiam lentamente as escadas.
__ Claro que sim, Scott.
Ficou grata por ele ter perguntado.
__ Você não?
__Útil. Aquela transação belga que estávamos a discutir será provavelmente realizada. Foi importante que Hoffmann tivesse vindo hoje. Ainda bem que veio.
__Ótimo. então concordo com você.
Enquanto o acompanhava, sonolenta, perguntava se se seria esta a sua finalidade, encorajá-lo na sua transação belga e A Marconi no seu novo livro. Seria isso então? Devia ajudá-los a realizar o que quer que se fossem fazer? Mas se os ajudava, por que não aos filhos? E então pensou, por que não a si mesma?
__Achei a mulher dele muito bonitinha.
Scott deu de ombros, e enquanto estavam parados no patamar, sorriu para ela, mas com uma sombra de tristeza nos olhos.
__Eu não. Infelizmente você estragou-me para qualquer outra mulher.
Camille sorriu de volta para ele.
__Obrigada
Houve um momento de constrangimento enquanto ficavam ali parados na Escada. Era o momento da separação. Parecia mais fácil nas noites em que não tinham nada para fazer. Ele recolheu-se ao seu escritório ela subia sozinha para ler um livro. Porém, o fato de subirem a Escada juntos deixava os como a bifurcação na estrada que nunca ficava menos pungente E deixava ambos sentindo se muito sozinhos. Antes sempre sabiam que poderiam encontrar-se mais tarde no quarto dela, mas agora não era segredo entre eles que não fariam. E sempre havia uma aura de adeus cada vez que chegavam ao patamar. Sempre parecia muito mais do que um simples boa noite.
__ Está com melhor aparência ultimamente, querida. E não me refiro à sua beleza.
Sorriu meigamente.
__Refiro-me à sua saúde.
Ela retribuiu o Sorriso. Acho que estou me sentindo melhor.
Mas havia algo ausente nos olhos dela, enquanto falava, e rapidamente desviou os olhos dos dele, fez-se um instante de silêncio enquanto o relógio bateu suavemente o quarto de hora.
__É tarde, é melhor você ir para a cama.
Beijou lhe a cabeça e caminhou resolutamente para a porta do seu quarto. Ela viu apenas as costas dele enquanto murmurava baixinho:
__Boa noite.
Em seguida, desceu rapidamente o corredor na direção do seu próprio quarto.
Eram nesses momentos que Camille sentia o peso da culpa ainda maior sob as suas costas, o marido era um homem incrível e adorável apesar da sua severidade, não merecia ser traído daquela forma, mas ela também se sentia isenta quando lembrava que dentro daquele monumental lugar não tinha sentimentos sobrando para ela