Descobertas

3177 Words
O vento soprava vivamente ao redor das suas pernas enquanto Marconi e Camille caminhavam ao longo do Lago de charlottenburg. Naquela tarde estavam sozinhos no parque. As crianças estavam de volta à escola e os namorados e velhos que apareciam para dar comida aos passarinhos eram sensatos demais para sair num dia frio como aquele. Mas Marconi e Camille estavam felizes com a sua solidão, enquanto caminhavam. __Está bem quentezinha? Olhou para ela sorridente, Camille sorriu. __ Nisto? Ficaria encabulada de admiti-lo se não estivesse. __E devia ficar. Olhou com admiração para o novo casaco de zibelina que terminava apenas alguns centímetros do chão. Ela usava um chapéu combinando inclinado para um lado da cabeça e o cabelo louro e lustroso estava preso num coque na nuca. Tinha as faces rosadas de frio e os olhos pareciam mais espantosamente Violetas do que nunca. Marconi envolvia-lhe os ombros com o braço e olhava para ela com orgulho. Estavam em novembro e ela já era sua há mais de 8 meses. __ Como se sente agora que acabou o livro? __Como se estivesse desempregado. __ Sente muita falta dos personagens? __ No início, senti uma falta terrível deles. E então beijou-lhe a cabeça. __Mas sinto menos, quando estou com você. Pronta para voltar agora? Ela fez que sim, e os dois retornaram para a casa dele, andando rapidamente as poucas quadras até que chegaram diante da porta. Ele abriu para a Camille e ambos entraram no saguão. Sentia-se cada vez mais em casa ali. Na semana anterior tinham até mesmo chegado a entrar juntos numas lojas de antiguidades, comprando duas cadeiras e uma pequena mesa. __ Chá? Sorriu carinhosamente para ele que balançou a cabeça afirmativamente como resposta seguindo até a cozinha. Ela botou a chaleira no fogo e se sentou em uma das cadeiras bastante usadas da cozinha. __Tem alguma ideia do quanto é maravilhoso tê-la aqui, Madame? __Tem alguma ideia do quanto é maravilhoso estar aqui? Agora, estava a aceitar melhor a ideia da culpa. Este era simplesmente o seu modo de vida e se sentia grandemente reconfortada ao tomar conhecimento por acaso alguns meses antes de que uma das irmãs do pai tiveram o mesmo amante durante 32 anos. Talvez esse também fosse o seu destino. E envelhecer com Marconi e Scott e sendo útil a ambos o tecido da sua vida irrevogavelmente trançado com o de Marconi E debruado pelos braços protetores de Scott. Afinal de contas isso era tão terrível? Alguém estava realmente sofrendo? Atualmente era raro sentir as pontadas da culpa, somente quando estava com as crianças é que sentia alguma espécie de dor, mas já tinha essa sensação muito antes de Marconi aparecer. __ Está com cara de séria, de novo. No que estava pensando? __ Ah, em nós... Virou-se para olhar para ele enquanto lhe entregava uma xícara. __ Eu sei. Eu também. E então subitamente teve vontade de falar uma coisa que nunca lhe dissera antes. __ Se as coisas fossem... diferentes... quero que saiba que... eu iria querê-la para sempre. Os olhos dela não se desviaram dos dele. __E agora? A voz dele era uma carícia no aposento cálido. __ Ainda quero para sempre. E com um pequeno suspiro: __ Mas não posso fazer nada a respeito. __Não espero que faça. Sentou-se diante dele com um Sorriso meigo. __Estou feliz desse jeito. E então revelou-lhe uma coisa que nunca dissera antes. __Esta é a parte mais importante da minha vida, Marconi. Significava tudo para Marconi que ela fosse parte da sua vida. Tanta coisa se alterara na vida dele, no último ano, o resto do mundo estava mudando em derredor porém ele estava muito mais consciente disso do que ela. Camille tocou-lhe a mão suavemente, puxando de volta dos seus pensamentos. __Agora, fale-me do livro. Que disse o seu editor? Mas, enquanto ele falava, uma expressão estranha-lhe apareceu nos olhos. __ Não muita coisa. __Não gostou? Parecia chocada. O livro era maravilhoso. Ela mesmo lera enfiada na cama dele nas tardes frias de inverno. __O que foi que ele disse? __Nada. Notou que os olhos dele endureciam. __Não estão inteiramente certos de poderem publicá-lo. Então era esta sombra que tinha visto nos olhos dele quando chegara, logo depois do almoço. Por que não contaram mais cedo? Mas era bem do jeito dele ocultar inicialmente os seus problemas dela, sempre queria saber dela antes. __Estão malucos? E quanto ao sucesso do seu último livro? __Uma coisa não tem nada a ver com a outra. __ Afastou-se foi botar a xícara na pia. __ Marconi não estou compreendendo. __Nem eu, mas acho que compreenderemos. Nosso amado líder logo nos mostrará. __ De que está falando? Fitou-lhe as costas, e depois a raiva nos seus olhos quando ele se virou. __ Camille tem alguma ideia do que está acontecendo a seu país? __Está se referindo a Hitler? Ele fez que sim. __Vai passar Continuou Camille. __ As pessoas ficarão entediadas com ele, e cairá das boas graças de todos. __ É mesmo? É isso que você acha? E com amargura: __é isso o que o seu marido acha? Ficou espantada a menção de Scot. __Não sei. ele não fala muito a respeito. Pelo menos não comigo. Nenhuma pessoa razoável gosta de Hitler é óbvio, mas não creio que seja tão perigoso quanto alguns acham. __ Então você é uma tola, Camille. Nunca lhe falara antes com aquele tom de voz. Porém, subitamente ela viu a raiva e a amargura que jamais desvendará para ela, antes. __Sabe porque o meu editor está em cima do muro? Não porque o meu último livro não tenha vendido não porque não gostasse do novo original. Foi burro o bastante para deixar que eu soubesse o quanto gostara dele antes de bancar o indiferente. Mas, por causa do partido... Olhou-a com uma angústia que despedaçou o coração dela. __ Porque sou judeu, Camille... porque sou judeu. No final, sua voz era um murmúrio que m*l se ouvia. __Um judeu não deve ser bem-sucedido não deve ganhar prêmios nacionais. Se Hitler conseguir o que quer não haverá lugar para os judeus na nova Alemanha. __ Mas isso é loucura. O seu rosto dizia que não acreditava nele. Era algo que nunca haviam discutido. Ele lhe falara dos pais, do passado da infância da padaria mas nunca tocaram no assunto de ser judeu no que isso significava ou deixava de significar para ele. afinal Camille simplesmente presumira que ele o era e se esquecera do assunto. E nas raras ocasiões em que pensava naquilo era uma coisa que a agradava parecia diferente exótico de um modo muito agradável. Mas era algo que simplesmente nunca entrara nas suas discussões e raramente nos pensamentos dela. E a realidade do que podia significar para ele estava aos poucos se tornando clara. Camille ficou pensando nas implicações do que ele dissera. __Não pode estar falando Sério. Não pode ser isso. Não? Está começando a acontecer com alguns dos outros. __Não sou o único. Está acontecendo apenas com os judeus, não aceitam nossos livros não querem publicar nossos artigos não atendem aos nossos telefonemas. Creia-me, Camille, eu sei. __Então procure outro editor. __ Onde? Na Inglaterra? Na França? sou alemão quero publicar o meu trabalho aqui. __ Então faça. Não podem todos ser tolos. __ Não são tolos, são muito mais espertos do que imaginamos. Estão vendo o que vem vindo estão com medo. Camille fitou, chocada com o que estava escutando. Não podia ser tão r**m quanto ele achava que era. Estava simplesmente nervoso por causa da rejeição. Soltou um longo suspiro e tomou-lhe a mão. __Mesmo que seja verdade, não vai continuar assim para sempre. Eles vão relaxar quando virem que Hitler não vai causar tantos problemas quanto imaginam. __ O que a faz pensar assim? __Não pode. Como poderia? O poder ainda está nas mãos certas. O Esteio deste país está nos bancos nas empresas nas famílias antigas... eles não vão acreditar em todo esse lixo que ele fica declamando. as classes baixas podem acreditar, mas quem são elas ? Marconi tinha um ar Sombrio, quando respondeu: As famílias antigas como você diz podem não acreditar, mas se não se manifestarem contrárias a isso estaremos perdidos. E você está errada quanto a mais outra coisa. Não são mais o poder neste país. O poder é o homem comum exércitos e exércitos e exércitos de homens comuns homens que são individualmente impotentes, mas Fortes como grupo, gente que está cansada do Esteio a que você se referiu cansada das classes superiores e das famílias antigas e bancos e essa gente crer em cada palavra que Hitler está pregando vírgula acha que encontrou um novo deus, e se todos se juntarem, serão o verdadeiro poder deste país. e se isso acontecer todos estaremos encrencados não apenas os judeus, mas gente como você também. Ficou apavorada ao ouvir o que ele estava dizendo. Se estivesse certo... mas não poderia estar... não podia. Sorriu para ele se levantou para correr as mãos, lentamente pelo seu peito. _Tomara que nada seja tão terrível quanto você prediz. Beijou a com meiguice, e com o braço ao redor de sua cintura, conduziu lentamente para o quarto. Camille teve vontade de perguntar-lhe o que ia fazer quanto ao novo livro mais detestável insistir não queria reavivar mais os temores dele. E para um autor de sua magnitude, parecia improvável que os preceitos de Hitler contra os judeus e autores judeus pudessem ter alguma importância. Afinal, ele era Marconi Stern. Naquela noite, Camille estava pensativa, enquanto voltava para grunewald, remoendo que Marconi dissera. A expressão Nos olhos do amante atormentava, enquanto ela entrava em casa. Tinha 1 hora para desfrutar sozinha antes do jantar, e esta noite ao invés de ir ver as crianças buscou refúgio no quarto. E se ele tivesse razão? O que poderia significar? O que significaria para ambos? Mas enquanto afundava devagarinho numa banheira cheia de água quente concluiu que a coisa toda era provavelmente uma bobagem. O livro seria publicado. Ele ganharia um novo prêmio. Os artistas às vezes, eram um pouco malucos. Sorriu enquanto recordava outros momentos da tarde. Ainda estava sorrindo consigo mesma, quando ouviu a batida na porta do quarto e disse distraidamente para empregada entrar. _Camile? Mas não era Ana. Era a voz do marido, no outro aposento. __Scott? Estou no banho. Tinha deixado as portas abertas, e ficou imaginando se o marido entraria no banheiro, mas quando a voz dele alcançou de novo não estava chegando mais perto e continuaram falando pela porta aberta. _Quer fazer o favor de vir me ver quando estiver vestida? Parecia Sério e por um instante ela sentiu medo a agitar lhe o coração. Iria confrontá-la? Fechou os olhos e prendeu a respiração. __Quer entrar? __ Não, bata na minha porta antes do jantar. Parecia mais preocupado do que zangado. __Estarei lá daqui a alguns minutos. __Ótimo Ouviu a porta fechar se de novo, mansamente, e terminou rapidamente o banho, levou apenas alguns minutos, correu um pente pelos cabelos. Vestiu um costume cinzento simples para o jantar, com uma blusa de seda branca que acabava no nó frouxo no pescoço. Os sapatos eram de camurça cinzenta as meias do mesmo tom discreto e ela rapidamente colocou o fio duplo de pérolas negras que foram preferida da mãe junto com os brincos que combinavam parecia discreta e séria ao se olhar no espelho antes de descer o corredor final o único toque de cor era o cabelo meio profundo azul dos olhos. Quando chegou diante da porta de Scott bateu de leve em um momento depois ouviu-lhe a voz, do outro lado. __Entre. Cruzou a soleira da porta, sentindo a saia de seda do costume roçar lhe nas pernas. Scott estava sentado numa das confortáveis poltronas de couro marrom do escritório e apressou-se a largar o relatório que estava lendo quando a mulher entrou. __ Está linda Camille. __Obrigada Perscrutou lhe os olhos e viu a verdade, a dor, teve vontade de estender as mãos para ele oferecer-lhe conforto. Porém, enquanto observava descobriu que não podia aproximar-se dele. Pegou se subitamente fitando com o abismo a separá-los, foi Scott quem recuou. Sente se, por favor;. Ela obedeceu, enquanto o marido a observava. __ Xerez? Ela sacudiu a cabeça. Podia ver nos Seus olhos que ele sabia. Virou o rosto para o outro lado, fingindo olhar o fogo, não havia nada que ele pudesse dizer. Teria que aguentar as acusações e chegar a uma solução no final. O que poderia fazer? Qual dos homens abandonaria? Precisava dos dois amava os dois. __ Camille... Manteve os olhos fitos no fogo por um momento finalmente virou os para ele. __ Sim. Era um gemido doloroso. __ Preciso dizer-lhe uma coisa. É... Parecia agoniado, mas ambos sabiam que agora não havia como recuar. ___... É extremamente doloroso para mim discutir isso com você, e tenho certeza de que é igualmente desagradável para você. O coração dela batia com tanta força nos ouvidos que m*l podia ouvir o que o marido dizia. Sua vida tinha terminado. O fim estava começando. Mas preciso falar-lhe para o seu bem. Para a sua segurança e talvez para a nossa. __Minha segurança? Era apenas um murmúrio, mas ela o fitava, confusa. __Escute o que vou dizer. E então, como se fosse demais para ele recostou se na poltrona e suspirou. Quando olhou para o marido, Camille viu o brilho vivo das lágrimas não derramadas nos seus olhos. __Eu sei... tenho ciência de que... nos últimos meses... você tem estado envolvido numa situação... um tanto difícil. Camille fechou os olhos e escutou o som daquela voz monótona nos ouvidos. __Quero que saiba que eu... compreendo... não estou insensível. Os enormes olhos tristes se abriram de novo. __Ah Scott... Lentamente as lágrimas começaram a rolar pelas faces dela. __Não quero... não posso... __Pare. Preste atenção. Por um momento ele falou igual ao pai dela, e depois de mais um suspiro continuou. _O que vou lhe dizer é terrivelmente importante. Quero que também saiba, já que a situação está mais ou menos as claras agora que eu a amo, não quero perdê-la não importa o que possa pensar de mim agora. Camille sacudiu a cabeça, e tirando um lenço de renda do bolso, assoa o nariz, por entre as lágrimas. __Não tenho nada exceto respeito por você Scott e eu amo também Era verdade ela o amava, e morria um pouquinho por causa da dor dele. __Então preste atenção no que tenho a dizer. Vai ter que parar de ver... o seu amigo. Camille o fitou com horror mudo. __E não pelos motivos que está pensando. Sou 29 anos mais velho do que você minha querida, e não sou t**o. Essas coisas às vezes acontecem, e podem magoar muito as pessoas envolvidas, mas se forem tratadas de modo adequado, pode-se sobreviver a aprovação mas não é isso que estou-lhe dizendo agora. Estou-me referindo a uma coisa muito diferente. Estou-lhe dizendo que por motivos que não tem nada a ver comigo com o nosso casamento você tem que parar de ver... Marconi. Parecia causar-lhe angústia ter que dizer o nome do outro. __Na verdade, mesmo que não fosse casada agora, que nunca tivesse sido, é um relacionamento que não se pode dar ao luxo de ter. __Como assim? Pois-se de pé iradamente, a gratidão por sua benevolência desaparecendo instantaneamente. __Por quê? Porque é escritor? Acha que algum tipo de boêmio? Pelo amor de Deus Scott ele é um homem muito decente, maravilhoso. O absurdo de estar defendendo o amante com o marido ainda não lhe ocorrera, enquanto fitava os olhos de Scott Este recostou se na poltrona com mais um Suspiro. __Espero que não me ache suficientemente bitolado para eliminar escritores e artistas e gente como eles do rol daqueles que tomam por amigos. Nunca fui culpado de opinião estão preconceituosas Camille. Ficaria bem para você lembrar-se disso. Estou falando de uma coisa inteiramente diversa. Estou-lhe dizendo Inclinou-se para a frente na poltrona e falou com ela com súbita veemência __Que não se pode dar ao luxo de conhecer o homem, de estar com um homem, de ser vista na casa dele não porque é um escritor... mas porque é judeu. E fico doente ao ter que lhe dizer isso porque acho que o que está começando a acontecer neste país é revoltante, mas a verdade é que está acontecendo, e você é minha mulher a mãe dos meus filhos e não quero que seja assassinada ou posta na cadeia! Está entendendo ? está entendendo o quanto isso é importante? Camille fitava-o, incrédula. Era como a continuação do pesadelo do que Marconi lhe falara a tarde. __ Está me dizendo que acha que pode matá lo? __Não sei o que farão, e a verdade é que não sei mais o que pensar. Mas enquanto vivermos uma vida tranquila e ficarmos longe do que está acontecendo estamos seguros você está segura, Arya e gerard estão seguros. Mas aquele homem não está seguro. Camille, por favor... Estendeu a mão e segurou a dela. __ Se alguma coisa acontecer a ele, não quero que você tome parte nisso. Se as coisas fossem diferentes se vivêssemos em outra época, eu ficaria magoado com o que você está fazendo, mas fecharia os olhos, porém não posso fazer isso agora. Devo detê-la. Você mesma deve deter-se. __Mas, e quanto a ele? Agora achava se assustada demais para chorar a magnitude do que o marido dissera desanuviara-lhe a cabeça. Scott meneou a cabeça. __Não podemos fazer nada para ajudá-lo, se ele for esperto e as coisas continuarem desse jeito faria bem em deixar Alemanha. Scott olhou para a Camille. __Diga-lhe isso. Camille ficou sentada, olhando para o fogo, sem ter certeza do que falar. A única coisa de que tinha certeza era de que não iria desistir dele. Nem agora nem depois, nem nunca. Um minuto depois, seus olhos se encontraram com os dele, e a despeito da raiva havia neles muita ternura por ele também foi até Scott o beijou na face. _Obrigada por ser tão correto. Não a repreenderá por ser infiel estava apenas preocupado com a sua segurança e talvez até mesmo com a do seu amigo. Que um homem extraordinário! Por um momento seu amor por ele inflamou-se como não se inflamava a anos olhou o com a mão no ombro dele e. _É tão r**m assim? Ele fez que sim. __Acho que talvez seja pior. Simplesmente ainda não sabemos. E após um momento: _Mas saberemos. _Acho difícil acreditar que as coisas pudessem fugir tanto ao controle. Olhou para ela com urgência enquanto a mulher se levantava para sair do quarto. _Fará o que pedi, camille? Teria de prometer que sim tranquilizá-lo de que o faria, mas algo se havia modificado sutilmente entre os dois. Ele sabia a verdade e era melhor assim. Camille não tinha mais que mentir. _Não sei. _Não tem escolha. Agora a voz dele está irada. __Camille eu a proíbo... Mas ela já se retirará suavemente do quarto.
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